Colunas
Tião Lucena
Jornalista, blogueiro, fuxiqueiro, caceteiro, acima de tudo um cabra que não gosta de gente mentirosa.
Nos tempos de jornal (44)
A nossa vida de repórter era meio irresponsável. A solteirice talvez contribuísse para isso. Ninguém tinha a preocupação de chegar em casa e dar satisfações à mulher ou enfrentar o supermercado na sexta-feira, tarefa que todo bom casado desempenha com prazer e devoção. Éramos solteiros e como solteiros caíamos na buraqueira, soltos feito passarinhos dando vôos rasantes sobre as águas azuis dos açudes invernosos.
Por isso as farras nas horas de folga e, dentro das farras, as saudáveis brigas, brigas com cheiro de romantismo, trocas de tapas e bofetes inocentes, que só doíam na hora.
E quantas brigas aconteceram!
Naquela boca de noite, depois de um sábado inteiro bebendo o uísque do deputado Fernando Milanez – recém eleito Presidente da Assembléia -, fizemos uma parada estratégica no Woodstock, o Bar da Viúva administrado por Chico, seu filho mais novo, ali no cruzamento da Almeida Barreto com a Rodrigues de Aquino.
Tudo caminhava na maresia de fim de festa quando Chico Pinto avistou o jornalista/comunista Tico Pinto, que bebia numa mesa afastada com colegas de movimento estudantil. Levantou-se de onde estava e foi ao encontro de Tico, cobrar um livro que emprestara ao marido de Etelvina. Discutiram algumas coisas para as bandas de lá e partiram logo para os finalmente. As tapas e Ponta-pés levantaram as cadeiras de plástico do bar de Chico. Fui até lá apartar a briga, segurei nos braços de Tico Pinto, pedindo calma e ele, em resposta, meteu o joelho no meu ovo esquerdo, o de estimação. Aí não prestou não. Entrei na briga e os dois grupos se engalfinharam numa verdadeira guerra, para desespero de Chico, que implorava, com as mãos na cabeça:
-Não quebrem meu bar!
Júlio Santana, que tinha ido ao banheiro, chegou atarantado e deu um tabefe no queixo do garçom, derrubando-o Djalma Góes pegou a sua Yasshica caixão e a quebrou na cabeça do vendedor de amendoim, achando-o parecido com o cantor Chico César, que na época formava no time dos comunistas.
No final, todos se salvaram, restando apenas a quebradeira do Woodstock e o desespero do proprietário.
Nossa turma, por certo, nunca tomara aula de briga com o radialista Marconi Edson, o popular Chapéu de Couro, que brigava toda semana e, embora apanhasse, tinha o hábito de arrancar um pedaço do adversário com uma dentada. Chamavam-no de “dente de aço”, por causa da ferocidade com que mordia os contendores. Muitos ficaram aleijados com as mordidas de Marconi.
Naquela tarde de jogo no Almeidão, Chapéu de Couro chegou para assistir a partida entre Botafogo e Auto Esporte, levando a mulher a tira-colo. Nem bem adentrou ao portão principal, foi cercado pelos gorilas da Federação, putos da vida com as críticas que ele vinha fazendo na rádio a FRP e, sem meias palavras, passaram a bater nele. Ao primeiro bofete, Marconi Edson caiu no chão e começou a apanhar, a ser pisado, maltratado. Naquela confusão, deu de garra da primeira perna que chegou ao seu alcance, agarrou-a com força e aplicou-lhe a famosa dentada. Foi uma dentada longa, forte e profunda, que arrancou o pedaço. E para que o mordido mais tarde não inventasse de aproveitar a parte arrancada numa possível cirurgia plástica, Chapéu engoliu a carne sem mastigar, chega o sangue ficou escorrendo pelo canto da boca.
Apartada a contenda, levantou-se, sacudiu a poeira e somente então deu pela falta da mulher. Correu os olhos e a encontrou sentada no chão, gemendo alto e segurando a batata da perna ensangüentada, com aquele buraco provocado pela mordida do marido.
Nos tempos de jornal (43)
Todo mundo sabia que quando se desse o encontro de Jair Santana com Anacleto Reinaldo, o sangue correria no meio da canela. Dois valentes em lados opostos, desafiando-se diariamente pelas ondas do rádio, cada um chamando o outro do que não prestava, Jair fazendo referências depreciativas a geografia corporal de Reinaldo e este chamando-o de urubu, por causa da negritude do rival, no final não poderia dar em coisa boa. E prometiam-se sangue, balas e furadas de faca quando o encontro se desse.
Jair, um negrão com jeito de valente do morro, Anacleto, baixinho, com cara de abusado, tinham a maior audiência do rádio nos seus respectivos programas. Talvez por isso mesmo se odiassem. Não aceitavam que um tirasse o brilho do outro.
Daí a rinha, a briga, a falação.
Até que aconteceu o encontro, naquela ruazinha que dá para a Central de Polícia. Lá vinha Jair, gravador pendurado no pescoço, depois de entrevistar os presos do dia. Lá ia Anacleto, de paletó e gravata, a procura de notícia. Os dois se avistaram a poucos metros um do outro. A ruazinha estreita, sem becos, não permitia qualquer desvio. Tinha que ser ali mesmo. O duelo, finalmente, iria se dar no melhor estilo do velho oeste.
Jair puxou da cinta um revólver branco, grandão, de cano reforçado, apontou para Anacleto e avisou: -eu meto bala!".
Anacleto puxou a língua de peba, uma faca de nove polegadas, amolada dos dois lados, gritando do seu canto: -Eu furo seu bucho!".
E ficaram assim: Jair com o revólver na mão, gritando "eu atiro" e Anacleto, riscando a faca no calçamento chega saía fogo, devolvendo "eu furo seu bucho". Meia hora nesse moído, cada um no seu cada qual, sem que Jair atirasse ou Anacleto furasse. Até que apareceu o velho Humberto Lira e sua imensa barriga, que se colocou no meio dos dois e apartou o duelo.
Mas ouviu, tanto de Jair quanto de Anacleto, o desabafo: "Se você não chega..."
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Num congresso jornalístico acontecido em Natal, no Rio Grande do Norte, o então jovenzinho repórter Carlos César Muniz conheceu uma então jovenzinha deputada estadual e os dois tiveram uma tórrida paixão. Foi amor para mais de metro. As paredes do hotel onde se hospedaram, na Via Costeira, ainda hoje guardam os suspiros e gemidos de ambos.
O tempo passou, cada um cuidou da sua vida e, muitos anos depois, lá estava o amigo Carlos César hospedado na casa de Miguelzinho Lucena, em Brasília, quando avista aquela bela mulher, também hospedada lá. Era a mocinha deputada daqueles ontens. A paixão voltou com força. Tanto voltou que quando a respeitável dama foi à cozinha pegar água, César Muniz saiu disfarçado em seu encalço e ali mesmo a agarrou com força, mostrando toda sua saudade.
A mulher, porém, o rechaçou com um grosseiro "sai de mim, abacaxi, que eu tomei leite".
Ela, depois daqueles amores, trocara de lado, passara a gostar do belo sexo. E ninguém se lembrou de avisar ao conterrâneo apaixonado.
Nos tempos de jornal (42)
Esse negócio de jornalista apanhar por causa dos seus escritos já foi moda na Paraíba. A primeira grande surra foi dada em Heitor Falcão, colunista social do Correio da Paraíba, acostumado a criticar autoridades com um jeito diferente, ironico, ferino. Escrevia com uma garrafa de rum ao lado da mesa, era um parágrafo e um gole, seguido de uma profunda tragada no cigarro, o mesmo que o matou, anos mais tarde, de embolia pulmonar.
Heitor falou mal do prefeito Damásio Franca. Gostou, falou de novo e, vendo que nada acontecia, continuou a falar. Os meninos de Seu Damásio idolatravam o pai. Tanto idolatravam que terminaram não gostando do falatório de Heitor. Pegaram-no de jeito, deram-lhe uma surra e deixaram-no moído de pau na barreira do Cabo Branco.
Houve um reboliço danado na imprensa, coleguinhas tomaram as dores, protestaram, API deu nota de solidariedade, Sindicato dos Jornalistas exigiu providências das autoridades constituídas, mas no final ficou tudo por isso mesmo, seu Damásio continuou prefeito, os meninos de Seu Damásio continuaram idolatrando o pai e Heitor escrevendo as suas e tomando o rum com cigarro.
Os mesmos meninos de Seu Damásio repetiram a dose anos mais tarde em Nonato Guedes. Nonato chegara de Cajazeiras ainda menino, discipulo de Biu Ramos, recebeu coluna no Correio para escrever no espaço que foi de Madruguinha. Em pouco tempo fez nome, tornou-se celebridade, criou fama, subiu na vida e na profissão. Mas cometeu a besteira de chamar Seu Damásio de Odorico Paraguassu. Levou uma sova dos meninos, comandados pelo caçula Neto Franca. A mesma reação foi registrada, Sindicato deu nota, API protestou, coleguinhas disseram os diabos com os filhos de Seu Damásio, que continuou prefeito, pela terceira vez diga-se, sendo adorado pelos meninos. E Nonato, como não poderia deixar de ser, curou as feridas, continuou escrevendo e mais tarde tornou-se amigo dos Franca, coisa muito do seu feitio de homem sem ódio.
Uma agressão marcou a imprensa nos idos de 80. Ano da fama de Zé Ramalho, saído daqui como bom cantor de conjunto, virado celebridade e mito no sul do país, cantando músicas doidas como aquela que falava de múmias e sarcófagos egipcios.
Celebrizado no país, Zé voltou à terra natal para um show. Grande show, casa cheia, falatório na imprensa, cidade agitada com a chegada do agora mito. Carlos Aranha, crítico de música, escrevia coluna em A União. Saudando o amigo que chegava, Aranha insinuou que “Admirável Gado Novo”, sucesso de Zé, era de outra autoria, Zé teria se apoderado indevidamente da música e a colocara como sua, ignorando o verdadeiro autor.
Zé Ramalho leu a coluna de Aranha, ficou calado, fez o show, dia seguinte saiu do hotel no onibus que o levaria com a comitiva ao Aeroporto, antes disso deu uma passadinha pela redação de A União que funcionava perto do Bompreço da Castro Pinto, parou, desceu, bateu palmas em frente a redação, chamou por Aranha, lá veio Aranha faceiro e sorridente, quando chegou perto Zé deu-lhe um tapa olho que levou Aranha à grama. E não deu mais porque Ferretão, funcionário das oficinas de dois metros e alguns centímetros, viu o acontecido, correu de lá e desafiou o ídolo: “Venha bater num homem!” Zé sentiu que iria enfrentar um cabra acostumado a botar peixeira em bucho de desafeto. Preferiu recuar, debrear e ir embora. Entrou no onibus e se foi para o Castro Pinto, deixando para trás um Aranha inchado, choroso e doído.
Não preciso dizer que a imprensa protestou, fez artigos candentes, chamou Zé Ramalho de um tudo, mas depois silenciou ao notar que o próprio Aranha perdoava o agressar e voltava às boas com ele.
Nos tempos de jornal (41)
A campanha de prefeito mais acirrada que João Pessoa conheceu nos últimos anos foi a de 1985. Marcus Odilon, atual prefeito de Santa Rita, enfrentou o ex-deputado Carneiro Arnaud. Marcus era apoiado por Tarcisio Burity e Carneiro por Wilson Braga. Eram Marcus e Burity sozinhos e Carneiro Arnaud e Wilson Braga e o Governo do outro lado. Ao lado de Odilon também cerrou fileiras o deputado Antonio Augusto Arroxelas. Davi e Golias se repetiam na Paraíba e quase que Davi ganhava. Não ganhou porque roubaram a eleição.
Em 1985 não havia urna eletrônica. O eleitor votava naquelas urnas de pano, depositando as cédulas dentro delas. Terminada a votação, as urnas eram recolhidas e levadas para o Astréa, onde se apuravam os votos. Foi nesse percurso que Marcus Odilon perdeu a eleição. As urnas foram transportadas nos onibus da Etur do finado Abelardo Azevedo, eleitor de Carneiro, seguidor de Braga e que temia a eleição de Marcus porque este, durante a campanha, prometera acabar com o reinado de Azevedo, até então o manda-chuva dos transportes na Capital.
No meio do caminho, por um desses milagres da magia eleitoral, os votos de Marcus Odilon foram trocados nas urnas e Carneiro ganhou. Foi um ganhar sem gosto, o povo triste, só festejando a vitória aqueles que viviam engabelando os dinheiros do Estado, generosamente distribuidos pelo então governador.
Lembro bem do caso de conhecido jornalista, que trabalhou como presidente de mesa receptora, que ao término da votação levou a urna para casa e só a devolveu ao TRE no dia seguinte. Esse coleguinha era eleitor de carteirinha de Carneiro e de Wilson Braga.
A campanha de 85 foi muito bonita. Marcus Odilon e Burity sozinhos reuniam multidões. Sindulfo Santiago, coordenador de comunicação e de falação da candidatura de Marcus foi dormir na véspera dizendo-se eleito. Um grupo de jornalistas formado por Euflávio, Verber e eu, entre outros, trabalhava no comitê de imprensa e tinha absoluta certeza da vitória. Foi uma frustração total, como frustração total foi a administração de Carneiro Arnaud como prefeito. O Carneiro foi tão medíocre que depois da Prefeitura acabou-se politicamente. Nunca mais elegeu-se a nada de importante. Para não dizer que nunca mais foi anda, registre-se que ganhou uma boquinha de juiz classista do TRT, cargo no qual se aposentou e lhe dá hoje, ao lado dos honorários de médico, uma velhice calma ao lado de sua nova prole.
Quando a Marcus Odilon, este voltou a ser prefeito de Santa Rita.
Nos tempos de jornal (40)
Antonio Mariz foi candidato a governador em 82, no tempo do voto vinculado. Enfrentou o deputado Wilson Braga, da Arena, apoiado pela Revoluçã de 64 e pelo esquema governista de Tarcisio Burity. Levou uma surra.
O interessante é que, durante a campanha, tudo apontava para uma vitória de Mariz. Seus comícios eram os mais concorridos, as passeatas e carreatas dele eram maiores do que as de Braga, porém na hora do voto falou mais alto o cabresto. Mariz perdeu.
Eu, romântico jornalista de passos iniciais, não só votei como apoiei Mariz. Até discursos fiz. Na ida dele a Princesa, lá estávamos eu, Paulo Mariano, Italo Kumamoto e Miguezim Lucena ainda menino para recepcionar a comitiva da oposição. O ministro João Agripino também foi, ao lado de Zé Maranhão, que pilotou o avião de sua propriedade para levar as principais estrelas do PMDB. Pedro Gondim, candidato a senador, voltava a Princesa pela primeira vez desde que deixara o Governo.
Naquele ano houve um fenômeno: em Princesa, os inimigos mortais Nominando e Aloysio Pereira votaram em Wilson Braga. Havia a possibilidade de Nominando recomendar o voto camarão, porém no comício João Agripino esculhambou com a família de Diniz e ele, com raiva, aderiu com armas e bagagens a Wilson Braga.
A comitiva do PMDB, formada por Zé Maranhão, Ney Suassuna, Humberto Lucena, Antonio Mariz, João Agripino, Jório Machado, Edivaldo Motta, Pedro Gondim e outros cujos nomes agora esqueço, dormiu na casa de Paulo Mariano. Paulo, de poucas posses, espalhou colchões pelos chãos da sala, dos quartos e da cozinha, onde os visitantes se deitaram e dormiram. Paulo, previdente, avisou a João Agripino, tido como enxerido: “Podem dormir a vontade, mas não inventem de invadir o quarto de Terezinha, minha mulher, porque se fizerem isso, o peido avôa”.
Nessa campanha Paulo quebrou financeiramente. Assumiu compromissos, acreditando nas promessas dos candidatos que apoiou, Jório Machado e Zé Maranhão, os dois enviaram o dinheiro por Doutor Italo Kumamoto, mas doutor Italo esqueceu de repassar a grana a Paulo. Como resultado, Paulo teve que se desfazer da herança deixada por Joaquim Mariano, seu pai, para poder cobrir os gastos nas bodegas e mercados.
Eu trabalhava no Correio da Paraíba, era secretário de redação. Gozava de certo prestígio, mantinha coluna assinada no jornal, participava do programa de Luiz Otávio, até fã clube eu tinha. Mas assim que as urnas disseram que Wilson Braga era governador, a coisa mudou. Meus discursos e artigos desagradaram o lado vitorioso e isso pesou na decisão de me demitirem. Foi triste a cena. Chegava ao Correio para o expediente, na sala um circunspecto Bosco Gaspar e um desconfiado Luiz Otávio me esperavam. Antes de qualquer bom dia, Bosco deu a novidade: “Passe no setor de pessoal para receber sua indenização. Você está demitido”.
Houve uma reviravolta na minha vida. Até então, na minha casa do Cristo Redentor faziam morada jornalistas e políticos. Todo fim de semana havia churrasco e bom uisque. Perdi o emprego, fui obrigado a mudar de endereço, passei a morar numa casa alugada no conjunto Ernani Sátyro e nunca mais fui visitado. Virei erva daninha, comida azeda, coisa sem futuro.
Foi por isso que, nunca mais, aceitei frequentar altas rodas ou receber na minha casa os amigos de ocasião. A esses omiti até o telefone.
Nos tempos de jornal (39)
Com a palavra Anco Márcio, meu guru:
Eu e Carlos Aranha éramos amicíssimos.Somos ainda hoje,mas nossa idade
não nos permite mais as bebedeiras de antes.Mas juntos vivemos
diversas aventuras.Uma delas foi na Barraca de Tibúrcio,ali na Vasco
da Gama.A gente tava bebendo quando por volta das duas da manhã houve
uma briga e a gente só fez olhar.
Até hoje não entendo como,pois não havia nenhum telefone público na
cidade e celular era coisa de ficção científica.Mas alguém chamou a
Rádio Patrulha e ela chegou.A turma da briga já tinha ido embora.Mas
como eu e Aranha éramos hippies de barba grande,os homis cismaram com
a gente e nos levaram pra uma espécie de Central de Polícia ali na
Duque de Caxias.
Lá,fomos colocados numa cela nos fundos.Nela já tinha um playboy
embriagado.E Aranha aperriando:
-Ai, meu Deus,que esses caras vão matar a gente...
Eu que tava mais embriagado e pra bebum tudo ta bom,consolava:
-Vão nada,Aranha...
-Vão,que eles devem saber que a gente é comunista...
-Sabem nada...Fica quieto...
Nisso o bebo estranho levantou-se e gritou:
-Meu pai vem me soltar dessa merda!!
E,irado,tirou os sapatos de luxo e jogou na privada cheia de merda até
a boca.Enfiou mesmo!!Aranha ainda disse:
-Pronto,e agora esse doido aqui...
E com medo do providencial doido,ficou quieto.Cochilamos e mais tarde
chegou o pai do "doido" junto com um policial e levou ele,reclamando
por causa dos sapatos jogados na merda.
-Eu num disse!!Só ficou a gente...Vão levar a gente pro mato e matar...
Eu já tava menos bêbado e comecei a ficar com medo.Sentamos no chão
com o catingão de merda no ambiente e ficamos calados.Ouvimos o
barulho de chave e um policial(naquele tempo se chamava investigador)
falou:
-O delegado quer falar com vocês dois...
Isso já era umas dez e mais da manha.
Subimos com o policial e contamos nossa história ao delegado.Dissemos
que tinha sido um engano,mostramos documentos,carteira de estudante(a
gente era bem jovem) e o delegado falou:
-Podem ir,mas vê como se comportam...
-Tá certo doutor...
Saimos apressados antes que ele se arrependesse e ele entregou nossas
carteiras,eu nem contei,porque na verdade eu não sabia quanto tinha.Na
rua o sol bonito de uma manhã de domingo:
-Vamos beber mais,Aranha...?
-Tá doido??Vou pra casa...
E saiu em direção da Praça Dom Adauto onde morava.Eu peguei um onibus
e fui beber mais na barraca de Seu João na Praça Onze...
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Nos tempos de jornal (38)
Quando aqui cheguei a Bambu já não mais existia. Tinham fechado as portas da mais famosa e boêmia churrascaria da cidade e, poucos dias após a minha chegada, derrubaram suas paredes de tabocas de bambu. O Lagoa ficou sem o seu marco. Parece que Virginio da Gama e Melo morreu por causa disso, pois meses depois encomendava sua alma ao céu, já que para o inferno é que ele não foi, homem bom e sem maldade que era.
Os que viveram os bons tempos da Bambu garantem que ela começou a morrer depois que aqueles filhinhos de papai mataram um motorista de taxi na frente do estabelecimento. Eles beberam a noite toda e, de quengos cheios, exterminaram o rapaz, que estava ali trabalhando para levar aos filhos e à esposa a comida de cada dia.
Os matadores do motorista foram presos, mas não cumpriram pena. Ao contrário, foram beneficiados pela impunidade que encobre e acoberta os poderosos, chegando, mais tarde, a ganhar projeção na sociedade pessoense, transformando-se de assassinos covardes em respeitados pais de familia, severas autoridades, impecáveis cidadãos.
Mas eu queria mesmo era falar dos bares, assunto sempre em voga nessas reminescências. A Bambu, já disse, não alcancei, mas cheguei a tomar umas e outras no Bar do Grego, que ficava ali na descida para a Lagoa, na Rua Barão do Abihay. Segundo Biu Ramos, o grego era um senhor de boa idade, casado com uma fogosa paraibana, que dava ao grego e aos troianos. Os frequentadores assíduos do bar bebiam a cerveja, comiam o tiragosto e o priquito da dona, sem que o dono e marido traído sequer tomasse conhecimento desses acontecimentos extra mesas, pois ficava eternamente de pileque para esquecer os chifres.
Os cabarés da Maciel Pinheiro quase não alcancei. Quando aportei na cidade de João Pessoa os motéis já tomavam conta da estrada de Cabedelo e as moças tidas como de respeito davam mais do que xuxu em tempos invernosos.
Lembro que o entao juiz de menores Mário Moura Rezende declarava guerra solitária contra a proliferação desses motéis, alegando que nele emburacavam, além das mariposas noturnas, mocinhas de menor, seduzidas pela dinheirama de uma casta formada por velhotes endinheirados e doidos por chibius novinhos. A guerra doutor Mário não ganhou, mas meteu medo nos donos dos motéis, que passaram, pelo menos naquele período, a pedir as carteiras de identidade dos frequentadores.
Lembro que foi numa dessas inspeções que se deu o maior reboliço num dos motéis de Cabedelo. Negócio seguinte: um delegado de polícia, em plena ronda, conferia as carteiras de identidade das pessoas que languidamente trepavam no interior do motel, quando descobriu que a da mulher dele estava no meio. Ele se espritou, deu a mulesta dos cachorros, ameaçou matar todo mundo, arrombou a porta do quarto, mas em vez de pânico, viu a mulher sair e enfrentá-lo de homem para homem, recomendando que se acalmasse pois não tinha medo de levar chifradas.
De bares em bares, chegamos ao de Seu João, no Grande Ponto, ali no centro da cidade, local dos penduras dos jornalistas. E chegamos para lembrar aquele acontecido com o jornalista Franto Júnior. Ele entrou no banheiro levando uma massaroca de jornais, demorou um bocadão, depois saiu todo ensacado, a camisa impecavelmente enterrada na calça. Enquanto caminhava, porém, fez alguns movimentos com a perna manca, permitindo que a camisa ensacada escapulisse na parte traseira, exibindo, detalhadamente, um círculo de bosta em formado de cu. Franto não havia se limpado a contento e, por isso, permitiu que pela primeira vez na imprensa da Paraíba alguém tirasse a impressão digital de um fiofó impressa no pano de uma camisa.
Nos tempos de jornal (37)
A gloriosa visão daquele deputado gordo e bigodudo com as calças arriadas, metendo a peia no butico de uma galega, encheu a praça João Pessoa de gente. Deu mais gente do que nas solenidades dedicadas ao ex-presidente João Pessoa, para ouvir os glamorosos discursos das chamadas autoridades constituídas. Àquela hora, estávamos nós nos bancos da praça curtindo o fim de tarde, esperando a hora de começar os trabalhos etílicos na Fava do 13 de Maio, quando o lavador de carros bradou: “Êita, tá comendo em pé!”. Olhamos e vimos, pelos vidros, um enfurecido parlamentar enrabando a galega. A visão era possível graças ao esquecimento dele, o deputado. Não fechou as cortinas do gabinete e permitiu aquela vista maravilhosa, que deliciou por muitos dias e noites os comentários dos fuxiqueiros e as sessões munhecais dos punheteiros da praça.
Esse negócio de se comer mulher em troca de favores na Assembléia não é novo, não foi coisa criada com o progresso. Nos tempos primeiros era até mais frequente. Havia poucos motéis e os chamados “matadouros” da Maciel Pinheiro não eram discretos o suficiente para receberem uma autoridade engravatada.
Por isso de vez em quando um deputado metia-se com suas eleitoras dentro do próprio Gabinete, e quando tinha o azar de esquecer a cortina aberta, então havia a festa que houve no caso agora contado.
Com aquele deputado pequenininho foi um pouco diferente. Alguém entrou no gabinete no exato momento em que ele, de pé, cheirava as partes da moça, bem alta e também de pé. Ele teria disfarçado dizendo que estava ajeitando o cóis da calça da moça. Mas houve quem não acreditasse.
Corria os anos setenta, comecinho dos oitenta. A Praça João Pessoa era um imenso cabaré. Mulheres subiam o morro da gala para caçar fregueses em frente a Assembléia. Os jornalistas as vezes brincavam de casinhas com essas ditas, mas como eram todos lisos, elas os evitavam. Não gostavam de xêxos.
Também acontecia confusão, como aquela envolvendo Gilvanzinho de Santa Luzia, um moreno carrancudo assessor de Inácio Bento. Metido a brabo, enjoado quando bebia, cobrador dos devedores que lhe tomavam dinheiro emprestado, Gilvan só sorria quando recebia dinheiro.
Naquela boca de noite, saiu da Assembléia e sentou-se no banco da praça para fazer hora, esperando anoitecer para ir jantar em casa. Estava ali entretido, vendo o vai e vem das mulheres e homens, quando avistou o vendedor de cavaco chinês se aproximando. O rapaz ofereceu o produto, Gilvan comprou e puxou conversa, perguntando quanto aquilo lhe rendia por semana. O rapaz informou que a renda era pouca, mal dava para as despesas, para alimentar os cinco filhos e a mulher.
Penalizado, Gilvan indagou:
-E o que o amigo faz para completar as despesas?
O rapaz, que confundira Gilvanzinho com algum prefeito vindo do interior e sentado ali na praça buscando algo de diferente, respondeu, lânguido:
-De vez em quando aparece um cuzinho pra gente comer...” Gilvanzinho nem esperou que o rapaz terminasse. Levantou-se de um salto e exclamando um “danou-se!”, pegou descendo em direção ao ponto do onibus sem nem olhar pra trás.
Nos tempos de jornal (36)
O Governo Burity começara em 78, sucedendo o de Ivan Bichara Sobreira. Burity era novo, tinha menos de 40 anos na época. Saíra do cargo de Secretário da Educação para o de governador. Ivan Bichara fincara pé no nome dele e Mariz, que sonhava sucede-lo no Palácio, ficou só na vontade. Lutou feito um touro bravio, mas no final valeu o esquema revolucionário, que elegia o governador através da votação pela Assembléia Legislativa.
Chamavam-no de neófito, já que antes jamais tivera mandato eletivo, mas fez o maior Governo que a Paraíba conheceu até aquela época. Dinâmico, culto, poliglota, admirador da música clássica, Burity revolucionou este Estado de Cabedelo a Cajazeiras. Agradou tanto ao rico quanto ao pobre. O morador do litoral o aprovou pelas obras monumentais que construiu. O flagelado da seca o transformou no seu benfeitor, pelo muito que Burity lhe deu em termos de ajuda. Naquele tempo, o Governo Federal, milico, quis suspender as frentes de emergência porque a seca estava terminando. Não sabia o milico que, depois de terminada a seca, o agricultor ainda precisava de tempo para plantar e colher. Burity disse: “Se suspender, o governo da Paraíba banca por conta própria.” O gov erno tremeu. Quem tem cu, tem medo, já dizia minha tia Jovelina.
Quando Burity assumiu o Governo, com ele assumiu o publicitário Carlos Roberto de Oliveira como seu secretário de comunicação. Maneiroso, envolvente, influente, Carlos Roberto levou Burity à grande imprensa. Abriu as portas de Veja, de Manchete, de Isto É, da Globo, do Jornal do Brasil e do Estadão pra Burity. O governador era tratado a pão de ló pela grande imprensa e isso se deveu a Carlos Roberto de Oliveira, o Gago.
Em pouco tempo, Carlos Roberto tornou-se o homem mais poderoso do Governo. Dava ordens , determinava tarefas, convocava secretários, telefonava às redações para dizer o que deveria e o que não deveria sair nas edições do outro dia, em suma, depois de Burity, só existia Carlos Roberto.
Claro que tanta projeção e tanto brilho terminaram despertando a inveja dos próprios companheiros de Governo.
Nesse tempo, ensaiou-se umas críticas da parte do deputado Fernando Milanez ao Governo Burity. Eu trabalhava em A União e Carlos Roberto, certa tarde, na redação, leu as declarações de Milanez e ditou a este repórter uma resposta malcriada.
Milanez não gostava de Carlos desde os tempos do velho Correio da Paraíba. O Gago era diretor do Correio quando o filho de Milanez foi preso, acusado de matar um taxista na extinta churrascaria Bambu. A ordem era abafar o caso na imprensa. Carlos não abafou no Correio. Noticiou tudo, inclusive botando retrato. Milanez guardou mágoa. E quando saiu a resposta do secretário, exigiu a cabeça dele, sob pena de rompimento.
Burity não cedeu. Manteve o secretário, tornou-o mais forte. A partir dali, todos achavam que Carlos Roberto era mais forte do que tronco de baraúna, ninguém jamais o derrubaria, era imexível.
Até que aconteceu o caso da fita.
Roberto Cavalcanti e Paulo Brandão, já donos do Correio da Paraíba, procuraram Carlos Roberto para falar de assunto financeiro de certa delicadeza. No assunto entrava um negócio cabeludo de comissão. Tanto pra tu, tanto pra nós, a conversa rolava assim, mas o que Carlos não sabia é que a dupla dinâmica do Correio falava e gravava tudo num gravadorzinho de bolso. Depois dali, os dois saíram a procura do governador, exibiram o conteúdo da gravação e, não satisfeitos, publicaram tudo no Correio.
Carlos Roberto caiu. Burity não suportou a pressão. O ex-secretário passou a ser chamado de "Carlinhos da Fita". Mas os paraibanos descobriram anos mais tarde que ele foi vítima de uma armação maldosa, que foi reparada, mas durou um tempão para isto acontecer. Com seu talento, deu a volta por cima e tornou-se o principal publicitário do Estado, voz consultada e respeitada por todos aqueles interessados em conhecer as coisas da política paraibana.
Nos tempos de jornal (35)
Wilson Braga costumava oferecer almoços e jantares aos jornalistas na Granja Santana. Os coleguinhas adoravam essas reuniões, porque comiam do bom e do melhor, enchiam os quibas de uisque e não gastavam um níquel. Além do mais, tinham a chance de ficar perto do governador, a quem pediam emprego, gratificação, casa da Cehap, conjunto do Ipep e publicidade. Frequentavam a granja desde o pé rapado ao dono de empresas. Nesse ponto Wilson era diferente de outros governadores, que só davam valor aos donos dos jornais, deixando à margem aqueles que lutam e labutam em busca da notícia.
Num desses almoços, Edmilson Lucena, meu irmão, já chegou de porre e, ao ver Wilson Braga se aproximar, pendurou-se no seu pescoço e lhe ofertou 15 minutos de porre etílico, sem dar ao governador o direito de respirar.
Numa outra oportunidade, o radialista Galdino, de Guarabira, viu um deputado com um pacote de fotografias, que saiu distribuindo com os repórteres, avisando que era para atualizar os arquivos. Galdino, solícito, pediu: “Deputado, me dê uma dessas fotos para eu publicar na Rádio Cultura!”
O interessante é que, nos almoços oferecidos à imprensa, compareciam secretários, deputados, vereadores e baba ovos de todos os quadrantes. Era uma turma da pesada, que ficava acerando em busca de uma entrevista, de um clic da máquina fotográfica de Bezerra, de Werneck, de Davi e do insuperável Djalma Góes, o bom.
Aconteceu, porém, um fato que tumultuou as reuniões e abreviou suas repetições. Foi num jantar. O uisque dava no meio da canela e os bebedores, já altos, começaram a descontrair o ambiente e a lavar a roupa suja. Foi quando Arlindo Almeida, o neguinho, disse umas verdades a Roberto Cavalcanti, que não gostou e meteu-lhe um tabefe na cara. Houve derrubada de cadeiras, muitos se levantaram, alguns correram, apareceu a turma do deixa disso e, no final, tudo se acalmou, Arlindo ficou apanhado e Roberto ganhou fama de acaba festa.
Quem pensou, porém, que o fato morrera ali, enganou-se redondamente. Uns 15 dias depois, Roberto Cavalcanti apareceu na Granja Santana com um embrulho para dar à primeira dama, Lúcia Braga. Era um quadro, por sinal muito bonito, que ele comprara somente para amaciar o ego da mulher de Wilson Braga. Não deu certo. Dona Lúcia nem mandou o dono do Correio sentar-se. Recusou o presente e pediu sem a menor gentileza que ele se retirasse, pois não admitia na sua casa alguém que, dentro dela, tivesse agredido a um convidado seu.
Nos tempos de jornal (34)
Todo dia 13 de dezembro, o jornal Correio da Paraíba registra o aniversário do assassinato que vitimou o empresário Paulo Brandão, metralhado numa boca de noite quando saía da sua fábrica, no distrito Industrial de João Pessoa. Mataram-no com 29 tiros de metralhadora e revólver. Paulo Brandão ainda recebeu o tiro de misericórdia na cabeça, tombando no asfalto todo picotado de bala. Seu corpo parecia uma peneira, com perfurações nos braços, no rosto, nos olhos, no torax, nas pernas, na alma.
Com o passar dos anos o registro da morte vai definhando. Já ocupou páginas inteiras. Nessa última vez recebeu uma pálida chamada na primeira página e uma obscura matéria numa página interna. Se fosse tempo de eleição e Wilson Braga estivesse disputando algum cargo majoritário, com certeza a notícia seria mais ruidosa. Foi sempre assim ao longo dos últimos 20 anos.
Paulo Brandão era um bom sujeito. Gostava de brincar com os funcionários do Correio da Paraíba. Saía da fábrica direto para o jornal e passava horas conversando com repórteres na redação, trocando idéias e procurando se inteirar das últimas notícias. Sua morte surpreendeu todo mundo, exatamente porque, aos que o conheciam, Paulo se mostrava uma pessoa inofensiva, incapaz de fazer mal a um mosquito.
Apontaram o então governador Wilson Braga como mandante do crime. É que, na época, o jornal de Paulo declarava uma guerra santa ao governador, acusando-o de corrupção. Eu mesmo, que pertencia aos quadros do Correio, embarquei nessa canoa e fiz artigos ferinos contra o "cego".
Hoje, assentada a poeira, começo a achar que Braga não mandou matar o empresário. Motivos tinha, mas nunca foi burro. O que lucraria com a morte do dono do maior jornal do Estado?
Acho que fizeram o serviço querendo agradar ao governador, porém sem consultá-lo. E depois da merda feita, Braga não teve coragem de mandar prender os que apontaram a metralhadora para chacinar a vida de um jovem, querendo com isso afagar o ego do chefe maior do Estado.
Havia uma briga feia entre o jornal e o governador. Mas não foi sempre assim. Braga se elegeu com o apoio do Correio. Paulo e os outros dirigentes do Correio da Paraíba frequentavam a granja Santana, residência oficial do governador. Almoçavam e jantavam nos jardins da granja e tomavam vinhos finos nos salões barrocos do Palácio da Redenção. Braga foi seu padrinho de casamento.
Mas a turma do Correio sempre gostou de dinheiro e quando a fonte ameaçava secar, surgia a ameaça: -Ou paga ou a gente escracha."
E foi o que aconteceu. Oswaldo Trigueiro, prefeito de João Pessoa nomeado por Braga, comprou umas caçambas para transportar lixo e se descobriu que elas foram superfaturadas. O Correio, que ansiava por uma oportunidade dessas, não esperou para detonar a negociata. O pobre de Trigueiro ainda hoje é conhecido como o "Oswaldo das Caçambas". Nunca mais foi nada na Paraíba.
E a condição para parar a campanha era pagar. Tanto Oswaldo quanto Braga teriam que desembolsar milhões para o Correio passar a tratá-los não como corruptos, mas como santos. Braga chiou, não pagou e o escracho continuou. As manchetes saiam coloridas de vermelho, as caçambas se tornaram mais populares do que cantor de sucesso.
Até que, a 13 de dezembro de 1984, numa boquinha de noite, Paulo Brandão Cavalcante tombou no asfalto, metralhado. Foi tanto tiro que mataram até a alma dele.
Dos que participaram do crime, apenas o subtenente Tibúrcio foi absolvido. O coronel Alencar, chefe da Casa Militar do Governo, foi julgado e condenado. Já está solto, andando pelas ruas, beneficiado pela indulgência da lei brasileira.
Mas eu repito, sem medo de cometer pecado: não acredito que Braga tenha mandado fazer aquilo.
Nos tempos de jornal (33)
A primeira vez que compareci a um almoço de governador foi em 77, no Hotel Tambaú. Dona Mirtes, mulher de Ivan Bichara, ofereceu uma feijoada à imprensa e, para a coisa acontecer em alto estilo, o local escolhido foi o Hotel Tambaú, o mais chique da cidade.
O Tambaú nunca deu sorte a governadores. Dois anos antes, Ernani Sátyro, governador, fez uma farra no hotel e saiu de lá todo cagado. A fama da cagança ganhou mundos e ganhou fundos também.
E não é que na feijoada de Dona Mirtes a coisa se repetiu!
Claro que não se repetiu com o governador, nem com a primeira dama, mas com rapaziada da imprensa.
Acostumados com a fava da 13 de maio e a sopa rala do Viaduto, os coleguinhas entraram na feijoada da primeira dama como a vaca entrou no mestre Alfredo. Só Jackson Bandeira repetiu o prato cinco vezes.
E acompanhando a famosa feijoada, além das orelhas de porco, carne de charque gorda, tripa, bucho, carne de sol, carne de porco e lingüiça paio, havia cerveja a rodo, uisque, cachaça e um tal de vinho chileno tinto que entrava fácil que só faca em melancia.
O evento aconteceu no final da manhã de um sábado. No domingo, o panavueiro cobriu. A cagança atingia desde o Funcionários II, onde eu morava, aos cajueiros do Bessa, esconderijo de Fernando da Secom.
Contam que foi daí que nasceram as famosas e incuráveis hemorróidas de João Camurça. O pobre cagou tanto que inchou as beiras e dilatou as veias do furico.
Na segunda-feira, poucos apareceram nas redações para trabalhar. E quem se aventurou a ir, mostrava um rosto de defunto azedo, a cara pálida, os olhos fundos e ao redor dos fundos, roxo.
Foi a partir daí que resolvi não aparecer mais em comes e bebes patrocinados por Governo. Faço isso por acreditar naquela máxima de finado Antonio Conrado: “Quem tem cu, tem medo”.
Nos tempos de jornal (32)
Quando entrei para a bancada de imprensa da Assembléia, em 78, os jornalistas dispunham de um Comitê que funcionava no primeiro andar do prédio. Era uma ampla sala, com dois birôs, algumas cadeiras, uma confortável poltrona e um banheiro.
Ali os jornalistas davam flashes para as emissoras do interior e redigiam, nas velhas olivetes, as matérias que mais tarde seriam entregues nas redações dos seus respectivos jornais.
Cada um demorava o mínimo possível no comitê, com exceção de Franto Júnior, que dele se abancava como dono e dali somente saía ao final da tarde, quando regressava aos seus pagos em Camboinha.
Os deputados costumavam frequentar o comitê, pretextando visitar a imprensa, mas na verdade o que eles queriam era espaço, notícias, entrevistas, as fotos de Djalma Góes e a distribuição dos conhecidos “tôcos” com a turma que deles carecia para completar o dinheiro da feira ou da farra.
O comitê, também, era palco de certos encontros amorosos, que aconteciam geralmente no intervalo do almoço, quando ninguém, a não ser os que tinham negócios do tipo a tratar, por ali apareciam.
Como aconteceu na manhã/tarde daquela segunda-feira ressacada e sem brilho, de sol forte e calor intenso.
Chico Pinto almoçara na Fava de Efraim, ajudara a descer a comida com uma geladérrima cerveja e saiu para a Assembléia em busca do cochilo costumeiro. Entrou pela porta da frente, subiu ao primeiro andar, abriu a porta do comitê (ele tinha a chave), entrou, sentou no birô que ficava de frente para o banheiro e passou a folhear um exemplar de A União, para ler as matérias que ele fizera na véspera.
Estava imerso na leitura, quando a sua concentração foi quebrada por um psiu. Levantou a cabeça, olhou para o psiu que saía do banheiro e viu uma mão que aparecia do nada, movendo-se no sentido da porta, como a mandar que saisse.
Não ligou, continuou lendo. E o psiu se repetindo, e a mão do mesmo modo, dando ordens. Como Chico não deu bolas ao psiu nem à mão, na próxima investida a mão veio acompanhada da cara de Franto Júnior, que fazendo expressão de súplica, conclamava sua saída.
Pinto, cruel, continuou onde estava, como se tudo aquilo ao seu redor não lhe dissesse respeito.
Cansado de tanto apelar,Franto Júnior se apresentou de corpo inteiro, a careca brilhando, os olhos fundos escondidos sob os óculos, a camisa fora das calças, arfante. E atrás dele, uma velhota passada nos anos, encabulada e desalinhada, o riri da saia aberto e vendo-se depois dele uma calçola meio esbranquiçada.
A mulher saiu de fininho, atrás dela saiu Franto mancando da perna direita, firme no propósito de sumir dali o mais rápido possível. Quando alcançava as escadas, escutou seu nome ser gritado da porta do Comitê. Era Pinto, que em voz alta, avisava: “Franto, esquecesse a peruca!”
Nos tempos de jornal (31)
Depois de ser o mais lido e acreditado jornal da Paraíba na década de 50, o Correio da Paraíba acabou fechando para balanço nos fins dos anos 70,até que apareceu Adalberto Barreto em 80 para reabri-lo em grande estilo. O jornal, que até o fechamento funcionou na base do linotipo, ganhou versão em offset e circulou com visual moderno, impresso em papel branco.
A primeira edição foi um verdadeiro escândalo.O jornal exibiu em manchete, com fotos que tomavam a página principal, um grupo de mulheres tomando banho nuas na Praia do Sol. Aquilo era incomum na João Pessoa daquele tempo. Embora houvesse safadeza de ruma na cidade, andar nu era inusitado, principalmente na praia, onde as mulheres mais afoitas exibiam biquines que cobriam tudo, desde a bunda à periquita, sem haver, ainda, o atrevimento do fio dental, ou cordão cheiroso como apelidaram depois o dito cujo.
A coisa repercutiu tanto que a edição do jornal esgotou às primeiras horas da manhã. Uma segunda edição foi igualmente disputada à tapa noViaduto do Ponto de Cem Réis. Os punheteiros fizeram fila diante da banca de Reginaldo, cada um querendo um exemplar do jornal para apreciar as beldades que se jogavam nas águas do mar com seus peitos enormes desafiando a gravidade,as bundas empinadas espiando para Pirpirituba e as perseguidas encabeladas, parecendo a mata do buraquinho com aquelas moitas enormes cobrindo a gruta do amor.
O Norte, que até então reinava absoluto no mercado jornalístico, sentiu o golpe. Marcone Góes bufou de raiva ao saber que o responsável pela manchete fora Cecílio Batista, veterano da reportagem investigativa, dispensado por ele há pouco tempo. Cecílio era da velha guarda, tinha um faro para a notícia incomparável, porém esse talento de nada valera para os donos de O Norte, que costumavam dispensar seus valores depois de sugar-lhe o sangue e a alma.
Aquilo não podia ficar assim. Marcone Góes reuniu seu estado maior e mandou investigar a procedência da notícia. Zé de Souza, repórter policial, embrenhou-se nos arquivos da Polícia, investigou daqui, investigou dali, pediu ajuda aos santos, aos xangozeiros, aos macumbeiros, às cartomantes, a tudo enfim, e, uma semana depois, entregou o resultado a um Marcone Góes ainda puto da vida: As moças que tomavam banho na Praia do Sol eram putas contratadas por Cecílio Batista no cabaré do Roda Viva, ali perto do Ernesto Geisel, para se exibirem nuas às lentes fotográficas de Djalma Góes.
Nos tempos de jornal (30)
Quando Gonzaga Cacimba matou aquelas sete pessoas de uma só família na serra de Triunfo, perto de Princesa, e ganhou o apelido de “Mata Sete”, eu trabalhava no jornal Correio da Paraíba e mantive contatos com os parentes do sertão para que mandassem a fotografia da chacina, a fim de darmos aquele furo sensacional.
O filme, devidamente batido, foi entregue ao advogado Bernardo Quintans, que ainda não me conhecia, e ele, quando chegou em João Pessoa,dirigiu-se ao jornal O Norte, pensando que eu trabalhava lá. Foi recepcionado por Chico Pinto, repórter dos Associados, que ao ser indagado se eu estava, respondeu que eu era ele e, assim, recebeu o filme.
No dia seguinte, O Norte publicou a fotografia na primeira página, de canto a canto, dando um furo do tamanho de um buraco. E eu fiquei chupando os dedos, tendo ainda que agüentar a gozação de Chico Pinto, que mangava de mim e contava a proeza nas mesas da Flor da Paraíba, bar que havia perto da Lagoa do Parque Sólon de Lucena.
Anos mais tarde,quando já estava em A União, li em O Norte uma entrevista do mesmo Gonzaga Cacimba, então foragido e caçado pela polícia, onde ele desafiava meio mundo de gente para um duelo a luz do dia, em Princesa ou em alhures.
Eu e Hilton Gouveia resolvemos topar o duelo. Escrevemos uma carta em nome de China da Cachoeira, outro pistoleiro famoso da região princesense, onde não só aceitava o duelo como marcava o encontro para a tarde de sábado, na Rua do Cruzeiro, em Princesa.
O Norte publicou a carta em manchete de primeira página e, não satisfeito, repercutiu o assunto na edição do sábado, com o seguinte título garrafal:
“É hoje o grande duelo”.
Vingança “marígna”!
Nos tempos de jornal (29)
Não sei se já contei, mas se contei conto de novo. A primeira vez que senti vontade de ser jornalista foi em Patos, lá no tempo longe. Estava no onibus, retornando para Princesa, um exemplar de O Norte nas mãos e uma coluna de Anco falando sobre uma menina que morreu. Texto bonito, poético, impressionante. Lí de uma vez. E disse comigo mesmo: "Um dia ainda escrevo em jornal". Terminei onde estou. E agora, amigo de Anco, colega de profissão, abro espaço para ele contar suas coisas de "Nos tempos de jornal":
Eu tava começando como jornalista.Assinava uma coluna sobre teatro no
Correio da Paraíba sobre Teatro e tinha o "Romance " na União.Mais ou
menos por essa época eu e Pinto (Arimiltom Figuedio) começavamos a
planejar nossa ida pra Festa de João Fieire, a tradicional Festa de
Natal da Torre, situada ao lado do cinema Torre, perto da Difusora
onde Cardivando trabalhava,Era a única época do ano em que a gente
vestia paletó.
Pinto tinha uma roupa cinzenta, e eu, uma calça cinza de tropical e um
paletó creme que combinavam muito bem.Tinha um sapato preto, meias
pretas,e uma gravatinha que já vinha com o nó e fechava atrás com um
colchete.A camisa social era imaculadamente branca,com colarinho na
goma, que minha mãe passava com todo carinho, ai que saudades de Dona
Isaura , minha mãe que se foi de infarto.
A gente morava em Jaguaribe e marcava de se encontrar em frente do
cinema Santo Antonio,hoje Casa da Cidadania.E tinha que ir cedo,pois
onze e meia tinha que estar em casa,pra lanchar e ir assistir a missa
na Igreja do Rosário.Por essa época eu fumava e era a única vez no ano
que comprava uma carteira de cigarro inteira.No bolso a carteira de
plástico com o dinheiro que meu pai me dava.Um dinheiro razoável.
Também essa essa a única época do ano em que a gente andava de carro
de aluguel,o que hoje seria taxi.Naquele tempo esses carros só eram
usados pelos muito abastados e pobre quando usava fora das festas era
porque estava doente..Pois bem.Sete horas a gente saia no carro em
direção à festa,ao Pavilhão da Festa, se mostrar pras meninas que
ficavam em volta.Logo que a gente chegava pedia uma cerveja que seria
bebida devagarinho,pois o dinheiro só dava pra umas quatro e ainda
tinha o carro da volta.
As garçonettes do Pavilhãoserviam de alcoviteiras e ficavam levando e
trazendo bilhetinhos.Eu recebia um::"Você é muito bonitinho, mas é
orgulhoso.ass.Uma admiradora" E a gente ficava procurando entre os
rostos das meninas quem seria aquela.A resposta ia pela
garçonete:"Para provar que não sou orgulhoso, te convido para tomar
uma gasosa...".A garçonete dava mil voltas pra gente não ver a menina
e voltava com a resposta:"Não posso, meu pai não permite que eu entre
em pavilhão." Sem celular, sem nada, tudo nos bilhetinhos...
A gente pedia um pedaço de galinha assada pra se mostrar.Tinha o
leilão de uma penosa inteira, mas esse a gente somente olhava.Era caro
demais.Chegava mais um bilhete:"Domingo vou à matinée do Rex com
vestido branco de bolero azul." Pronto,já era uma pista...Eu tinha um
relógio de marca Ernavapresente, do velho Biu, meu pai quando terminei
com distinção o primário.Olhava pra Pinto:
-Pinto ta na hora...
A gente pegava o carro de praça novamente e voltava pra Jaguaribe.
Passava em casa pra dizer que estava tudo em ordem e íamos pra missa
de meia noite.Já com sono.A gente era acostumado a dormir cedo.O padre
celebrava, a gente cochilava.Depois,casa, pelas ruas mal iluminadas de
Jaguaribe.Nunca aconteceu nada.O máximo que acontecia era aparecer
Baca ou Beleza, os guardas noturnos pra pedir um cigarro.Eu era feliz
e sabia...
Nos tempos de jornal (28)
Houve um tempo em que jornalista era pobre. Aqui na Paraíba contava-se nos dedos quem tinha dinheiro para comprar um carro. Se lembro bem, apenas Marcelo da Rocha, o Bosta Preta, Varandinhas e Heitor Falcão possuiam veículos e isso, diga-se, porque havia o por fora que possibilitava o aumento no poder aquisitivo.
Por isso, a turma tinha que fazer marabalismos para escapar. O de comer, por exemplo, era minguado e a mesa somente ficava farta quando dos jantares e almoços dos políticos nas confraternizações natalinas. No resto do ano, escapava-se com a sopa no Ponto de Cem Réis ou então filando a bandeja do Restaurante Universitário.
Chico Pinto sempre passou bem, pois tinha lábia para derrubar avião. Basta dizer que ele foi o único a conseguir derrubar o arcebispo Dom José na conversa. Chegou para ele todo choroso e contou que estava prestes a desistir do vestibular, porque não tinha o dinheiro da inscrição.Dom José apideou-se, puxou a carteira do bolso da batina e passou para Pinto a verba educacional, que foi gasta numa rodada de cerveja na Flor da Paraíba.
Como reṕórter, Pinto aproximou-se do capelão Eurivaldo Caldas, major da PM e historiador. Fez umas cinco reportagens com ele e, depois de amacia-lo, contou seu drama, a fome que estava passando, a falta de vitaminas para sobreviver. O bom velhinho não conteve as lágrimas e determinou que a partir daquele dia Pinto comeria no rancho do quartel, junto com os soldados e cabos. Pinto comeu tanto que começou a engordar.
Acontece que seu companheiro de farras e desditas, Armando Nóbrega, ao saber da novidade, quís também entrar na fila do rancho. Tanto pediu, tanto insistiu, que Pinto concordou levá-lo ao Padre Eurivaldo. Feitas as apresentações, o capelão concordou com a entrada de Armando na fila do bandejão. E Armando, querendo agradar o padre, indagou-lhe com seu sorriso matreiro:
-Seu padre, quando é que o senhor vai virar papa?
Padre Eurivaldo botou os dois pra fora da sala e, chamando o ordenança, avisou: se aparecerem para comer a bóia de vocês, metam os dois na cadeia.
Nos tempos de jornal (27)
Se todos viviamos na maior pindaíba, Cícero Lima foi a chamada salvação da lavoura. Desde cedo bem empregado como assessor do deputado Aércio Pereira, tão logo se formou em direito ganhou logo escritório e boa clientela na área criminal. Se deu tão bem que montou apartamento na Praia de Tambaú, com vistas para o mar, apartamentão de três quartos, duas salas e compartimentos auxiliares, que eram ocupados todo fim de noite por um monte de jornalistas lisos e carentes de safadeza.
Nos tempos de jornal (26)
Conhecer a Bambu eu não tive esse privilégio e já confessei de público esta frustração. Anco Márcio, que a conheceu de perto, fala para nós de aventuras que ali viveu ao lado de suas putas preferidas. Vai que é tua, Anco Márcio!
Eu vivia enfiado na Churrascaria Bambu.De manhã, de tarde e de
noite.Era amigo de todos os garçons, notadamente de um moreno
magrinho, que andava gingando, cujo nome eu nunca soube, mas que todo
mundo conhecia como Chambá.Pois bem, o cara casou e eu fui padrinho de
casamento, fui na festa na Ilha do Bispo,bebi feito uma cachorra e
Chambá me levou em casa numa bicicleta à motor.
Eu continuei frequentando a Bambu e quando tava liso,Chambá me fazia
fiado, escondido de Olivio, o dono, que tinha odio de fiado.Mas eu
pagava pra manter meu crédito...Olivio tinha também ódio de
puta.Quando a gente chegava com uma mulher lá, ele chamava de lado e
nos perguntava:
-Essa daí é puta??
-Puta que nada, Olivio,essa é minha namorada...
Mas uma vez eu enganei o chato do Olivio.Tinha chegado em Berta, uma
puta vinda de Guarabira, de uns dezenove anos,bonitinha de boa
aperencia, que eu logo dei em cima.Um dia eu cismei de levá-la pra
Bambu.
-Vista um vestido comportado,e principalmente num abra a boca pra
nada...Qualquer coisa me peça...
-Tá certo...
Chegamos lá e ao entrarmos, veio a pergunta:
-Essa é puta??
-Essa ??Tá doido ??Até cabaço é...!!!
-Tem jeito de menina direita...
-Essa é uma santa...
Entramos e nada dela falar.Quando queria uma "ceuveja" me pedia.E
Olivio olhando pra "santa" que bebia demais.Ficou rondando a mesa.E a
mulher enchendo o talo.Pra disfarçar eu perguntei:
-Assim por volta das quatro horas, tu fosse pra missa, eu num te achei..
Pra meu desespero ela abriu a boca:
-Missa?E eu sou de missa?As quatro horas eu tava era dando uma trepada
com um bombeiro e o safado queria comer meu cu!!
Olivio ficou histérico:
-Uma rapariga??Pra fora os dois...Vai passar um mes sem entrar...
Fomos solenemente expulsos,,,E eu passi um mês suspenso...
Aí, foi quando nasceu o primeiro filho de Chambá de quem eu tinha
falado.Quem foi o padrinho?Eu,claroi!!Fomos novamente pra IIha do
Bispo pra batizar o menino.Advinhem o nome da criança...Anco
Márcio!!Se hoje vocês encontrarem um moreninho aí, tomando cachaça
cachaça, nem sou eu nem muito menos meu filho.É meu afilhado, filho de
Chambá...Eia tempo bom...
Nos tempos de jornal (25)
Quem inventou greve em jornal foi Anco Márcio. Uma greve curta, de menos de um dia, mas greve assim mesmo. Parou com um grito do pequeno Madruguinha, mas não deixou de ser greve. Deixemos ele mesmo contar como se deu:
"Na época, devia ser anos setenta a gente trabalhava no velho Correio
da Barão do Triunfo,A turma das antigas, Madruginha na direção,Bosco
na Editoria,e, diagramando de um jeito que somente ele entendia,Leo,
Leonidas dos Santos, assassinado misteriosamente com uma punhalada na
nuca,crime até hoje nunca resolvido e nunca ninguém se interessou em
resolver.Leo num fazia mal a um pinto,vivia sorrindo,tomando seu run e
ganhando da UFPB e do Correio,Mas trabalhando nos dois.Parece que foi
coisa de raparigagem...
O fotografo era Gois, O Bom com aquela cara de indio e sem um fio de
barba com sua velha Roliflex e os dedos amarelados do revelador..Como
copy desk tinha Edson dos Correios,um que andava todo nos trinques e
morava lá ṕerto da catedral.E os repórteres éramos eu e Assis
Angelo,hoje famoso lá pro Sul pelos seus conhecimentos de Luiz
Gonzaga.Era Tomé Bebé.Eu e Assis só andavamos juntos enchendo a cara
pelos bares.
Na semana anterior um maluco entrara na Catedral e com um cacete,
quebrara todas as imagens, tendo ainda cagado a igreja toda,Eu peguei
Gois e a gente saiu no carro do jornal.Nesse dia eu tava inspirado.Fui
no baixo Roger, entrevistei a mãe do cara,fui na delegacia conversei
com o delegado,achei o pai do cara que era separado da mãe, ouvi o
bispo,o diretor da colônia, e o proprio doido.Voltamos pra redação por
volta das cinco horas, eu peguei uma máquina boa,um monte de papel, e
escrevi tudo,botando as fotos de Gois, ainda molhadas,Ficou uma
beleza.
Do outro lado,Angelo cutucava na máquina tudo que ele sabia sobre Luiz
Gonzaga.Se era verdade ou não não importava.Pra o povo que não sabia
de nada funcionava como verdade.Resultado,uma página pra mim, outra
pra Angelo,as duas devidamente assinadas, coisa que num era comum na
época.Com direito a tapinha nas costas de Bosco, Madruga e todo o
pessoal do jornal.
Foi aí que eu disse pra Angelo:
-Tu num acha que a gente tá trabalhando demais?
-Como assim?
-A gente tá levando esse jornal nas costas...Tu ganha quanto?
Ele ganhava igual a mim,seiscentos cruzados.Eu disse:
-Vamos entrar em greve,pra ver se eles passam sem a gente.Ou mil
cruzados ou a gente vai embora...
-Tou contigo Anco,amanhã de manhã num tem trabalho pra começar...
Era dia de pagamento e recebemos nossos salários.Começamos pelo Pedro
Américo, descemos pra zona, andamos pelo bar do Grego,Bambu,tudo de
taxi...Pela manhã fomos na redação e dissemos a Givaldo o motorista:
-Diga a Bosco que entramos em greve e so voltamos por mil...Ora, a
gente fez página inteira assinada...
Dissemos isso, e como já eram nove da manhã e a gente tinha
dinheiro,fomos pra Olívio na Praça da Independência.Influenciados por
Evaldo, um cara que tinha vindo do Rio Grande so Sul e só tomava
vinho,pedimos uma garrafa do produto:
-De uma safra boa,viu??
Olívio desconfiou da riqueza e cobrou adiantado.Pagamos e começamos a
bebericar.Quando estávamos no auge da comemoração, o carro do jornal
para na porta e desce Givaldo:
-Seu Madruga chegou tá puto da vida com vocês e mandou dizer que se
não voltarem agora, ele demite os dois...
Olhei pra Angelo:
-E agora?
-É...Parece que num colou...
-Qué que a gente faz??
-Voltar né??
E Givaldo na porta:
-Vão ou não vão?
Cabisbaixos, entramos no carro.No jornal Madruga tava na porta, ele
que tinha um metro e meio tava com dois metros de altura:
-Que putaria de greve é essa aqui?Sobe os dois pra trabalhar ou demito
por justa causa...!!!
-Mas a gente bebeu...
-Num interessa,vai pegar a pauta...
A gente subia as escadas e Angelo me disse baixinho:
-Quando tu tiver tua merda de tuas greves, faz sozinho...
Nos tempos de jornal (24)
Estávamos a conversar na chefia de reportagem de A União, que funcionava no primeiro andar do Cartório de Garibaldi, na 1817, quando irrompeu no corredor a figura esbaforida de Wellington Fodinha, que naquele tempo ainda não fudia nada, era apenas o Farias vindo de Serraria começar a vida na imprensa. Magrinho, xoxo mesmo, Fodinha estagiava na Tabajara, que naquela época tinha Carlos Aranha como diretor presidente, um mimo dado a ele pelas irmãs do governador Ivan Bichara, duas coroas vividas e viajadas que gostavam de Aranha e das noites poéticas do Santa Roza.
Nos tempos de jornal (23)
Os carros da polícia passavam com as sirenes ligadas, o povo corria, gente espiava de longe, o tumulto era generalizado. Dentro de uma casa enorme, bandidos cercados mantinham uma família como refém. Tiros eram disparados, ninguém entrava, ninguém saia. De longe, fotógrafos apontavam as velhas máquinas iashica, querendo uma imagem. A PM cercava o imóvel, para evitar que quem estava dentro fugisse e quem estava fora entrasse. De repente, alguém viu um vulto furtivo pulando o muro. Correria, policiais atarantados, quem seria o doido? Era Zé de Sousa, repórter de A União, da velha escola de repórteres policiais com coragem de arriscar a vida em busca de um furo.
Zé de Souza foi o melhor repórter policial da imprensa pessoense. Não escrevia nada que prestasse. Seus textos tinham que receber a burilação do copidesque, porém nunca perdeu uma reportagem e foi responsável por furos monumentais.
Juarez Felix, mais antigo do que ele, conheci na redação de O Norte, editando a página policial, já perto dos setenta. Também tinha fama de bom repórter e recebia os cumprimentos respeitosos dos colegas.
A crônica policial de João Pessoa, por sinal, foi muito rica nos idos de 70. Além de Zé de Souza e de Juarez, não se pode esquecer a figura de Jota Batista,um negão tomador de cana, língua presa e feio que só uma noite de escuro, mas que quando falava na Tabajara com seu jeito desmantelado, chamava a atenção. Num diapasão mais burilado, mais teatral, sobressaia-se Jair Santana, o Boca Quente, que fez história no rádio com programa diário, primeiro na Correio da Paraíba e depois na Sanhauá.
Metido a brabo,Jair manteve peleja com Zé Maria Fontenelli por causa das casas do Conjunto dos Radialistas, que Zé jura terem sido desviadas para amigos de Jair em troca de pagamentos suspeitos. Naquela época, Jair presidia o Sindicato dos Radialistas (antes do eterno reinado de Moisés Marques) e conseguiu com a Cehap um conjunto habitacional para jornalistas e radialistas. O conjunto foi erguido ao lado do Ernesto Geisel e muita gente boa ganhou casa no local. Zé Maria denunciou que Jair dera casa a médicos, bancários e similares. Jair não gostou. Começou então a querela. Até que veio o desfecho sangrento. Havia uma festa na API. Jair e Zé se encontraram no topo da escada de acesso à Associação, os dois bateram boca, Jair disse que ia pegar Zé à unha, Zé valeu-se de um canivete e deu um furo na barriga de Jair Santana. Quando o nego viu o buraquinho e dele saindo aquele fiozinho de sangue, ficou branco na hora. Gritou: “Acudam-me que to morrendo!”, começou a desmaiar, mulheres que estavam perto gritavam, Calecina correu de lá com uma garrafa de álcool para desinfetar a ferida e, no burburinho, um grupo se formou, sob o comando de Carlos Abrantes, para linchar o agressor, que àquela altura já corria pelos telhados da Aspep, ganhava a rua e se escondia no Cine Municipal, debaixo do birô de Luciano Vanderley.
Jair sempre gostou de contendas e manteve uma mais movimentada ainda com Anacleto Reinaldo, o Chumbo Grosso. Anacleto começou como repórter de jornal. Trabalhamos juntos em O Norte. Não tinha nada de radialista, até que resolveu mudar de ramo, criou um estilo próprio e se transformou no maior fenômeno do rádio paraibano. Até então, Jair Boca Quente reinava absoluto. Com o surgimento de Anacleto, ele viu seu reinado desmoronar aos poucos. E começou a alfinetá-lo publicamente. Partia para a baixaria, citava o nome da filha de Anacleto no seu programa, dizia poucas e boas. Anacleto, por seu turno, publicava num jornalzinho de sua propriedade a fotografia de um urubu, dizendo que o bicho era Jair Santana. De sorte que terminaram se encontrando frente a frente nas proximidades da Central de Polícia. Era o desfecho que todos temiam. Jair, brabo, Anacleto, mais brabo ainda, ia sair faísca com certeza. E assim que Jair avistou Anacleto, puxou da cintura um trinta e oito cano longo, vistoso e amedrontador. Anacleto não amarelou diante da arma. Arrastou da cintura uma faca oito polegadas, amolada dos dois lados. E ficaram os dois, um de lá e outro de cá, Jair apontando o revólver e Anacleto riscando o chão com a ponta da faca, um dizendo “venha!” e o outro respondendo “venha!”, ambos esperando que aparecesse alguém para apartar a briga, até que um delegado amigo dos dois meteu-se no meio e apaziguou os ânimos.
Falar em repórter policial, não se pode esquecer Enoque Pelágio do Carmo, o mais famoso deles, o chamado “Homem da Verdade”, que fez tanto sucesso na Rádio Arapuan a ponto de se candidatar a vereador por João Pessoa e ser eleito como a maior votação da história. Enoque tinha uma voz inconfundível. E era feio de enjoar, embora isso não impedisse que tivesse mais de três mulheres e filhos espalhados por Oropa, França e Bahia. Havia um motorista de ônibus, sósia dele, que deparou-se com uns desafetos de Enoque no Viaduto Damásio Franca e levou a maior surra. Pelágio morreu num acidente misterioso, nas proximidades do Conjunto Castelo Branco, ao bater com o carro num poste.
Carlos Vasconcelos, Joel de Brito e Marcônio Edson, o “Chapéu de Couro”, foram outros que brilharam na chamada crônica policial. Chapéu foi, talvez, o mais polêmico dos três. Costumava envolver-se em brigas, nas quais usava os dentes para arrancar pedaços de carne dos desafetos. Como aquela ocorrida na entrada do Almeidão. Marconio dirigia-se ao campo na companhia da esposa, quando foi cercado por quatro gorilas. Os cabras nem conversaram, meteram o tabefe no nosso Chapéu. Ele caiu, na confusão pegou a primeira perna que encontrou no meio do tumulto, meteu o dente e arrancou um pedaço. Terminada a refrega com a chegada da polícia, Marconio levantou-se, sacudiu a poeira e encontrou a mulher esvaindo-se em sangue, com uma tremenda ferida na perna.
Nos tempos de jornal (21)
Ali por volta do começo dos 80 Saulo Barreto chegou a Paraíba, vindo da Europa cheio de novidade, e fundou um barzinho em frente ao Hotel Tropicana, que batizou de "The Croift". Era escuro como breu, só ia nele quem tinha más intenções, contam que algumas figuras carimbadas de nosso jornalismo aproveitavam o escurinho do The Croift para dar de garra nas partes íntimas dos amigos, botando para fora o lado mulher que guardavam à sete chaves nos dias ensolarados.
Por ali passou Anco Márcio estreando a namorada Lena Guimarães, recém chegada do sertão de Cajazeiras. Anco, macaco velho, escolado, jornalista de décadas, engraçou-se da moça, falou namoro, ela aceitou, atraída principalmente pelo talento do cronista, mas quando adentrou no The Croift caiu no mais desalentado pranto. Teve medo do escuro. Pediu pra ir embora e disse ao namorado que só aceitava namorar se fosse na praça. Consta que o namoro só durou duas semanas. Anco partiu para outros mares, eis que era marujo de muitas sereias e de nenhum porto fixo.
Foi ali, também, que descobriu-se o avantajado que Chico Mozart carregava entre as pernas. A fama dele já corria nas redações, mas era na base do dizer por ouvir dizer. Fernando Valach participara de um congresso jornalístico no sul do país, ficara hospedado no mesmo quarto que Chico e viu a extrovenga, jurando que era do tamanho e da grossura de um inhame. Ele contava aos amigos que passou três noites sem dormir, com a bunda escorada na parede, com medo de uma enrabação.
Não se sabe quantos fiados ficaram pendurados no The Croift, constando, nos anais da imprensa, que Pedro Moreira fez uma continha por lá. Diz-se, porém, com segurança, que Saulo fechou o estabelecimento em menos de um ano exatamente para fugir da falência. É que os frequentadores queriam o escuro somente para aqueles fins, sem, todavia, gastarem o dinheiro correspondente ao uso do solo.
Conforme as notícias, depois dali Saulo nunca mais quís saber de bar. Mudou-se para o municipio do Conde, onde virou secretário de Turismo, criou a Praia de Tambaba e encheu o litoral sul da Paraíba de pombas.
Nos tempos de jornal (20)
Vou dizer que o nome dela era Ivonalda. Ela sabe o motivo da troca de nome. Vicente, seu marido, não merece a pecha de corno depois de morto. Mas Ivonalda até que merecia uma medalha da Assembléia Legislativa da Paraíba pelo muito que fez pela população carente de chibiu. Naqueles ontens não era tão fácil o acesso aos carinhos de cama sem ter que pagar pela obra. E carinho de mulher casada, então, era raridade. Ivonalda gostava de fazer caridade, mais a si do que aos outros. Tinha um furor uterino que nem os médicos conseguiam identificar. Dizem, os que testemunharam suas manifestações prazerosas, que ela rinchava feito uma jumenta à simples antevisão do que aconteceria depois.
Os faladores afirmam, garantem e juram que Paulo Rozendo pegou câncer de pimba ao estragar, além do devido, sua estrovenga na gruta úmida de Ivonalda. É que Paulo tinha fama de ser bem dotado, possuidor de documento farto, enorme, sempre espiando o horizonte à sua frente, sem nunca esmorecer ou ter sono. Mas naquela tarde de sábado Paulo foi flagrado pelo marido cornudo pulando a meia parede do quarto de Ivonalda. Foi um escândalo. Vicente, metido a macho, exigiu explicações e Paulo, sempre falante, botou a culpa na geografia. Foi daí que surgiu a tese do câncer que mais tarde mataria o dono da voz mais bonita do rádio paraibano. Segundo Jackson Bandeira (sempre ele), Paulo pegou câncer ao cortar o couro da rola no tabaco apertado de Ivonalda. Como não sou medico e pouco entendo do traçado, pois me limito ao que manda fazer o methiolate, fico com a tese de Jaja, eis que indesmentível até os dias de hoje.
Houve um tempo em que os jornalistas viviam de beber. Bosco Gaspar, inventando teses, chegou a dizer que todos os jornalistas morreriam aos 40 anos, tese esta de logo desmentida pelo próprio, que está com mais de 60 e sem vontade de morrer. Por isso, naqueles dias, os que acreditavam na informação de Bosco metiam a cara na cana e ficavam fazendo dela uma profissão de fé. Muitos morreram devido a ela, de morte morrida e morte matada. Pedro Moreira morreu de acidente, Abmael de cirrose, Cabeção da mesma forma,Djalma Góes emendou a dor de fígado com a de corno, houve quem se suicidasse, surgiu quem se conformasse, mas o certo é que todos, sem exceção, ou se jogaram nos braços ou suspiraram por alguma coisa de Ivonalda, a primeira mulher da imprensa paraibana que tinha um chibiu capaz de falar inglês, francês, português e latim, sem desprezar o rinchado que anunciava o gozo e atraía a cara safada de Paulo Rozendo para os lençóis pecadores que o corno Vicente comprava pensando que eram santos
Nos tempos de jornal (19)
No carnaval de 1979 eu e Cícero Lima fomos, além de repórteres, cupidos. Fizemos o casamento de Barbosinha com Luana e os dois viveram felizes para sempre. Barbosinha era diretor de turismo da Prefeitura e, por conta do cargo, tomava conta da festa carnavalesca.Dirigia os desfiles, escolhia os jurados que julgariam as escolas, clubes e tribos indígenas, além de organizar a escolha da Rainha do Carnaval, aquela que desfilaria ao lado do Rei Momo durante os quatro dias de folia de rua e de clubes.
Nos tempos de jornal (18)
Nos tempos de jornal (17)
O contrato era para eu ser correspondente de O Globo durante 30 dias, mas só durei 20. Tirava as férias do titular Frutuoso Chaves, porém acontecimentos decorrentes de certos furos de reportagem que dei me tiraram o status de jornalista famoso, repórter do poderoso O Globo do todo poderoso Roberto Marinho. Mas valeu a pena, principalmente porque eu estava certo, todos viram depois.
Logo no primeiro dia como correspondente,fui à Polícia Federal entrevistar o delegado Givaldo Maia sobre problemas de drogas. Era uma daquelas pautas frias que só trazem números e estatísticas, nada de emoção ou de revelação. Puxei pelo homem, que, vaidoso, falou pelos cotovelos e deu o maior bode.
Ele simplesmente disse que os filhos dos desembargadores do Tribunal de Justiça da Paraíba eram usuários e traficantes de drogas. Foi um pipoco, um escândalo, manchete de quatro colunas com chamada na primeira página. A repercussão foi tanta que o delegado bateu pino, acovardou-se, negou tudo, botou a culpa no repórter e, para tirar dos ombros a responsabilidade pelos ditos e escritos, mandou seus agentes me prenderem.
Era uma sexta-feira,começo de final de semana, eu na casa do sogro Cabral me preparando para tomar a primeira lapada de Engenho do Meio, esperando apenas que esquentasse a panela de fava, quando o carro estaciona em frente a casinha do Ernani Sátyro e dele descem Barbosinha e Luiz Otávio.Vinham apressados, quase correndo, antes que os policiais chegassem e me levassem presos. Luiz me carregou para sua casa em Tambauzinho, lá fiquei a noite inteira, enquanto Barbosinha procurava Geraldo Beltrão para conseguir um habeas-corpus. Foi uma correria, eu na casa de Luiz, Barbosinha andando com Geraldo Beltrão para cima e para baixo, o habeas-corpus redigido e pela madrugada o juiz federal assinando a ordem, determinando que eu não deveria ser preso, para felicidade geral da nação. Foi um alívio. Escapei e provei que falara a verdade. Tanto falara que o desembargador Luiz Bronzeado, injuriado, processou o delegado, que contratou os serviços do mesmo Geraldo Beltrão e este, como que cobrando pelo favor, pediu que eu suavisasse em meu depoimento para livrar a cara do sujeito.
Tempos depois esse mesmo delegado matou um rapaz a tiros, em Tambaú, enciumado porque achou que o rapaz espiava para uma rapariga que lhe fazia companhia num bar.
Passado o reboliço, descobri, através de fontes fidedignas, que o deputado Marcondes Gadelha estava trocando o PMDB pelo PDS. Notícia explosiva, pois não, já que Marcondes integrava o exército dos autênticos peemedebistas ao lado de Ulisses Guimarães, Alencar Furtado e outros notáveis políticos brasileiros que enfrentaram a chamada revolução de 64 com destemor.
Claro que a matéria repercutiu. E no mesmo dia veio o desmentido de Gadelha. Ele jamais pensara em sair do PMDB, dissera ao Globo. Fora coisa inventada por jornalista sensacionalista. O Globo teve que desmentir. Desmentiu e me demitiu sem aviso prévio. Saí de crista baixa, puto da vida porque sabia que não mentira. Mas o que era eu perante um astro feito Marcondes Gadelha?
Três meses depois Marcondes Gadelha saía do PMDB, entrava no PDS pelas mãos de Burity e se elegia senador da República. Eu falara a verdade. Marcondes é que, esperto e aproveitador, escondeu sua fase de cochichos debaixo de sete capas e somente tirou a máscara no dia da filiação ao partido governista.
Nos tempos de jornal (16)
Considero Abmael Morais um dos jornalistas mais inspirados que a Paraíba já teve. Vindo do Rio Grande do Norte, aqui fez nome e muitos amigos. Editou jornais, escreveu livros e viveu a vida intensamente, sem se prender a conveniências ou ao jugo de governos ou governantes. Baixinho, feioso, banguelo, escondia-se por trás de imenso bigodes e ocultava os olhos sob vistosos óculos fundos de garrafa. Mas supria as deficiências físicas com um atrevimento que intimidava os arrogantes.
Morreu novo, mas viveu o bastante para sair daqui desta vida sem lamentações. Viveu como quis, fez o que quis, era um anarquista.
Fui perfilado por ele num de seus livros e a minha vida ele começava contando assim: “A sua história é vulgar...” Certa vez perdeu o emprego em A União porque peitou o governador Burity com artigo nas páginas do jornal cobrando aumento salarial. E dirigiu-se assim ao governador: “Bura, no meu você não bota não”.
Trabalhávamos juntos na década de 80 em A União, ambos enfrentando as vacas magras, eu morando na periferia e Abmael, que jamais perdeu a pose, numa bela casa de quatro águas em Manaíra. Ele era assim, morria mas não deixava de luxar, cobrador que o procurasse tinha que pedir licença para fazer a cobrança, senão não era atendido. Como aconteceu naquela vez no Driv-In da Epitácio Pessoa. O pendura lá nas nuvens, Abmael tomando o seu gin com tônica, já ia na décima lapada quando o garçon o interpelou: “Jornalista, e o pendura?” Abmael o olhou com aquele ar superior, determinando: “Traga os meus vales”. Animado, o garçon foi ao bar e voltou com uma enorme massaroca de papéis. Abmael olhou um por um, mandou o garçon somar, feita a soma, pediu o total e assinou embaixo, ordenando: “Agora está tudo atualizado. Leve isso e bote embaixo a conta de hoje”.
Naquela sexta-feira de um setembro de 84 saimos eu, Abmael, Chico Pinto e Jackson Bandeira visitando os bares da cidade. Éramos transportados no chevete hacht de Abmael, 15 anos de uso, 10 anos de emplacamento atrasado, um horror. A tertúlia etílica começou pelas 10 horas, no Grande Ponto de Seu João. Depois do meio dia, continuamos no Driv-in da Epitacio e quando o sol se pôs descemos para a praia em busca da saideira.
Perto do Elite Bar, em Tambaú, nos deparamos com a blitz da Polícia Militar. Um soldado grandão, com jeito de brabo, mandou parar, aproximou-se e pediu a carteira de motorista. “Tenho isso não”, respondeu Abmael olhando para a frente. “Os documentos do carro”, pediu o brutamontes. “Também não tenho”, respondeu Abmael. “Então o carro está preso”, informou o PM, mandando que descêssemos. Descemos e o soldado, depressa, entrou no carro para levá-lo. Foi aí que surgiu a autoridade de Abmael: “Peraí, cadê sua carteira?”, interpelou Abmael. “Tenho não”, respondeu o soldado. “Então o carro não sai”, informou Abi, mandando que Chico Pinto ficasse na frente do veículo para impedir a partida. Veio o cabo da patrulha, que se inteirou do acontecido e ele próprio tratou de guiar o carro.”Cadê a carteira?”, voltou a pedir Abmael. O cabo não tinha. O carro não sairia, então. Veio sargento e por último o tenente. Nenhum tinha carteira. E gerou-se o impasse.
-Nós somos autoridades!”, tentou ainda intimidar o oficial, mas Abmael irredutível: “Sem carteira, não tem autoridade que leve o carro”. A essa altura uma platéia considerável se formara ao redor do veículo e dos protagonistas. Tinha até torcida. Os policiais viram-se no mato sem cachorro. Se prendessem Abmael e os acompanhantes, poderia haver repercussão. O jeito foi chamar Pedro Adelson, Secretário de Segurança, que saiu da Granja de Wilson Braga diretamente para Tambaú a fim de pacificar os ânimos. O secretário chegou, mandou a polícia se recolher, pediu desculpas a Abmael e aos demais ,e nós continuamos em busca do Elite para tomar a última, que durou o resto da noite.
Nos tempos de jornal (15)
Nós gostávamos de bares. Era neles que nos reuníamos nos fins de expediente e cantávamos nossas agruras. Sim, cantávamos, porque embora integrantes do time do liseu, nunca lamentamos isso. Nos conformávamos com pouco. Bastava o momento regado a uma cachacinha, um tira gosto, fuxicos e poesias. Era assim nossa vida de repórter. E éramos felizes sem saber.
Perto da API, naquele beco que fica espremido pelo prédio da UFPB entre a Visconde de Pelotas e a Duque de Caxias, batíamos ponto na Cantina do Camões. Sua especialidade era língua ao molho de madeira, que comíamos com fatias de pão francês. Camões era um velho alegre, de bem com a vida. Criou e educou os filhos com a cantina. Um deles tornou-se advogado. Depois de formar a família, subiu ao oitavo andar do Edifício do Inamps e de lá se jogou para a morte. O prédio onde funcionava a cantina permanece fechado até hoje.
A fava de Efraim, na Rua 13 de Maio, nos recebia diariamente, mas era na sexta-feira que a turma pegava pesado, metia a cara com gosto. Chico Pinto, Edmilson, Jackson Bandeira, Pedro Moreira, Julio Santana, Abmael Morais, Paulo Rozendo, Paulo Santos, Djalma Góes e Tico Pinto, eu no meio, é claro, eram os freqüentadores assíduos da fava de Efraim. Este fez nome com o bar, virou político, tornou-se prefeito e terminou preso, condenado a cumprir pena em Mangabeira por se apoderar do dinheiro da Prefeitura sem pedir licença.
Na API criou-se o Bar de Moura. Figura simpática, comunicativa, gente finíssima, Moura se identificou logo com os jornalistas, a quem facilitava os penduras que seriam pagos aos pedaços, no fim do mês. Biu Ramos, por ser presidente da API,bebia de graça e ainda dava pitaco no tempero dos tira-gostos. No Bar de Moura fui vítima da malandragem de meus conterrâneos Veronese Lima, Marçalzinho, Marcos Pó Royal e outros. Chegaram num sábado pela manhã no Correio, onde trabalhava, disseram que estavam sem dinheiro, eu os mandei ao Bar de Moura, recomendando que bebessem cerveja e comessem, quando lá cheguei encontrei a mesa enfeitada com mais de 20 garrafas de cerveja. “Mas já?!”, exclamei. E entrei na farra. Só não paguei a conta porque Moura, com pena, revelou que os rapazes haviam colocado garrafas vazias na mesa apenas para me deixar assombrado. Moura terminou morrendo em acidente automobilístico acontecido na estrada que liga João Pessoa a Natal.
Na esquina do fórum, na Rodrigues de Aquino, criaram um bar com nome estrangeiro: Woodstock. Pertencia a uns branquelos de Jaguaribe. Virou moda. Recebia uma seleta platéia todo santo dia e toda santa noite. Até acontecer a briga naquela boca de noite de um sábado quente. Estava com Chico Pinto, Jackson Bandeira, Julio Santana, Góes e alguns outros numa mesa. Pinto levantou-se e foi cobrar um livro que emprestara ao moço da mesa ao lado. Estabeleceu-se a discussão, dali partiu-se para o quebra-quebra. Encostei, tentei contemporizar, o sujeito que brigava com pinto deu-me uma joelhada no ovo esquerdo que fui no outro mundo e voltei. Não contei conversa: danei-lhe a mão no peduvido. Veio de lá Júlio Santana com uma cadeira de plástico e quebrou ela nas costas de Jackson Bandeira, pensando que se tratava de um inimigo. Góes, todo assanhado, exibia uma dentadura que arrancara da boca de um adversário durante a refrega. E o branquelo dono do bar só gemendo e pedindo clemência.
E o Grande Ponto de Seu João, no Cordão Encarnado! Muita coisa aconteceu ali. Namoros começaram, casamentos foram desfeitos, brigas homéricas ficaram nos anais da crônica policial, mas do que Seu João não gostava mesmo era dos velhacos que terminaram levando-o a falência. Contam que na casa dele existe ainda hoje um caderno de volumoso tamanho, cheio de cabo a rabo com os nomes e as dívidas dos jornalistas.
Nos tempos de jornal (14)
O Correio da Paraíba foi o mais lido jornal do Estado na década de 50, quando Teotonio Neto trouxe para a Paraíba uma coragem até então inexistente entre os empresários de jornais: além do equipamento, dinheiro para formar uma equipe de primeira, capaz de deixar na poeira O Norte e A União. Mas depois o jornal minguou, ficou pequeno, não acompanhou a evolução dos outros. Ernani botou A União na era dO ofsete, Marcone Góes e Aluizio Moura fIzeram o mesmo com O Norte, ficando o Correio com as velhas linotipos e uma equipe que se resumia a Bosco Gaspar para recortar notícias dos jornais do sul, Barbosinha chefiando uma reportagem onde ele era o chefe e o repórter e Varandas Filho fazendo a Coluna Social que salvava a edição. Sim, Madruguinha, como principal colunista político do Estado, ainda atraía leitores, embora a política já o estivesse roubando para os vôos que mais tarde experimentou.
Funcionava na Barão de Triunfo, descendo para a zona do cabaré. A turma trabalhava até de noite e saía para gastar o resto das energias no meio das putas e nas mesas dos bares. Era sempre assim, de dia notícia e de noite cachaça. Somente Barbosinha, sempre muito comedido, ficava no meio dos boêmios o tempo suficiente para comer um prato de rabada e ir embora para os braços de dona Helena, sua mulher na época. Quanto a Bosco Gaspar, já metido a besta nesse tempo, ficava na turma dos ricos, enchendo a pança grande de uísque no Cassino da Lagoa.
Por esse tempo, fui chamado por Abmael Morais para ajudar na reportagem política. O jornal não tinha ninguém para cobrir as sessões da Assembléia, e como eu já fazia esse trabalho para A União, não vi problema em dividi-lo com o Correio. Ganharia uns extras, sempre muito difíceis de sair dos cofres de Bosco Lelis, o diretor.
Foi o tempo mais divertido e a melhor experiência que tive em jornal. Abmael era uma figura excepcional, deixava o repórter trabalhar à vontade, sem contar com o fato de que me impunha a missão de arranjar, todo santo dia, a manchete do jornal. Aliás, era a única coisa de novidade que o Correio apresentava nas suas edições magrinhas, as manchetes que eu levava direto da Assembléia. Escrevia o texto, entregava a Abmael e ele lascava a manchete, apelativa, chamativa, escandalosa e audaciosa.
De todas as manchetes que Abmael produziu para um texto meu, uma se destacou. Foi durante a convenção da Arena que escolheria o candidato a governador em substituição a Ivan Bichara. Ivan indicou o então secretário Tarcisio Burity para ocupar o Governo, Antonio Mariz se rebelou, houve um principio de guerra e os dois, Burity e Mariz, foram para a convenção na Assembléia. Cada voto valia ouro. E, por valer, nem os doentes escaparam.
O senador Domício Gondim estava de cama. Não sei bem a sua doença, mas o homem não andava e era transportado numa maca, emborcado, com a bunda pra cima.
Quando ele adentrou no plenário, Rui Gouveia, sem meias palavras, bradou da tribuna: “O senador Domício Gondim está entrando na Assembléia com as costas e o resto pra cima”. Cortaram o som do seu microfone, cassaram-lhe a palavra. Eu vi tudo e escrevi o que vi. E no dia seguinte Abmael manchetou na primeira página do Correio: “TRASEIRO DE GONDIM CASSA A PALAVRA DE RUI NA ASSEMBLÉIA”.
Nos tempos de jornal (13)
Nos tempos de jornal (12)
Casos amorosos sempre foram comuns nas redações dos jornais. A convivência do dia a dia, juntada às noitadas que normalmente completavam as jornadas de trabalho nas redações, favoreciam ao chamamento da carne, à tentação, a essas coisas que com o passar do tempo foram reunidas num só vocábulo: assédio. Nome bonito, que ganhou significado mais extenso, mas que de novidade mesmo só tem o nome, o resto é do mesmo jeito daquilo que ocorria nos passados, e era chamado, entre outras coisas, de fudelança, namorico, chamego e currichiado.
O saudoso Pedro Moreira era um exímio namorador. Por onde passou, deixou rastro, não deixando menino porque, segundo se comentava, era um tremendo gala morta. Ainda hoje, transcorridos quase trinta anos da sua morte, ainda se encontra viúvas soluçando saudades dele pelos bares da vida e pelos cubículos dos jornais. Abmael Morais era outro, feio, banguela, buchudo, mas um exímio arrebatador de paixões. Ficou famosa aquela despedida de solteiro de certa dama da imprensa, já arrumada para casar, o futuro marido esperando aos pés do juiz e ela se despedindo de Abmael, toda nua, dentro do carro, executando a última foda.
Trabalhava no jornal O Norte e fui chamado às pressas para assumir a Chefia de Reportagem de A União. A missão era salvar um casamento e, mais importante ainda, salvar as aparências, porque o chefe de reportagem a quem fui substituir apaixonou-se por uma repórter recém saída do curso de comunicação, morena bonita, de voz melosa, com jeito de cantora, que inventou de acrescentar no contrato de experiência a cumprir no jornal do Governo, a cláusula de deixar o chefe aos seus pés, besta de paixão, doido para amar. Salvei o casamento dele, mas nem por isso o amigo se emendou, pois anos depois enrabichou-se por outra comunicóloga, trocando de casa.
Alguns se davam mal nessas aventuras. O filho de certo diretor do jornal A União saiu com bonita morena da redação e pegou uma gonorréia. Essa morena já saíra com metade do jornal, de modo que ficou difícil descobrir quem botou a doença nela.
José Amaro Pinheiro cuidava do arquivo do jornal e tinha a fama de "graduado". Diziam que possuía uma ferramenta estupidamente grande, grossa e dura. Ele próprio alardeava essas qualidades quando saíamos pelos botecos da 13 de Maio tomando cana com fava. Dizem que foi dele o mérito de tirar o selo de virgindade de determinada sertaneja, recém chegada ao jornal para se tornar brilhante repórter. A moça teria gostado tanto da monumental extrovenga de Pinheiro que chegara a pensar em amigação, já que casar não podia, pois Pinheiro tinha esposa. É que Zé Amaro, sem vergonha como ninguém, inventou de fazer com a moça a "trepada gravidade", que consistia em subi-la na parede e fazê-la deslizar até o chão, onde a esperava com a espingarda armada, pronta para penetrar no seu misterioso mundo.
Nos tempos de jornal(11)
Frutuoso Chaves foi nosso professor de jornalismo. Os meninos chegavam em A União sabendo apenas engatar uma letra na outra e Frutuoso, com a experiência de quem começou do zero e chegou ao estágio de jornalista respeitado, ensinava com jeito e paciência como uma notícia deveria ser redigida, o que era o começo, o meio e o fim de um texto de jornal, em suma, aquilo que importava ao leitor. É dele o depoimento que se segue:
"Tínhamos um jornalismo mais romântico e envolvente. Ninguém fechava edição antes da meia-noite. A Redação, e não a Engenharia, era quem ditava o ritmo dos jornais. Ficava-se, noite a dentro, à cata da última notícia. Ainda havia o instituto do “furo”, coisa rara, atualmente, em decorrência da profusão de emissoras de rádio e TV, boletins on line e repórteres setoristas. Era comum ver-se um colunista retornar voluntariamente ao jornal, depois de um dia de trabalho, com informação de última hora colhida em algum gabinete, no batepapo do bar ou da esquina. Cometiam-se menos erros, em razão de fatores que incluíam disponibilidade maior de tempo para a checagem da informação e a produção de notas que, depois disso, ainda iam para a copidescagem, assim chamada a interveniência de redatores de texto geralmente mais apurado do que o dos repórteres de rua. Os mais novos aprendiam com o copidesque a tratar melhor a notícia. Além disso, as matérias também seguiam para a equipe de revisão. Hoje em dia, chega a cem a média diária de erros ortográficos na imprensa brasileira. E eu estou falando da grande imprensa. O advento do computador, recurso inestimável para a produção dos jornais, tem lá seu preço. No caso, também trouxe o desemprego para três classes funcionais: a dos digitadores, a dos revisores e a dos emendadores. Livre da velha máquina de datilografia, o jornalista digita, ele mesmo, o texto que produz. O corretor ortográfico, presente no computador, tem levado à dispensa da revisão e sem esta não há emenda. O diabo é que o corretor não identifica, por exemplo, erros de concordâncias verbais ou nominais. Não raramente, os repórteres, sempre no limite da exaustão, com várias pautas a cumprir, entregam matérias sem a correção necessária. Mesmo nos grandes centros, a crise econômica, cada vez agravada, tem motivado o fechamento mais cedo das edições. Lê-se, ainda hoje, o jornal de amanhã. Tenta-se sempre chegar às bancas na frente do concorrente. Vende mais quem circula primeiro."
"E o que dizer da censura, nos anos de chumbo?"
"Pois bem, minha geração sofreu com censores do regime militar nas redações. Ninguém escapava da censura. Muitas vezes, sabíamos de greves estudantis ou de operários no ato da proibição. “É proibido divulgar notícia ou comentário acerca da greve de estudantes em Salvador”, determinou, certa vez, o Grupamento de Engenharia em comunicado recebido por mim n’A União. O jornal, na época, ainda funcionava na Praça João Pessoa. Era hora do almoço e eu me encontrava ali sozinho. O sargento me fez assinar o termo de recebimento do aviso que, instantes depois, eu levava ao conhecimento de Altamirando. Ficamos sabendo da greve na Bahia e muitos outros fatos do gênero em decorrência da censura, pois as agências de notícia nada transmitiam. Recém-transferida para o Distrito Industrial, A União, já na fase da impressão a frio, com a aposentadoria da velha linotipo, ainda se ressentia da carência dos despachos telegráficos. Alguém ouviu no rádio a informação de que o general Geisel fora escolhido Presidente da República e, supondo tratar-se do então ministro do Exército, Orlando Geisel, os editores produziram a matéria com fotos e perfil do homem. Acompanhei, no dia seguinte, a angústia de bons companheiros. O governador Ernani Sátiro demitiu o secretário de Comunicação Noaldo Dantas e a diretoria inteira do jornal. Ninguém tirava da cabeça dos militares a convicção de que o jornal do Governo tentou avacalhar a escolha de Ernesto, o irmão de Orlando. E a pecha de comunista era coisa que não faltava aos quadros d’A União. Antes desse episódio, a equipe de revisão havia sido desfalcada com o sumiço de três colegas, um deles acusado de assalto à Souza Cruz para financiar a luta armada. Um a um, eles terminaram presos e torturados. "
Nos tempos de jornal (10)
Eu pensava que Gonzaga Rodrigues era um sujeito distante, poético demais para se achegar aos da planície. Lia as suas crônicas e nelas vislumbrava apenas o poeta da prosa, nunca o brincalhão atrapalhado que, depois, descobri nele.
Corria o ano de 1978, Tarcisio Burity assumia o Governo no lugar de Dorgival Terceiro Neto e nomeava Gonzaga como diretor de A União. Gonzaga somente não, tinha Nathanael Alves também. Um na direção tecnica, o outro na superintendência.
O diretor técnico Gonzaga reuniu o corpo de jornalistas para uma avaliação preliminar da mão de obra que iria dispor a partir de sua posse. Foi na API. Conversou, falou bonito, contou causos, histórias vividas no seus longos anos de imprensa e, ao final, convidou a todos para tomar uma cervejinha ali por perto da API, onde a reunião acontecia. Perguntou se alguém sabia onde essa cervejinha gelada poderia ser tomada e eu, querendo agradar o chefe, sugeri:
-Que tal o Cassino da Lagoa?
-Que Cassino que nada, Bastião, eu gosto é de bar podre -, cortou Gonzaga, sem admitir contestação.
Já na labuta diária do jornal, aconteceu aquele caso do rapaz morto na cama do médico Maurílio Almeida, em Recife. Um escândalo. Os jornais daqui botaram para lascar em banda. Gonzaga era amigo do médico e me designou para ir a Recife fazer uma matéria retratando a verdade. Seu desejo era limpar o nome de Maurílio, figura tradicional, sobrinho de Zé Américo, membro de academias e outros quitais. Fui. Tive acesso ao inquérito, lí o depoimento do médico à Polícia e transcrevi os trechos mais interessantes, precisamente aquele onde ele dizia que botou o rapaz para dormir com ele, na cama, porque o moço, de 24 anos, estava com frio. Gonzaga engoliu em seco, mas publicou tudo. Em nome da boa imprensa, aquilo não podia ser escamoteado. E o resultado é que teve de aguentar um tranco danado, com as cabeças coroadas da Paraíba querendo a sua cabeça.
Dona Cacilda, então minha noiva, trabalhava em A União também e passou a secretariar Gonzaga. Dele recebeu inúmeras missões, como aquela de ir ao comércio, no Dia dos Namorados, comprar duas sombrinhas, do mesmo tamanho e da mesma cor, para presentear a matriz e a filial do nêgo, tudo isso para não provocar queixas ou ciumeiras. De outra feita, chega Gonzaga ao gabinete dele com uma bolsa cheia até a boca. Senta na poltrona, mexe na bolsa e depois sai para resolver problemas na oficina. Dona Cacilda, que fora à cantina tomar café, entra na sala e encontra aquele desmantelo, a bolsa arreganhada e notas de dinheiro espalhadas por tudo quanto é canto.
Ele tinha a mania de perder os sapatos. E dona Cacilda, como boa secretária, recebia o encargo de encontrá-los. Certa vez Gonzaga saiu de meias pelo parque do Jornal e só veio notar isso quando um espinho entrou no seu calcanhar.
Pior foi naquela vez que Dona Cacilda entrou no banheiro para lavar as mãos e sentiu algo enganchar no salto alto da sandália. Olhou melhor e viu uma cueca zorba, toda dobrada, enganchada, desprezada, jogada no chão. Voltou para a sala onde Gonzaga estava e contou sobre o achado. E ele:-Meus meninos me deram mas eu não quero aquilo não, fica me apertando nas partes. Eu gosto mesmo é de samba canção, viu neguinha?" Disse isso e foi embora, só no osso.
Gonzaga me ensinou que chefiar e impor respeito é um dom que o sujeito traz do berço, sem carecer de pompa ou de arrogância.
Nos tempos de jornal (9)
Os registros históricos só guardam nomes dos que são vitrine, esquecendo quem viveu nos bastidores e teve igual ou maior importância do que o registrado. A nêga Calecina é uma dessas figuras. Ninguém fala nela ou dela, porém Calé, enquanto viveu, povoou de alegria o mundo jornalísito de João Pessoa com seu sorriso constante, seu jeito de mãe acalentadora, as farras monumentais que fazia no Bar da API, na Cantina do Camões e adjacências, sem contar o atendimento nota 10 que dispensava aos sócios da Associação Paraibana de Imprensa, no tempo em que a Associação Paraibana de Imprensa era uma trincheira da liberdade, da democracia e da luta pelos direitos humanos.
Calecina morreu como viveu: somente os mais próximos tiveram ciência de sua partida. Os outros souberam por ouvir dizer, quase ninguém chorou, ninguém seguramente lamentou. Calé era pobre e pobre não deixa saudade nos corações interesseiros.
Eu lembro dela. Eu e os de minha geração. No aconchego amigo de Calecina a gente se sentia em casa. Era uma mãezona, uma amigona, uma pessoa que se dava e se doava.
Se o seu nome ainda aparece, como está aparecendo nestas mal traçadas linhas, deve-se a raras lembranças surgidas do nada. Se dependesse de registro histórico, Calecina seria hoje apenas uma tábua velha enfiada no chão do cemitério, trazendo em letras toscas e pobres o nome, a data do nascimento, a da morte e uns dizeres comuns falando da saudade dos familiares.
As nossas chamadas autoridades constituídas gostam de homenagear quem dá ibope. Mané Caixa D`água, apesar de doido, dá ibope, pois "abrumava" a mãe dele na Ladeira da Borborema, chamando para a briga a subida ingreme que separa a cidade baixa da cidade alta. Por isso ganhou estátua. Livardo Alves, que escrevia músicas, ganhou estátua por parasitar o Ponto de Cem Réis nas tardes de inércia. Mas Livardo falava do roubo da cueca, assunto conhecido aqui e em alhures. Por isso dá ibope e ganhou estátua. Calecina não. Era mulher de bastidores. Servia apenas para servir. Dela todos dispunham quando precisavam de uma carteira da API, de uma ficha de sócio, de um cafezinho quente na mesa do presidente, de um favor de rua. Fora disso, Calecina era apenas companheira de copo, de papo em mesa de bar, coisa de somenos.
Mas que ela foi mais importante do que muitos figurões da imprensa, lá isso foi.
Nos tempos de jornal (8)
Festa de rua eu já conhecia.Passei 20 anos da minha vida acompanhando as procissões de Nossa Senhora do Bom Conselho, os passeios dominicais depois das missas de Princesa e, ainda, a comemoração do ano novo que varava a noite e amanhecia o dia. Por isso não achei difícil cumprir a pauta que Frutuoso me deu para ir à Festa das Neves e dizer o que vi durante a noite de abertura.
A Festa das Neves em 1975 já era meio desvirtuada daquela dos primeiros tempos, como ouvi de bocas antigas a me falarem dos festejos. Mas ainda era uma festa digna de se ver, principalmente se o visionário fosse um noviço na cidade grande, experimentando e degustando cada experiência como se estivesse a provar um néctar raro.
O prefeito Hermano Almeida, embora modesto e simples, tinha dentro dele uma vaidade enorme quando se tratava de fazer festa. Diziam que a culpa era de Wilson Terroso, seu chefe de gabinete, homem metido a bonito e a importante. Tinha também quem atribuisse isso a Augusto Toscano, o famoso "Sombra", falante representante da Secretaria de Turismo. Um ou outro, não importa, o certo é que a festa era uma coisa bonita de se ver. As barracas cobriam toda a General Osório, o pavilhão da Prefeitura ficava ao lado do Mosteiro de São Bento e perto dele havia o do Estado. Os dois se digladiavam para mostrar quem brilhava mais e, com a disputa, a animação da festa fazia com que ela passasse os seus cinco dias de existência num frenesi de alegria, transformado em saudade quando o toque de silêncio anunciava o seu final.
Recebi uma extensa pauta de Frutuoso Chaves para fazer uma matéria especial sobre a Festa das Neves. Seria a minha primeira matéria especial, com a possibilidade de assinatura, coisa que todo repórter ansiava em obter naqueles ontens. Botar o nome numa matéria era um acontecimento raro,não acontecia com a frivolidade dos tempos que vieram depois. Por isso resolvi caprichar.
Cheguei na festa. Gente batendo em gente. Barracas, botecos, pavilhões, parques, um palco enorme apresentando artistas, o locutor Cardivando de Oliveira animando o ambiente, namorados abraçados desfilando como se fazia na minha Princesa, futuros namorados se comendo com os olhos, nos dois pavilhões moças prendadas se aninhando em braços prendados, enquanto madames e autoridades se abancavam e se amostravam ao distinto público.
Numa necessidade fisiológica, desci pela Ladeira da Borborema. Vi uma festa diferente. Barracos mal ajambrados, mesas de pernas tortas e um povo dos "zói" quebrado também festejava a santa, mas sem pompa e sem garbo. Era um povo diferente, embora feliz. Sorrisos largos, gargalhadas espalhafatosas, abraços de pipocar os ossos, tudo isso fazia a diferença. E aquele cheiro de comida caseira em guerra latente com o cheiro do mijo que descia pela ladeira da Manoel Caixa D`água, capaz de botar água na boca até mesmo do mais ingrato dos apreciadores dos quitutes de dona Emília.
Fiquei por lá. Encontrei a Nêga Zilda, conterrânea do velho cabaré de Estrela, agora entronizada no palácio do Baixo Róger e fazendo buchada para quem não sabia o que era aquilo. E senti que ali era o meu lugar,o meu canto. Mas avistei, também, intelecutais de oculos de aro fino, moças prendadas com seus vestidos de saco e jeito de quem ama a paz e o amor e, mais ainda, jornalistas, incontáveis, os mesmos que escreviam maravilhas sobre os pavilhões, e que, na hora de festejar, preferiam a Bagaceira, a buchada da Bagaceira, o siri mole com pão francês da Bagaceira e o cheiro de mijo descendo a ladeira da Bagaceira.
Fiz minha matéria sobre a Bagaceira. Temia uma nota zero.Todavia, tive sorte de contar com um chefe de reportagem que, embora com cara de abusado, possuia no sangue o amor paternal a distribuir com os pupilos surgidos ao acaso. Me dei bem. A Bagaceira deu-me a carteira assinada e meu primeiro emprego.
Nos tempos de jornal (7)
Foi mais ou menos no meio do ano de 1974 que um sujeito moreno e gordo desceu do corujão em Princesa, vindo de João Pessoa, carregando enorme pasta debaixo do braço. Hospedou-se no Hotel de Dona Corina, deu-se logo a conhecer como jornalista, procurou as chamadas autoridades constituidas, teve audiência com o prefeito e, ao prefeito, disse a que veio: representava um grande jornal da Capital do Estado, que ia fazer uma edição especial sobre Princesa Isabel. O prefeito Chico Sobreira ficou empolgado. Não era todo dia que Princesa recebia tamanha homenagem. O gordo falante pediu ao prefeito que indicasse um jovem da terra para acompanhá-lo nas visitas. Chico me indicou. Eu era metido a escrevinhador já naquela época, fazia parte do grupo de teatro e nas datas cívicas costumava ler discursos que Wilma Lima e Ada Barros escreviam para mim.
Claro que acompanhei o homem gordo. Acompanhei com muita honra. Visitamos o padre, os vereadores, todos os comerciantes da cidade, o delegado, o sacristão, o dono da banca de bicho,o fazendeiro, o marchante, o tocador de sanfona, o maestro da banda de música, o presidente do clube recreativo, o tabelião, a mulher do tabelião, em suma, todo mundo e a mulher de Seu Raimundo foram visitados pelo gorducho, comigo ao lado, e todos eles pagaram, ao dito cujo, a quantia de 5 mil cruzeiros cada um, para ter o retrato publicado no jornal juntamente com o curriculo.
O gordo falava em nome do jornal Projeção, que pertencia a um tal de Nunes, que mais tarde descobri ser um dos maiores trambiqueiros da imprensa paraibana. Mas lá no sertão dos cafundós, onde a gente só lia jornal dormido de três dias atrás, e assim mesmo o Jornal do Governo que era despachado para a Prefeitura de graça, a chegada de um jornalista falante como o gordo moreno, constituia-se fato inédito e digno de comemorações.
Lembro que o prefeito ofereceu lauto jantar ao jornalista, que discursou em nome da ética e dos bons costumes. Frei Anastácio Palmeira, bufando fogo pelas ventas como era seu costume, disse que o reino dos céus era um jornal aberto com muitas letras divinais a serem apreciadas, e João Mandu, o sacristão, chegou a cantar um bendito louvado seja oferecido ao visitante.
Ele deve ter gastado uns quatro filmes batendo fotos do povo. Cada visitado recebia um questionário que respondia com muito gosto. Terminada a inquisição, lá vinha a foto. Tinha deles que fazia pose de Clark Gable depois de "E o Vento Levou". Samuel Medeiros, grosso que só barbante de amarrar saco, deu dez mil em vez de cinco mas exigiu que o retrato dele saisse colorido. O gordo prometeu. Como prometeu outras coisas, tipo aquela de fazer finado Bartolomeu correspondente do jornal nas terras recifenses.
Durou dois dias a visita. O gordo, com os bolsos estufando de dinheiro, pegou o mesmo corujão e embarcou de volta a João Pessoa, prometendo que as matérias com as fotos sairiam publicadas no sábado seguinte. Foi uma expectativa geral. Mal o onibus botou o focinho na entrada da rua, uma verdeira procissão formou-se na praça da igreja. Seria um acontecimento único na vida da cidade. Princesa, finalmente, sairia do atraso, viraria notícia, seus filhos se tornariam manchetes jornalísticas, seus retratos expostos nas páginas ainda frescas do Jornal Projeção indicariam o prestígio dos habitantes perante a terra brasileira. Sem contar o crédito que muito iriam obter na rede bancária, sem carecer de avalistas e essas coisas que só se exige quando o devedor é pé rapado.
E o jornal, realmente chegou. Dois fardos enormes, amarrados com barbantes amarelos. Foi uma correria, todos querendo se ver, se ler, se ufanar na fama.
Mas de retrato mesmo o gordo com o tal de Nunes só cuidaram de botar os do juiz, do delegado e do promotor. Nem o padre foi obsequiado com uma foto. Furiosos, olharam para mim com jeito de cobrança. Eu bati em retirada, fui parar no Michila, passei uma semana escondido e só voltei quando o prefeito Chico Sobreira provou por a mais b que eu era, igual a eles, uma vítima do gordo moreno e do tal Nunes trambiqueiro.
Nos tempos de jornal (6)
O prédio antigo de A União foi demoligo em 1974 por determinação do governador Ernani Sátyro. Um prédio antigo,de priscas eras, ocupado pelo velho jornal no começo do século 20, que tinha o tamanho de um quarteirão, majestoso, com frente para o Tribunal de Justiça e em cujas salas, becos e escadas guardava cada frase, vírgulas e exclamações que narravam a história da Paraíba. Foi nesse prédio, que não cheguei a conhecer, informo, onde foi exposta a coletânea de documentos e cartas pessoais do advogado João Dantas e que, por causa disso, João Pessoa morreu com três tiros no peito. Ali também se postou o tenente Zé Lira, de fuzil em punho, enfrentando a soldadesca comandada por Luiz de Barros, que queria invadir o jornal para empastelar o Diário Oficial. Zé Lira sozinho, na boca do rifle, botou Luiz de Barros e seus meganhas para correr. Inúmeras outras histórias interessantes passaram pelo velho prédio e, com ele, foram engolidas pelos golpes da marreta demolidora.
A UNIÃO foi fundada no dia 2 de fevereiro - uma quinta-feira - de 1893, no Governo do então presidente da Província, Álvaro Machado, servindo, a princípio, como órgão do Partido Republicano do Estado.A sua primeira sede funcionou numa casa localizada na Rua Visconde de Pelotas, no Centro de João Pessoa. O jornal começou indo às ruas contendo notícias e artigos. Da primeira equipe de redação eram integrantes Gama e Melo (que escreveu o primeiro artigo de fundo na edição publicado na primeira edição), Joaquim Moreira Lima, Ivo M. Borges da Fonseca, Dias Pinto e João Leopoldo. Depois, esse prédio foi demolido(triste sina) e o jornal se instalou na mesma área, só que na Rua Duque de Caxias, no início do século passado, no prédio que Ernani mandou derrubar.
Com o passar do tempo, pelas páginas do matutino passaram personalidades das letras e das artes, como Orris Soares, Augusto dos Anjos, José Lins do Rego e José Américo de Almeida, que chegou a considerar A UNIÃO como a primeira universidade da Paraíba. O próprio José Américo, por exemplo, colaborou com o jornal em diversas épocas. Quando foi secretário de Estado, foi redator; no Governo, redigia as próprias notas. Em artigo escrito em 1973 e publicado nas comemorações dos 80 anos do jornal fez a seguinte confissão: "Minha escola de jornalismo ou, melhor, de escritor foi A UNIÃO".
Daqueles tempos do velho prédio, os mais velhos lembram nomes de funcionários que formavam e ainda formam, alguns, a confraria dos velhos senhores (com reverência) que ainda trabalham na "Velha Senhora" centenária. O negócio é o seguinte: ainda hoje percorrem os corredores do prédio que acolhe o terceiro jornal mais antigo do Brasil - A UNIÃO -, ao longo dos anos, figuras carimbadas que não são mais chamados pelos seus verdadeiros nomes de batismo, porém, por apelidos jocosos. Os companheiros de trabalho os chamam carinhosamente de (respeitando a hierarquia) Pai, Pirrita, Heleno, Pilunga, respectivamente, Walter de Souza, Regivaldo Luiz de Souza, Heleno José Feitosa e Cláudio Gomes dos Santos.
"A alcunha se deve porque há muito tempo eu chamo todo mundo de pai e aí eles me devolvem e me chamam de pai, também", explica Walter de Souza. Ele se encontra há quase 50 anos chefiando um setor que executa a edição diária do Diário Oficial.
Walter de Souza diz que a maior mudança ocorrida em seu ambiente de trabalho foi a migração para a informática. "Foi uma mudança profunda para quem estava acostumado com a linotipo e depois com a impressão offset. O jornal era feito no chumbo quente naquele tempo", relembra Pai.
Nos tempos de chumbo grosso, Walter de Souza trabalhava no subsolo do prédio antigo que Ernani demoliu para abrigar a Assembléia Legislativa. Ao longo desses anos, ele se tornou um verdadeiro "arquivo vivo" de peripécias de governos de plantão na Paraíba. Isso no que diz respeito ao Diário Oficial. Declara que está até organizando um livro no qual pretende contar muitas histórias pitorescas. "Um dia será lançado", garante
Ivan Pocoré, Seu Dionísio, Urai, Zé Lequinha, Nelson Bezerra e Romeu são alguns amigos de Heleno no tempo em que o matutino funcionava diante da Praça João Pessoa, no Centro. "Eles já se foram. Era um tempo bom. Depois do trabalho, íamos todos farrar na Feira da Primavera, no Ponto Chic do Madruga. Ou no Bar do Ari", conta com um certo saudosismo.
Heleno ingressou no quadro do jornal na gestão do governador Pedro Gondim com 24 anos. "Naquela época, eu ganhava 80 cruzeiros", costumava relembrar. E completava: "No tempo do chumbo, tinha gente que se queimava e se machucava com as chapas pesadas de chumbo na composição manual. Hoje é prático e muito diferente daquela época".
Regivaldo Luiz de Souza, o Pirrita, tem uma característica que o distingue dos seus pares: Aonde vai leva consigo um assovio. No início, quando foi admitido como servidor da "Velha Senhora", Pirrita era um "fundidor". Era o sujeito que derretia o chumbo a fim de fazer as barras.
Cláudio dos Santos tem mais de 42 anos de sua vida dedicada ao Jornal A UNIÃO. Ele ingressou no quadro do matutino no ano de 1965 como auxiliar de manutenção. "O jornal funcionava no antigo prédio da Assembléia Legislativa.
Ele cita Pedro Gondim como o governador que também deu atenção especial ao matutino, ao criar um quadro específico que abrigou linotipista, chapista, titulista, fundidor. "A UNIÃO é velha, mas com nova roupagem", reforça Cláudio dos Santos.
Mas ninguém jamais contou como e porque Ernani mandou derrubar o prédio de A União. A Paraíba tem disso: esconde a sujeira de alguns debaixo do tapete. Ernani, como intelectual, jamais poderia ser perdoado pelo que fez, levando-se em conta que mandou demolir o prédio histórico para não perder o apoio de um deputado chamado Sigismundo Souto Maior. É que a Assembléia estava para ser construída no local onde ainda hoje funciona o Hotel Aurora. O Governo do Estado já tinha pronto o ato de desapropriação do imóvel, quando Sigismundo Souto Maior, que tinha interesse em adquirir o hotel para explorá-lo, foi a Sátyro e disse: "Ernani, que sujeira é essa? Estou comprando o hotel e você quer desapropriá-lo? Pois saiba que, se fizer isso, eu rompo". Para que não rompesse, Ernany mandou as marretas romperem as paredes de A União.
Nos tempos de jornal (5)
Não cheguei a frequentar a Bambu.Quando aportei em João Pessoa ela vivia seus últimos dias. Os velhos boemios já procuravam outros pastos, fugindo da saudade e também de certas lembranças que não valia a pena guardar. Ali na frente dela alguns rapazes de boa origem mataram um motorista de táxi. Crime bárbaro, de grande repercussão, a imprensa que podia falar, falando, outra amordaçada pela força da pressão política e financeira da parentela bem posta, optando pelo silêncio dos covardes.
Se não houve impunidade total, debite-se isso a coragem de uma meia dúzia de jornalistas e radialistas que não se amedrontaram diante das ameaças, nem se venderam aos presentes fáceis de quem costumava comprar silêncios e consciências como se compra bolo em meio de feira.
De registro histórico, conta-se que um pai apaixonado pelo filho matador montou rancho no presídio para onde ele fora mandado, jurando que somente sairia dali com o filho debaixo do braço. Conseguiu. A Paraíba não entendeu como, mas conseguiu.
Aliás, naquela época João Pessoa era pródiga em produzir crimes bárbaros e criminosos sádicos. Três anos antes, num nove de novembro de 1972, o universitário de medicina Humberto Paredes Cunha Lima matou a também estudante Valdemarina, depois de seduzi-la e levá-la a lugar ermo na BR-101, demanda de Natal. Matou e escondeu o corpo, voltando tranquilamente para o aconchego da mamãe. Valdemarina somente seria encontrada cinco dias depois por operários que trabalhavam na BR e tiveram a atenção despertada para algo que fedia no mato. Alguns foram ao local e encontraram o corpo de Valdemaria, inteiramente nú,escanchado numa touceira de cana, os braços abertos em cruz, como a clamar socorro.
Humberto Paredes cozinhou a justiça, fez o que quís, matou um vigia de posto de gasolina que testemunharia contra ele e, apesar todos os indícios e das denúncias feitas pela imprensa, saiu livre e solto para matar, em 1978, um casal de universitários na Praia do Poço, estuprando em seguida os cadáveres e por último deformando suas faces com ácido. A pena sofrida pelo cidadão Paredes foi terminar o curso de medicina e viver nanabescamente em Recife como se fosse um honrado cidadão.
Mas ainda existia algum tipo de boemia na cidade naqueles ontens de 75. Os cabarés começavam a fechar suas portas, por conta da concorrência desleal com as putas da alta sociedade, que davam de graça o que ali era comprado, mas alguns resistiam, mesmo como sombras de um passado de luxo e fartura, mas resistiam. As meninas eram obrigadas a sair para as esquinas dos Correios e Telegráfos para catar homens e vender amores.
Numa noite de confidências e inconfidências no bar de Madame Lourdes Fodinha, uma rapariga morena e gorda dizia para Anacleto Reinaldo que o bom era quando encontrava algum mancebo disposto a lamber-lhe o entrepernas e levá-la ao paraíso proibido. Matuto das brenhas, ouvira falar daquilo quando flagaram o conterrâneo Zé de Né metendo a língua onde normalmente se enfiava outra coisa e, por isso, fora condenado a não beber água nas casas tidas como higiênicas. Aliás, quando alguém se via obrigado a servir água a Zé de Né, imediatamente amassava o caneco. Por isso reagi perguntando se havia algum homem com coragem para fazer aquilo. A morena olhou-me espantada e, gargalhando, respondeu:
-Se tem! Semana passada mesmo um colega de vocês, jornalista, pegou eu e minha irmã, levou pru quarto e chupou com tanta força que nós ficamos três dias assadas."
-Quem foi?", a pergunta saiu de todas as bocas ao mesmo tempo. A morena fez uma rabissaca e, sem dar muita importância à nossa curiosidade crescente, informou:
-O nome ele não disse. Só sei que era um negrinho dos pés tortos."
Nos tempos de jornal (4)
O meu contrato de experiência foi assinado 15 dias depois dos testes de rua. Nem assim, porém, me foi dada a chance de cobrir a tragédia da Lagoa do Parque Solon de Lucena, o primeiro grande acontecimento trágico que tive a oportunidade de testemunhar nesta vida de jornalista. Era foca e ali não cabia espaço para foca. Tinha que ser gente do batente, repórter bom,de faro apurado, para conseguir informações que os outros não conseguiam. Com o agravante de ter aportado na cidade, para cobrir a tragédia, repórteres de todos os quadrantes do Brasil. A tragédia da Lagoa foi matéria de capa da Revista Manchete, a Veja daqueles ontens.
Nessa tragédia morreram 48, entre homens, mulheres e crianças. A Lagoa permaneceu durante uma semana vigiada por verdadeira multidão querendo ver boiar as vítimas que as águas escuras levaram para o fundo. Foi uma tristeza.
Isso aconteceu em 1975.Comemorava-se a Semana do Exército e o Exército fez a festa deslocando para o Parque Solon de Lucena seus equipamentos de guerra. Ali o pessoense via tanques, metralhadoras enormes, canhões, fuzis e, como atração maior, uma balsa gigante que em tempos de guerra transporta soldados dos navios para a praia.
Querendo melhorar a imagem arranhada pelas denúncias de repressão,o Exército permitiu que a população subisse na balsa e fizesse passeios pelas águas da Lagoa. O povo fazia fila esperando a hora de embarcar. O passeio era curto, ia de um lado a outro do lago, mas todo mundo queria ir, flutuar, exibir o sorriso domingueiro no chamado cartão postal da cidade. E haja gente, e haja passeios, os militares aceitando o aumento da carga para atender a demanda e mais passageiros querendo a sua vez.
Até que a balsa, quando estava no meio da Lagoa, começou a emborcar, pendendo para um lado, levantando o bico. Aí começou a gritaria, pessoas se agarrando às bordas, pedindo socorro. Quando todo mundo pendeu para um lado, a embarcação virou de bico, afundando.Mais de 100 pessoas estavam nela. Mães com filhos, irmãos com irmãzinhas de braço, babás que levaram os rebentos das patroas para o passeio, todo mundo afundando. Gritos de terror e desespero encheram os céus do Parque, espantando as cigarras que àquela hora costumavam fazer a festa. Quem sabia nadar, nadou em busca da margem, quem não sabia, agarrou-se ao mais próximo e juntos afundaram.
Heróis anônimos surgiram nas margens, mergulharam na água suja e conseguiram salvar alguns. A maioria, contudo, foi para o fundo da Lagoa com a balsa do Exército. E a agonia quebrou a rotina da cidade de João Pessoa, que se cobriu de luto e chorou junto às mães, aos pais e aos irmãos que perderam familiares na tragédia que começou como uma festa.
Nos tempos de jornal (3)
Frutuoso Chaves servia de paradigma para todos aqueles que chegavam em A União buscando um começo.Ele viera de baixo, o primeiro contrato como contínuo, limpando a sujeira de Heitor Falcão e de outros figurões que se lambuzavam de café e vodka enquanto dedilhavam as notícias e colunas.
Conterrâneo de Zé Lins, do Pilar, Frutuoso passou de contínuo a tradutor de telegramas (naquele tempo traduzia-se telegramas), virou revisor e daí pra frente ninguém mais parou seus passos. Encontrei-o chefe de reportagem.Era mais que isso, porém. Frutuoso era nosso professor.
O texto que a ele entregávamos era analisado frase por frase. Aí a gente sentava diante dele e Frutuoso ensinava que a notícia começava com o leader (a parte que chama a atenção do leitor para ir até o fim da narrativa), que em vez de consorte se devia chamar esposa, que marido não era conjuge e que a palavra "doutor" não se usava de jeito nenhum. Era senhor e pronto.
Texto enxuto, sem rodeios, sem salamaleques. Dizia, cortava os nossos excessos, mandava fazer de novo e só se dava por satisfeito quando não tinha mais nada a reparar.
Por isso nossa equipe, toda formada por ele, alçou vôos noutras redações e se deu bem.
Éramos poucos na reportagem de A União. Chico Pinto, eu, um galego de perna torta cujo nome agora esqueço e Renato, este último o mais atilado, o mais produtivo, o mais furão. Vindo de Cruz das Armas, Renato dava conta sozinho da reportagem de A União. Se Frutuoso tivesse apenas ele na reportagem, podia dar-se por satisfeito. Nós éramos o complemento. Renato era um bom companheiro, mas cansou de ganhar pouco, fez concurso para o Banco do Brasil, passou, trocou de emprego e terminou aposentado pelo Banco com um bom salário. Nunca mais tive notícia de algum escrito seu.
Na reportagem de A União havia, também, Marcone Formiga. Chegou ao jornal ainda menino, com pouco mais de 16 anos. O seu talento, seu faro pela notícia, o jeito de escrever e a coragem de enfrentar as dificuldades, de logo o destacaram. Trabalhando em A União, jornal que, embora bem feito, tinha poucos leitores, Formiga conseguiu dar furos monumentais, aperreou o juízo dos concorrentes e quase morre nas mãos dos papa-defuntos.
Foi assim: Marcone, sem ninguém sugerir, descobriu uma indústria que funcionava nos bastidores dos hospitais, envolvendo coveiros, enfermeiros e médicos. Quando um sujeito estava encomendando a alma ao outro mundo, de logo o papa-defunto era avisado, procurava a família e negociava o caixão. Havia uma guerra de funerárias que o povo do lado de fora desconhecia. Marcone descobriu, botou tudo no jornal, foi o maior escândalo. Certo dia caminhava para o jornal quando se viu acossado por alguns representantes de funerárias, que queriam seu couro. Foi uma carreira monumental, Marcone corria e os coveiros corriam atrás dele. Com o passar dos anos, Marcone Formiga destacou-se, alçou vôos, foi trabalhar em Brasília, virou repórter internacional e terminou dono de uma das revistas mais lidas do Distrito Federal, a Brasília em dia.
Nos tempos de jornal (2)
Comecei a trabalhar em jornal por acaso. Poderia ter sido noutra coisa, até mesmo cobrador de onibus servia. Viera do sertão meio perdido, meio desiludido, recém demitido de um emprego que não chegara a assumir de fato, meu pai fazia um esforço enorme para custear minhas despesas de estudante, de modo que eu queria mesmo era um trabalho, um bico que me permitisse alugar um quarto, comer as três refeições e preparar-me para o vestibular.
Dei sorte. Fui apresentado a um sujeito bom chamado Werneck Barreto, irmão de minha amiga Ivete, que, a pedido dela, levou-me para um teste na reportagem de A União.
Lembro como se fosse hoje da minha entrada naquela sala apertada onde a reportagem trabalhava, na Duque de Caxias, centro de João Pessoa. Frutuoso Chaves, o chefe, até que tentou quebrar o meu acanhamento, tratou-me com profunda delicadeza, fez algumas perguntas e mandou-me para a rua. O teste seria na rua, cumprindo pauta.
Quando entrei na sala da chefia de reportagem, um sujeito alto, magro, de bigode, todo ancho, falava com o chefe de reportagem demonstrando certa intimidade. "Deve ser um figurão", pensei comigo. E assim que ele levantou-se informando que iria conversar com o gerente do Banco Real, não tive mais dúvidas: "É um figurão e tanto!". Lá em Princesa, naqueles idos, gerente de banco era mais importante do que prefeito, mulher de prefeito, padre, sacristão e delegado de polícia. Ser íntimo de gerente de banco, então, não era para qualquer um.
Deixei pra lá, fui cumprir a pauta, precisava do emprego. O questionário de Frutuoso perguntava um monte de coisas que o tempo me fez esquecer, mas eu cumpri tudo direitinho, voltei e, diante de uma velha Oliveti, dedilhei tudo com a facilidade de quem se formou na Escola de Datilografia 25 de Março, do saudoso Antonio Eugênio, o Totinha de Princesa que ensinava a meninada a bater nas teclas e, de quebra, pedia alguns em "casamento".
Subi no onibus para o bairro da Torre no final da tarde. Estava hospedado na casa de minha amiga Eleika, que em contra partida gozava da hospitalidade de seu Miguel Fotografo em Princesa.Era fim de tarde. Aproximei-me da porta traseira, dirigi-me à roleta e, me preparava para dar a moeda ao cobrador quando aquele moço importante que vira pela manhã indo conversar com o gerente do banco avisou: "Pode deixar que eu pago". Agradeci e ele: "Cumpriu a pauta direitinho?" Meio encabulado diante da autoridade, respondi: "Cumpri sim senhor". Disse e fui embora para a parte da frente do onibus. Dias depois descobri que a autoridade era Chico Pinto, o famoso Cabo Duca, foca feito eu, candidato a emprego em A União do mesmo jeito, mas já metido a bêsta naquele tempo.
Nos tempos de jornal (1)
João Pessoa não possuia canal de tv em 1975 quando aqui cheguei vindo do sertão. As notícias eram dadas pelas rádios AM Arapuan, Correio e Tabajara. Os jornais Correio, A União e O Norte eram os únicos. Depois apareceu o semanário O Momento de Jório Machado. A rádio Arapuan funcionava na Avenida Almirante Barroso, perto da Lagoa, sob a direção de Fernando Milanez. O seu proprietário, Renato Ribeiro Coutinho, aparecia por lá de vez em quando somente para dar pitaco em alguma programação. Quando da minha vinda, Otinaldo Lourenço era o papa do rádio, mas já estava deixando o batente. O programa Antena Política comandava a audiência. Era apresentado por Sílvio Carlos, o "língua plesa" de voz metálica que se constituía uma atração a parte.
A rádio Correio transmitia de um prédio velho na Rua Barão do Triunfo, o mesmo que abrigava o jornal. Naquela época não havia o poderoso Sistema Correio. Eram apenas o jornal e a rádio, ambos capengando, candidatos à falência.
O Norte era poderoso. Na séde da Pedro II Marcone Góes de Albuquerque comandava o conglomerado Associado e era o rei da cidade. Todo mundo pedia a benção a Marcone Góes. Elegia e derrotava político, ditava normas na sociedade, era o Chateaubriant em dose menor.
Não que o jornal prestasse. Já naquela época era fraco. Salvava-se pelo prestígio e pelos colunistas.
A União era a verdadeira universidade da imprensa paraibana. Tinha a melhor equipe do Nordeste, os melhores redatores da cidade, repórteres que descobriam chifres em testas de cavalos, um senhor equipamento de não sentir inveja de nenhum outro existente no Nordeste, além de pagar os melhores salários da praça.
O governador Ernani Sátyro cometera, antes de deixar o Governo, o crime de derrubar a séde de A União e transferir seu acervo para o Distrito Industrial. Ali ficavam a Diretoria, a redação, as oficinas, a garagem, o almoxarifado e os montadores do jornal. No centro da Capital instalaram a reportagem numa salinha apertada da Duque de Caxias, no prédio da Adesg.
A redação de A União se dava ao luxo de ter, em seus quadros, Agnaldo Almeida como editor, Feitosa como secretário e, copidescando os textos da reportagem, gente como Assis, Rubens Nóbrega, Marcone Carneiro Cabral, Josemar Pontes e Werneck Barreto, sem contar a presença de Zé Souto, o superintendente que não dispensava uma visita a noite para ler o noticiário, notadamente o político, e fazer as correções e cortes ditados pela política oficial do Governo Ivan Bichara.Barretinho era o diretor técnico e Murilo Sena o administrativo.
Houve um jornaleco chamado Projeção, de um jornalista chamado Nunes (não o baixinho biógrafo do arcebispo, mas outro, trambiqueiro de mão cheia). Desse jornal falo mais para a frente. Com ele tive a triste experiência de ser jornalista por uma semana e assinar embaixo de um trambique monumental aplicado por Nunes nos comerciantes e políticos de Princesa Isabel. Nem o padre se salvou.
Porque hoje é sábado
Não seria nada demais aquele monte de assessores lotados nos gabinetes de nossos senadores se eles morassem em Brasília e dessem expediente. Mas nem moram, nem dão. E quando moram, não vão lá. Sem contar a imoralidade de se ter a mulher de um conselheiro do Tribunal de Contas trabalhando no gabinete de um senador que já foi prefeito e que, mais dia menos dia, terá suas contas do passado apreciadas pelo marido da servidora que, para variar, ganha o salário sem ao menos assinar o ponto. Ou então o filho de um ministro assessorando o futuro réu do pai.
Os eleitores que apreciem a matéria que publiquei no Blog do Tião e guardem bem direitinho os nomes dos seus futuros visitantes. Ano que vem eles aparecerão em suas casas para pedir o voto. E vocês terão a oportunidade de dar o troco.
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E o caso de Bayeux, em que ficou? O TSE cassou o prefeito, o TRE ficou de decidir sua sorte, mas de lá para cá um silêncio arretado foi decretado pelas chamadas autoridades constituídas e o caso entrou pela perna do pato, saiu pela do pinto e nadica de nada.
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Conversa que escutei ontem à noite na reunião da Confraria do Manaíra Shoping: "Lula dança São João na Granja do Torto. Se você não foi convidado é porque não faz parte da quadrilha".
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Pagamento do Estado sai dia 30 e de uma vez só.
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Ricardo Coutinho se encontrou com o poeta Ronaldo Cunha Lima. E Cícero Lucena continua insistindo naquela história de que será candidato a governador contando com o apoio incondicional da família.
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Quer dizer que não vão mais construir aquela ponte ligando Cabedelo a Costinha? Assim é lasca. Primeiro foi o viaduto sobre a Lagoa que Pedro do Caminhão queria edificar. Agora a ponte. Na Paraíba só tem vez pinguela.
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Se você quer conhecer um lugar bonito, vá a Bonito,em Pernambuco. As cachoeiras de Bonito são de deixar você sem fala. A água gelada chama o amigo a tomar uma num barzinho encravado no pé da serra. Coisa de louco.
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E agora lá se vão meus abraços para Anchieta tio de Geordinho, Anchieta Gualter, Ramalho Leite,Paulo Josafá, Marcos Pires, João Alves, Zé Virgolino Alencar, Milton Soares, Francisco Muniz, Agnelo Muniz, Neno França, Veronese Lima, Vilma Lima, Marçal Lima, Fred Menezes, Assis Liberalquino, Arnaldo Almeida, Chico de Edmundo, Richomer Barros, Neno de Mirabeau, João Vanildo e Cabo Tenório Nóbrega.
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Essa quem mandou foi o Faixa Varandas:
Desde o primeiro dia de casamento, Romualdo pedia à mulher para fazer sexo, mas ela nunca aceitava.
Certo dia, quando ele chegou mais cedo do serviço, a encontrou fazendo um sexo anal violento com o seu melhor amigo.
Não acreditando no que havia visto, saiu sem que eles percebessem e foi encher a cara no bar. Lá ele encontrou um bêbado pra quem desabafou.
Contou toda a história. O bêbado escutou pacientemente e, quando o corno, quer dizer, o marido traído, terminou de falar, ele respondeu:
- É, companheiro... A vida é assim! Olha só o meu caso, por exemplo: outro dia eu tava viajando de ônibus e de repente fiquei com vontade de cagar... Aí fui no banheiro, fiz força pra cagar e só peidei...
Quando voltei pro meu lugar me deu uma vontadezinha de peidar aí fiz força pra peidar e caguei...
- Pô, meu! - protestou o corno. - Eu desabafo com você, espero um bom conselho e você me vem com esse papo de peidar, cagar?
- Só tô tentando te mostrar como é a vida, cara... A gente não pode confiar nem no cu da gente! Imagina no dos outros...
O circo da safadeza
Um fato vem causando espanto aos informados e desinformados do meu Nordeste de pobres: nessa época junina, por cima de pau e pedra, prefeitos deleitam seus munícipes com festas de arromba, realizadas em praça pública, contratando a peso de ouro bandas de forró que mais parecem orquestras de tão grandes, com cenários, músicos, cantores e mulheres seminuas exibindo as cartilagens.
Alguém imagina o preço que uma banda dessas cobra para se apresentar? Se imagina, dobre a oferta, multiplique por três e ainda cobre juros e correção monetária. Não sai por menos de 70 mil cada uma. E tem prefeito que contrata até cinco. Isso em cidadezinha do tamanho de um bairro, lugarejos pobres onde se peida na entrada e a catinga desponta na saída.
Como explicar tal fenômeno? Segundo meu amigo Dosca do Ó, o dinheiro vem de Lula. O presidente resolveu financiar o circo para o povo brasileiro e cometeu a temeridade de entregar o dinheiro aos prefeitos. Os prefeitos recebem o dinheiro, gastam uma parte com as bandas e embolsam a outra. Não t erão problemas na prestação de contas porque as bandas já sabem que vão assinar um recibo superfaturado. Faz parte do acordo, da bandalheira.
O povo gosta. Tanto gosta que aplaude. Nas minhas fronteiras, lá pelos idos do sertão, grupos políticos trocam tapas, rasgam as roupas, exibem os sedéns e se matam para defender seus líderes. Dizem que o prefeito é um santo homem porque botou banda para tocar forró de qualidade sofrível em cima de um palco, sem saberem que o líder divinal está se dando bem e enchendo as burras de dinheiro público. Um lote de ladrões gravatudos, rebarba da safadeza que, infelizmente, forma a maioria desse Brasil varonil.
Fui.
Porque hoje é sábado
Não tenho diploma de jornalista. Quando entrei em jornal, no ano de 75, João Pessoa não tinha curso superior de comunicação. Havia um nas Lourdinhas, mas era um curso tipo esse de Moisés do Sindicato que ensina radialista a votar nele para que se perpetue no poder. Então não fiz, aprendi no batente, aprendi com gente sem curso mas que sabia ensinar melhor do que qualquer professor, como Frutuoso Chaves, Agnaldo Almeida, Verneck Barreto, Rubens Nóbrega,Anco Márcio, Gonzaga Rodrigues, Zé Souto e Natanael Alves, sendo que entre os alunos a gente via Marcone Formiga,Chico Pinto, Welington Fodinha, Antonio David, Lena Guimarães, Edmilson e Miguezim Lucena,Nonato Guedes, Julio Santana e outros, muitos outros.
O fato, porém, de não ter diploma de jornalista,não me leva a ficar eufórico com essa decisão do STF. Não é qualquer um, senhores ministros, que pode ser jornalista não. Para ser jornalista, o sujeito tem que saber, no mínimo, escrever. Tem que catar a notícia e achá-la no meio do paiol de mediocridades. Não basta sentar diante do computador e escrever duas mal traçadas linhas.
Por outro lado, se for para botar em prática o que disseram os senhores ministros (qualquer do povo pode ser jornalista), exijo desde já ser ministro, Zezão meu irmão que viveu a vida como motorista quer um emprego de médico no Samaritano,Levi Borges, que é bom advogado e jornalista vai desejar assumir o cargo de engenheiro do DER e, claro, Josinato Gomes, que é poliglota, exige de logo sua nomeação como chefe da Brigada Militar de Brasília.
E tenho dito.
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Não se pode criticar os deputados que fazem guerra declarada ao governador Maranhão, que vem logo uns manezinhos nos chamando de babões. Pode?
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A cidade de João Pessoa está abandonada. Ricardo Coutinho só cuida agora de viajar, de palestrar, de se amostrar e dá um nem te ligo para a nossa Capital.
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Eilzo Matos é imortal, ganhou e ganhou bonito a eleição da Academia Paraibana de Letras e vai sentar na cadeira que foi de Crispim.Aguardamos as comemorações na beira do açude de Coremas.
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Dizem que o São João de Monteiro está pegando fogo de bom. Geordie Filho e Fred Menezes montaram barraca na cidade e já estão de pernas trêmulas de tanto dançar forró.
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Já em Sousa, contam, só tem São João porque os povos da Estação contrataram sanfoneiros para não passar em branco.
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E agora lá se vão meus abraços para Helder Fernandes, Marcone Formiga, Zé de Edezel, Cícero Florentino, George Carvalho, Marcone Ferreira, Giovani Meireles, Maurilio Batista, Antonio Malvino, Cardivando de Oliveira, Toni Show e Valdir Porfírio.
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Conta mais uma, Marcos Pires:
O velho Padre, durante anos, tinha trabalhado fielmente com o povo africano,
mas agora estava de volta ao Brasil, doente e moribundo, no Hospital Geral de Brasília,
é notícia e manchete midiática da hora. Já nos últimos suspiros,
ele faz um sinal à enfermeira, que se aproxima.
- Sim, Padre? diz a enfermeira.
- Eu queria ver dois proeminentes políticos antes de morrer, sussurrou o Padre.
- Acalme-se, verei o que posso fazer, respondeu a enfermeira.
De imediato, ela entra em contacto com o Congresso Nacional;
e logo recebe a notícia: ambos gostariam muito de visitar o Padre moribundo.
A caminho do Hospital, Jader Barbalho diz a Renan Calheiros:
- Eu não sei porque é que o velho padre nos quer ver, mas certamente que
isso vai ajudar a melhorar a nossa imagem perante a Igreja e povo, o que é sempre bom.
Renan Calheiros concordou.
Era uma grande oportunidade para eles e até foi enviado um comunicado oficial à imprensa sobre a visita.
Quando chegaram ao quarto, com toda a imprensa presente,
o velho Padre pegou na mão de Jader Barbalho, com a sua mão direita, e na mão de Renan Calheiros, com a sua esquerda. Houve um grande silêncio e notou-se um ar de pureza e serenidade no semblante do Padre.
Renan Calheiros então disse:
- Padre, porque é que fomos nós os escolhidos, entre tantas pessoas,para estar ao seu lado no seu fim?
O velho Padre, lentamente, disse:
-Sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo
o Nosso Senhor Jesus Cristo.
-Amém, disse Jader Barbalho.
-Amém, disse Renan Calheiros.
E o Padre continuou:
-'Então... como Ele morreu entre dois ladrões,
eu queria fazer o mesmo....!!!
OS CLONES
Em dois momentos distintos desta terça-feira pela manhã pensei estar vendo visagem. Explico: o rádio do carro ligado transmitia declaração de uma pessoa que era a cara de Cássio Cunha Lima. Minto: cara, não, a voz. Parecia Cássio falando. Pensei que o nosso ex-governador falava direto dos states. Abri as oiças, prestei atenção, queria saber as novidades. A voz falava dos empréstimos de Maranhão, escrachava o governador. Aí eu disse: Cássio voltou com todo toro. Está em campanha, abreviou os estudos na América e bota os pés de volta na Paraíba para reconquistar o que perdeu.
Mas não. Não era Cássio. O ex-governador continua estudando inglês. Então quem poderia ser? Um Clone? Shaolin fazendo imitações? Claro que só poderia ser Shaolin. O comediante campinense é um craque na arte de imitar os outros. Imita Ronaldo jogador, Ronaldo poeta, a loira do Calipso, todo mundo e a mulher de Seu Raimundo. Por que, então, não imitar Cássio?
Enganei-me de novo. Não era Shaolin. Era, sim, o deputado Coronel Ludugéro dando entrevista à rádio, falando daquele empréstimo do BNDES que Maranhão quer contrair e a oposição não quer consentir. Ele mesmo. Mas era Cássio escritinho. Aquela voz pausada, aquela entonação musical, aquele jeito de dizer as palavras caprichando nas vogais e consoantes, tudo igual, sem tirar nem por, cagado e cuspido. Depois dele entrou outro deputado, Romero Rodrigues, também de Campina. Aí em vez de um Cássio, tínhamos dois. Falavam igual, do mesmo jeito, com a mesma voz, a mesma entonação, o mesmo capricho.
Esse fenômeno, devo confessar não é novo. O líder é sempre copiado. O exemplo mais recente é o de Edir Macedo. Seus pastores nem bem entram na igreja e ja falam espremido, com jeito de quem quer cagar e o tolete não sai. Pois Cássio, como bom líder, está repetindo o fenômeno na Paraíba. Os dois deputados brigam entre si para saber quem fica primeiro com a personalidade do chefe.
AS FINADASÁRVORES DA PRAÇA ZÉ NOMINANDO
O prefeito de Princesa Isabel, lá no sertão da Paraíba, é um jovem recém saído da adolescência, mas se comporta como um político velho e capenga, um político novo de práticas antigas, um político de pouca idade e muito ranço. Provou isso no decorrer da semana passada, quando autorizou a destruição de dezenas de árvores que sombreavam uma das mais tradicionais e belas praças da cidade, em nome de uma reforma que ninguém sequer sabe se vai acontecer. Árvores antigas, mais velhas do que o próprio prefeito, que tombaram aos golpes do machado assassino e da serra elétrica devoradora, sob o olhar complacente das autoridades e a cumplicidade de certo promotor de justiça que ali plantou sua semente do mal e ao deixar a vida ativa, o fez com uma despedida digna de um criminoso de guerra.
Depois de denunciado o fato, assessores do prefeito apressaram-se a dar explicações estapafúrdias. Dizem, por exemplo, que as árvores foram derrubadas porque a Prefeitura vai reformar a praça e que, depois de reformada, novas árvores serão plantadas.
O leitor sabe quanto tempo uma árvore de sombra gasta para ficar adulta? Calculando pela idade das que foram mortas a golpes de machado na praça de Princesa, arrisco dizer que, no mínimo, uns 40 anos. E olhe lá, porque outras ultrapassam a casa dos 50.
As árvores da Praça José Nominando, de Princesa, eram minhas velhas conhecidas. Quando a praça foi construída eu era menino de calças curtas. Convivi com as finadas durante a meninice, a adolescência e a fase adulta. Elas testemunharam muitas histórias alegres e tristes. Pacu Teodósio arrancou três cabaços escorado numa dessas árvores. Foi ali que Everaldo Maia declarou seu amor platônico para Ciça dos Garateiros. Mas também sob as sombras frondosas das falecidas o matuto teimoso descansou da caminhada, o boi do lixo se abrigou do sol inclemente, Pai Zé Sobrinho filosofou e deu aulas de latim aos meninos do Bom Conselho e namoros nasceram, noivados aconteceram e casamentos foram marcados tendo elas como testemunhas e cúmplices.
Aí chegou um prefeito, um jovem prefeito, com promessas de futuro, dizendo-se inovador, para acabar com tudo isso. Mandou cortar as árvores sob o argumento pueril, fantasioso, mentiroso e impróprio de que mandaria reformar a praça e plantar novas árvores. Sinceramente, num momento desses sinto vergonha de ser conterrâneo de um ser humano como esse. Sinto vergonha por causa da chacota que estão fazendo dele pelo Brasil afora.
Espero que o Ministério Público de Princesa, agora livre da peçonha que o envenenou durante muitos anos, tome uma providência. Se não ressuscitando as árvores mortas, ao menos cobrando punição para quem cometeu o crime.
PORQUE HOJE É SÁBADO
Moro num lugar privilegiado, perto de tudo, inclusive da barraca de João que me abriga nas noites de sexta. Gostava mais da outra, da velha, de tábua, instalada na grama, onde se mijava olhando o céu e o freguês era brindado com aquele cheiro de mijo forte, que me fazia lembrar o jogo de Aderbal ou a sinuca de Aluizio Maraba. Mas tiraram a barraca em nome da beleza, fizeram uma praça de skate em nome do esporte e a praça que fizeram em nome do esporte virou point dos traficantes de maconha e cocaina. Os jornais noticiaram a prisão de um rapaz com dois saquinhos de pó. Foi exatamente aquele rapaz que flagrei preso na viatura da PM e cuja informação busquei ao soldado que me negou atenção porque eu estava vestido de pobre. Mas isso não vem ao caso agora, vem,e com preocupação, o caso da praça, em que transformaram a praça. No principio pensei que fosse uma praça normal, para as pessoas passearem, namorados declararem seus amores sentados nos banquinhos, etc. e coisa e tal. Mas a praça foi destinada aos esportistas do skate, que, por seu turno, atrairam os traficantes.
Continuo indo ao bar de João, que não tem nada com isso. A carga de responsabilidade cai nos ombros das chamadas autoridades. Vigiar a praça é preciso. E se for possível, amenizá-la, tirando dela parte dos skates para permitir aos mais velhos o direito de caminhar por suas alamedas e sentar nos seus bancos.
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Gosto muito do deputado Gilvan Freire. Acho até que ele é necessário em qualquer parlamento. Mas Gilvan precisa tomar jeito. Deixar de ser volúvel. Deixou de ser Cássio e Cícero, passou a ser Ricardo Coutinho, depois virou-se pra Veneziano, namorou com Zé Maranhão e voltou a ser Ricardo Coutinho. Parece aquela mariposa da música "ela é de todos e não é de ninguém".
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Hoje vou ver de perto o São João de Campina Grande. Vou dançar miudinho e tomar umas lapadas de cachaça com aquele monte de caldinhos que as barracas oferecem aos olhos gulosos. Quando voltar, claro, digo como foi e mostro as fotos.
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Ontem, dia 12, transcorreu o aniversário do meu considerado Abelardinho Jurema, pessoa da melhor qualidade, para quem ofereço a coluna de hoje.
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Em Princesa,minha terra, a Prefeitura depenou as árvores da Praça José Nominando. Pracinha dos meus amores. Ali dancei nos assustados que se realizavam no corêto. Aprendi o gosto pela leitura na biblioteca que à época era administrada pela irmã de doutor Antonio Nominando. A fonte luminosa era uma atração para todas as crianças e adultos da cidade. Hoje só existe uma carcaça nua. E dizem que houve autorização ministerial de um representante do Ministério Público aposentado que teria assinado a ordem com data retroativa à sua aposentadoria.
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Meu amigo Geordie Filho muda de endereço nesse período de forró. Vai montar barraca em Monteiro, de onde nos brindará diariamente com fotos e informações publicados no seu Cariri Ligado.
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O Pau Mole mudou de endereço, forçado pelo machado bronco da Prefeitura, mas, garante Chico Pinto, seus antigos frequentadores estão todos lá: Marcos Tavares, Agnaldo Almeida, Chico Pinto, Benjamin, Bibiu Lucena e, claro, as putinhas que passam ao largo mostrando as bundas saltitantes, como a convidar para um passeio erótico no largo da macaxeira.
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E agora lá se vão meus abraços para Nilvan Pereira, Fabiano Gomes, Giovane Meireles,Nelsinho Negreiros,Richomer Barros, Chagas Oliveira, Chagas de Chica da Lage, Leonidas de Mané Bezerra,Zé de Chumbinho, Chiquinho de Orlando, Mundinho de Nezinho, Mauricio de Totonho, Fred Menezes, Roberto de Luna Freire, Milton Soares e João Pinto.
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O casal de favelados tava lá no barraco, transando,
na maior empolgação, fazendo um cheiroso 69, quando ela diz:
- Subiu a gasolina, né, Uésli ?
- Pô, Craldinéia ! Num enche o saco, nêga ! Tamo aqui fudeno numa boa e tu vem falar de gasolina!!! Quem te contou isso?
- Ninguém! Eu tô lendo num pedaço de jornal que ficou grudado no teu cu...
PORQUE HOJE É FERIADO
Tomei uma lapada, estalei a língua, tirei o gosto com umbu e esperei a chamada da patroa para devorar a rabada de boi que, a essa altura, cheira convidativa lá na cozinha, enchendo o apartamento com o perfume característico do tempero caseiro. Um feriado de meio de semana, com jeito de feriadão, nos dá a folga de almoçar quando der vontade, sem respeitar o horário rígido dos dias normais. A caninha, vejo aqui no rótulo da garrafa, veio de Areia, terra do frio e do brega, onde se faz o festival da cachaça e da rapadura, uma invenção de Tião Gomes que foi seguida pelos outros prefeitos, exatamente porque as coisas boas devem ser repetidas. Não vêem o São João de Campina? Foi invenção de Ronaldo Cunha Lima. Antes dele, ninguém sabia o que era São João em Campina. O povo viajava para Santa Luzia, onde se fazia o melhor São João da Paraíba, ou para Caruaru, tido e havido como o centro nacional do forró. Ronaldo, poeta e prefeito, inventou o maior São João do mundo, a coisa pegou, virou mania e hoje é realmente o maior, mais animado e principal fonte de riqueza daquela cidade.
Não faz uma hora, Fabiano Gomes ligou para reclamar e sugerir. Acordou no feriado, pensou que fosse um sábado e foi ao computador ler o “Porque Hoje é Sábado” que escrevo semanalmente. Mas hoje é quinta. Então determinou: “Escreva, também, Porque Hoje é Feriado”. Certo ele. O problema é a preguiça. Ando preguiçoso ultimamente. Quando escrevia por obrigação, a coluna saía de qualquer jeito. O jornal obrigava, embora nada pagasse. Escrevi de graça para o Correio durante mais de 10 anos. Decidi escrever de graça para mim mesmo. E hoje a coisa só sai quando dá vontade.
Está na hora da segunda lapada. A mulher, na cozinha, nem sonha que já engoli duas. Ela acha que uma basta. Cana é bom para abrir o apetite. Depois da segunda, abre a vontade de tomar um porre. Falar nisso, faz tempo que não tomo um porre. A última vez foi no barraco de Zezão lá no Geisel, na companhia do pessoal da Manzuá.Comemorávamos a morte de um ilustre membro do grupo cujo nome esqueci. Lembro apenas de Palhano fazendo as exéquias na Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, que voltou a funcionar no bairro, enquanto Bob tocava “Ai Moraria” no seu saxofone mágico, sendo acompanhado por Chico do Pandeiro, o maior ritimista da região. Zé servia regeto de boi com feijão verde e a bebida era pau dentro, uma cachaça que ele mistura com meio mundo de raiz e garante que cura sarna, lepra, coceira, pano preto, pano branco, bafo de boca e catinga de suvaco. Pelo sabor forte da dita, garanto que ela cura hemorróidas também, pois, de tão forte quando ingerida, se o bebedor soltar um peido em seguida, o tampão do cu avôa fora.
Pensei passar o feriadão em Campina Grande. Quem vê o Parque do Povo enfeitado como está, sente logo vontade de armar o barraco nas proximidades. Mas, cadê hotel? Estão todos lotados. Os clientes pagaram as reservas com adiantamento de meses. Ninguém tem onde se hospedar, nem debaixo da ponte. Meu amigo Zé Hiran reservou o hotel no São João passado. De modo que resignei-me em ficar por aqui mesmo, tomando minha lapadinha enquanto aguardo o chamado de dona Cacilda para devorar essa rabada de boi com pirão e pimenta malagueta.
Por sinal, eis que ela está chamando. Vou engolir a terceira e entrar na guerra. Inté.
A REVOLTA DE PRINCESA
A revolta de Princesa foi mostrada na tv Cabo Branco na manhã desta terça. Coisa de aniversário, disseram. Gostei do que vi. As ruas da minha terra, os casarões de antigamente, a estátua de Epitácio Pessoa, o sobrado do coronel Zé Pereira, a cidade enfim despontando no alto da Serra da Borborema, matando as saudades daqueles que, por força de obrigações e em busca da sobrevivência, não vivem mais nas suas ruas.
Claro que Princesa já não é mais como antigamente. A cidade perdeu muito. Cresceu desordenadamente, os velhos casarões estão se acabando ou sendo acabados, o sótão mal assombrado do sobrado de Manezim Pereira virou pizzaria com todos os requintes de modernidade, a igreja sumiu e no lugar dela edificaram um esqueleto branco que mais parece um supermercado de pobre, acabou-se o Colégio Monte Carmelo, a Lagoa da Perdição virou estrela e o Açude Velho de tantas lembranças, hoje é depósito de fossas e esgotos. Entra prefeito, sai prefeito, promessas e mais promessas são feitas, mas o Açude Velho que o Padre Ibiapina salvou numa noite de muita chuva, levando o povo em mutirão a tapar as rachaduras da parede, este está morto e sepultado.
O coronel Zé Pereira, quando vivo, honrou o nome, o sobrenome e o parentesco. Eita cabra bom da gôta! Foi homem para entupigaitar. Topou parada com João Pessoa e João Pessoa não foi bêsta de tirá-lo do seu reduto. E consta dos anais da história princesense que o presidente endeusado por Wellington Aguiar, quando ainda ensaiava a guerra com Zé Pereira, passou uma noite de terror na casa do coronel, teve medo de metro e meio e deixou esse pavor registrado nos finos lençóis que dona Alexandrina botou para forrar-lhes a cama.
Mas o coronel morreu. Outros vieram e não honraram a herança deixada pelo grande líder. Hoje Princesa é um reduto de corruptos, preguiçosos, aproveitadores, malandros, vagabundos e mentirosos. Usam a cidade para encher as burras, aumentar o patrimônio,engordar a poupança, deixando o resto na maior das misérias, na pior das pobrezas.
Comemorar o aniversário da revolta? Só se for para dizer que naquele tempo morava gente de vergonha na cara em Princesa. Uma gente que não soube, infelizmente, deixar herdeiros à altura.
PORQUE HOJE É SÁBADO
Ouvi alguns comentários pondo em dúvida a honestidade de Ramalho Leite. Conheço Ramalho Leite desde os tempos de antigamente, desde quando aqui cheguei em 75 e ele, jovem, quase menino, já era deputado estadual. Deputado irônico, mordaz, ferino, um show na tribuna, mexia com os brios dos adversários e era o sonho de consumo de todo governante, que preferia tê-lo como aliado em vez de adversário.
Trabalhei com ele na Prefeitura de João Pessoa, ele secretário da Administração, eu secretário de Comunicação Social. Via sempre um Ramalho rigoroso, detalhista, cuidadoso no tratar da coisa pública, sério e competente.
Ramalho galgou todos os postos na escala da vida. Começou de baixo, foi repórter, chefe de gabinete, deputado estadual, deputado federal, se não me engano diretor do Banco do Nordeste, e sempre deu conta do recado.
Acho que não seria agora, com os filhos criados, a vida feita, a esposa prefeita de Bananeiras, que Ramalho iria sujar as mãos com merrecas numa PB-Prev qualquer. Eu, até prova em contrário, acredito na inocência e na honestidade de Ramalho Leite.
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Comentava-se ontem, na Confraria do Manaíra Shoping, que aquele historiador de renome está andando com uma bereta pendurada na perna, disposto a tirar satisfações com um colunista que falou mal dele. É bom o dito se prevenir, olhar de banda e evitar o encontro. Dizem que o tal historiador é meio doido.
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Aquela casa de show do Manaíra Shoping está com as obras paralisadas. Disseram-me que faltou dinheiro aos dois sócios donos do empreendimento depois daquela decisão do TSE.
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A cidade de João Pessoa está suja, fedendo a merda. Parece terra arrasada, lugar onde ninguém mora, casa sem dono.
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Wellington, um moço pobre, pai de duas crianças menores, morador da favela São José, trabalhava como ajudante no Bar de João, aqui na praça do retão de Manaíra. Foi preso junto com um cabra que acabara de tomar um celular de alguém como pagamento de uma dívida e está trancado na cadeia de Alhandra, com ordens para descer pru Róger. É analfabeto, não tem dinheiro para pagar o advogado e terminará seus dias como bandido. Isso é justo?
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Miguezim Lucena está “avionando” para a Bolívia, para Sierra Maestra, somente para conhecer o local onde Che Guevara foi assassinado. Tomara que por lá não encontre aquela zinha que botou ele para dormir em Cuba, levou as suas coisas e ainda deixou este bilhete: “Miguele, para num me olvidares”.
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E agora lá se vão meus abraços para Ulysses Assis, Luismar Rezende, Chico Pinto, Zé Maria Fontenelli, Sales Fernandes, Marcos Pires,Zé Alan Abrantes, Eilzo Matos, Ademar Nonato, Mikika Leitão, Alexandre de Luna Freire, Dr. Dirceu de Jacumã, Otacílio Trajano, Nonato Bandeira, Fabiano Gomes, Hermes de Luna, Clotilde Tavares e Aldo Lopes de Araújo.
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Dois casais, sendo um de paraibanos e outro de paulistas, estavam jogando
cartas e uma carta caiu embaixo da mesa. O paraibano se abaixou para
pegar a carta e deu uma olhadela na boazuda da mulher do paulista por
baixo da mesa. Ela estava sem calcinha e com a 'perseguida' a mostra.
Alguns minutos depois o paraibano, suando quente levantou para tomar
água e a mulher do paulista disfarçou e foi atrás dele.
Chegando na cozinha ela perguntou: - E aí? O que achou?
- Maravilhoso - respondeu o paraibano.
- Qualquer 1.000 reais e a gente conversa. Disparou a paulista safada
e oportunista, porém gostosa.
- Tudo bem, é só dizer quando!
- Amanhã a tarde ele não vai estar em casa você pode ir lá.
- Combinado!
No outro dia a tarde, o paraibano chegou na hora marcada pagou os
1.000 reais e mandou ver na mulher do paulista. Serviço completo.
No fim da tarde o paulista chega do trabalho e pergunta à mulher: - O
paraibano esteve aqui a tarde?
- Sim - respondeu a mulher assustada.
- Deixou 1.000 reais?
- Sim - respondeu a mulher completamente apavorada.
- Ufa!!! que alívio, aquele paraibano filho da 'P...' esteve no meu
escritório pela manhã, me pediu 1.000 reais emprestado e disse que
passava aqui hoje à tarde sem falta para me pagar.
- Ainda bem que paraibano é homem de palavra!!
QUENGA E MARIPOSA
As prostitutas podem ser classificadas em dois grupos: o das quengas, que são aquelas pobres, mal vestidas, mal amadas e mal alimentadas que fazem ponto na Praça da Gala, e o das garotas de programa, vistosas, bonitas, universitárias, bem amadas, bem alimentadas e que se anunciam em sites especializados na sacanagem da vida.
As pobres putas da Praça da Gala, as quengas de quem falei no primeiro parágrafo, dão amor por prato de sopa, um pingado com pão francês e mortadela e quando o freguês pode, aceitam uma nota de cinco, duas de dois ou três moedas de cinquenta.
As mariposas vistosas só fazem programa de 300 pra cima, vão de taxi aos motéis de cinco estrelas, delimitam o programa em no máximo uma hora e se dão ao desfrute de falar um ou mais idiomas, como se uma foda precisasse ser gritada em inglês, francês ou alemão. Sabemos que a linguagem do orgasmo é uma só, mudando só a técnica e o jeito de expressar.
Na hora do pega pra capar, os gritos são mais Quengas ou menos parecidos, distinguindo-se um do outro somente na expressão. Meu amigo Gilvan de Brito, por exemplo, contou-me que deitou com uma portuguesa em Lisboa e ela, ao começar a sentir o faniquito da gozada, gemeu no seu ouvido um "já me vem, já me vem, já me vem".
Mariana, aquela jornalista de fala grossa e com jeito de macho, revelou seu lado feminino ao sentir o peso de Fernando Caldeira numa noitada carioca de mil, novecentos e antigamente. Lá estava Caldeira no vai e vem gostoso, concentrado, olhos fechados para não perder o embalo, mordendo a parte mole da orelha de Mariana, quando foi despertado pela sonora declaração em tom de tuba da companheira: "Tô gojando, Caideira!".
Houve o caso daquela professorinha toda comportada, temente a Deus e fiel frequentadora das missas dominicais da Igreja Santa Júlia, que ao se ver descabelada, amassada e chumbregada no colchão de mola, não teve dúvidas e pediu: "Me joga na parede e me chama de largatixa!".
Caso mais notável aconteceu, porém, em Santa luzia. Miguezim meu irmão era hóspede do então deputado Efraim Morais no Hotel do Governo. Ele, Carlos César, Zé Euflávio, Edson Verber, Toinho Vicente e outros menos lembrados do velho PCdoB. Brincaram o dia todo, recolheram-se aos apartamentos pela meia-noite, Miguezim botou a cabeça no travesseiro mas não conseguiu dormir diante do clamor de voz feminina, implorando em desespero: "Assim eu morro, assim me lasco, já tô morrendo, oh desgraçado, queres me estraçalhar toda, é?" E Miguezim, ferido nos brios de sertanejo, sem conter a revolta socialista que lhe estufou o peito, mal esperou o dia amanhecer, postou-se na porta do apartamento daquela voz chorosa disposto a tomar satisfações com o cruel algoz. E, invadido de surpresa, viu quando a porta se abriu e do quarto sairam ele e ela, abraçadinhos, sorridentes, os olhos brilhando e as bocas saindo um sorriso com jeito de quero mais.
Por isso concluo: o chibiu da quenga e o chibiu da mariposa rica são iguais. A diferença de um para o outro, pelo menos nesses tempos modernosos, é que o da quenga pobre continua com os cabelos aparados, tipo meia cabeleira, enquanto o da rica ganhou o formato de bigodinho de Hitler.
O ECLÉTICO E EFICIENTE WALTER GALVÃO
Walter Galvão é um dos profissionais de imprensa mais ecléticos da Paraíba. Intelectual conhecido e reconhecido,bom de escrita, tanto escreve fácil como escreve difícil, e na hora de topar um desafio ele topa e vence. Agora mesmo, guindado à condição de editor chefe do Correio da Paraíba, foi desafiado a editar, também, aquele jornalzinho de 25 centavos que está sendo o maior sucesso de vendas e público na cidade e em alhures. Topou fazer o jornal e o jornal não dá pra quem quer.
Claro que esse acontecimento não me surpreende. Conheço Galvão de longas datas, sei de sua capacidade. É humilde, não ostenta o que sabe, quem o encontra pensa que ele é o rapazinho responsável pela entrega da pizza, pela vigilância do prédio, pelo abastecimento do gás. Não se exibe, e é nisso onde reside a sua maior qualidade. O bom não precisa dizer que é bom para ser visto como tal. Mostra, na hora H demonstra e convence.
Quando vi Galvão pela primeira vez ele ainda não estava na militância da imprensa. Eu já era, ele não. Cantava. E cantava bem. Eu estava numa festa dançante, não lembro se no Astréa dos bons tempos, quando um cantor agalegado, franzino, usando oculos fundo de garrafa, deu de garra do microfone e mandou brasa. Muita gente parou de dançar para escutar. Eu estava sentado, tomando uma, continuei sentado, pedi outra para comemorar a música e dali em diante tornei-me macaco de auditório do artista. Mais tarde nos vimos na redação de um jornal, nos tornamos amigos, tivemos esquenta rabos como todo jornalista tem,mas sempre nos respeitamos.
Depois do jornal, Galvão foi ser secretário de Ricardo Coutinho. Foi da Educação, deu um show. Tiraram-no para outra Pasta, uma tal de Transparência e lá estava Galvão transparecendo tudo. Ricardo Coutinho o colocou para instalar uma TV pública, uma TV de intelectuais ,e Galvão instalou. Agora Galvão recebe intimação do Correio para substituir a até então insubstituível Lena Guimarães e Galvão não só substitui como apaga as saudades que o leitor tinha de Lena. Não satisfeitos, botam Galvão para fazer um jornal tipo sensacionalista, povão, e Galvão dá conta do recado.
Se me fosse dado o direito a voz e voto nessa eleição para escolha de quem vai sentar na cadeira de Crispim,na APL, eu não teria a menor dúvida: empunharia a candidatura de Galvão e exigiria que sua eleição fosse por unanimidade, por aclamação.
Porque hoje é sábado
Os que estão acostumados com a coluna descontraída do sábado vão estranhar o jeito triste como o Porque hoje é Sábado começa. Um amigo do peito morreu. Amigão mesmo, pessoa da mais alta estima. Amigo jovem, com muita estrada pela frente, com muitos projetos para cumprir. Foi traído pelo coração, esse bicho que nos traz emoções de diversos tipos, inclusive a emoção que mata, a emoção do desgosto, da tristeza. Falo de Zé Barros, o amigo de Princesa que o coração nos tirou. Logo ele, dono de um coração enorme, cheio de solidariedade, amizade, amor e emoção.
Marido de Nilce, a amiga, a prima, a filha do amigo Oswaldo, pai de Gabriel, filho de João Barros, irmão de Sineide e Soraya, Zé Barros era uma pessoa modesta, mesmo tendo condições de ser arrogante. Tinha a modéstia e a simplicidade dos bons, por isso tantos lhe queriam bem.
Foi portador de uma doença inesperada, doença que provavelmente concorreu para sua morte prematura, mas mesmo doente sabia ser uma pessoa querida, amada e respeitada entre os seus.
Falar de Zé Barros numa hora dessas é difícil. Não que seja difícil exaltar suas qualidades. Isso não . É difícil por causa da emoção que enche o peito deste velho escriba. Por isso, paro por aqui. Nada do que disser será capaz de externar o que meu coração sente.
Mas a vida continua e nós continuamos com ela, até que um dia sejamos intimados a deixá-la. Vamos então em frente que atrás vem gente.
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O nome da semana foi o ex-deputado Gilvan Freire, o homem dos mil amores. Agora seu amor da vez é Veneziano Vital do Rêgo. Muitos acham que Gilvan é volúvel. Prefiro achar que ele procura o seu aconchego. Os outros a quem amou negaram-lhe pão e água. Veneziano decerto lhe ofereceu o apoio de que carecia e Gilvan está apenas externando a sua gratidão.
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Pior é o que estão fazendo com o senador Cícero Lucena, homem fiel, solidário, disposto ao sacrifício para ajudar os amigos, agora jogado num canto de parede em nome de um amor novo que nem se sabe, pela inconstância dos seus sentimentos, se fica.
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O poeta Feitosa Nunes volta a apresentar seu programa de poesias nordestinas nesta segunda, das cinco às seis, na Rádio Líder de Santa Rita. É Tony Show mostrando a competência conhecida e elevando a audiência da rádio de Severino Maroja.
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Se engana com o governador Zé Maranhão quem quer. O homem já provou por A mais B que é bom de voto e de urna. Por isso o pessoal adversário dele se caga de medo quando o enfrenta nas urnas.
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E agora lá se vão meus abraços para Ulysses Assis, Agnaldo Almeida, Sanny Japiassu, Heraldo Nóbrega, Padre Albeni, Antonio Maximiano, Beto de Agnaldo, Carlos César, Durval Lira, Erialdo Pereira, Frederico Virgulino, Guido da PGE,Italo Kumamoto, Jota Ferreira, Luiz Nunes, Marcone Formiga, Neno de Mirabeau, Ovídio Mendonça, Paulo Josafá e Venancio Medeiros.
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E para variar, mais uma chegada de Marcos Pires:
O velho Padre, durante anos, tinha trabalhado fielmente com o povo africano,
mas agora estava de volta ao Brasil, doente e moribundo, no Hospital Geral de Brasília,
é notícia e manchete midiática da hora. Já nos últimos suspiros,
ele faz um sinal à enfermeira, que se aproxima.
- Sim, Padre? diz a enfermeira.
- Eu queria ver dois proeminentes políticos antes de morrer, sussurrou o Padre.
- Acalme-se, verei o que posso fazer, respondeu a enfermeira.
De imediato, ela entra em contacto com o Congresso Nacional;
e logo recebe a notícia: ambos gostariam muito de visitar o Padre moribundo.
A caminho do Hospital, Jader Barbalho diz a Renan Calheiros:
- Eu não sei porque é que o velho padre nos quer ver, mas certamente que
isso vai ajudar a melhorar a nossa imagem perante a Igreja e povo,
o que é sempre bom.
Renan Calheiros concordou.
Era uma grande oportunidade para eles e até foi enviado um comunicado
oficial à imprensa sobre a visita.
Quando chegaram ao quarto, com toda a imprensa presente,
o velho Padre pegou na mão de Jader Barbalho, com a sua mão direita,
e na mão de Renan Calheiros, com a sua esquerda. Houve um grande
silêncio e notou-se um ar de pureza e serenidade no semblante do Padre.
Renan Calheiros então disse:
- Padre, porque é que fomos nós os escolhidos, entre tantas pessoas,
para estar ao seu lado no seu fim?
O velho Padre, lentamente, disse:
-Sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo
o Nosso Senhor Jesus Cristo.
-Amém, disse Jader Barbalho.
-Amém, disse Renan Calheiros.
E o Padre continuou:
-'Então... como Ele morreu entre dois ladrões,
eu queria fazer o mesmo....!!!
OS GREVISTAS DE CAMPINA
Desde ontem que não consigo trabalhar aqui em Campina. Ali embaixo, diante do prédio da Secretaria da Administração da Prefeitura, uma meia dúzia de três ou quatro manifestantes estoura meus ouvidos com um carro de som no volume mais alto. Até parece que estamos no fim do mundo, num país sem ordem e sem lei onde a lei do silêncio não merece respeito.
São grevistas, posso entender pelos gritos que daqui escuto. Espio pela janela, vejo um sujeito que é a cara de Dalmo Oliveira, aquele que disputou a presidência do Sindicato dos Jornalistas, comandando os discursos. Ao lado dele uma moça loira, com jeito do Paraguai, coça a bunda. Perto dela, uma gorducha enfia o dedo na venta e tira de lá meio quilo de catôta. E enquanto os outros gritam "garis unidos, jamais serão vencidos", ela faz bolinha com o produto da retirada. Arredonda a catôta, endurece e depois atira como se fosse uma bola de gude. Dá pra ver a bola grudando no cangote de uma velha que é a cara de Izinete Brasil.
Eles não botam uma musiquinha para desanuviar o ambiente. É só grito, palavrões, achincalhes, bravatas, uma zoada de torar o tímpano de um mouco. E não cansam. Pararam um pouquinho para o almoço e logo depois recomeçaram, sem dar tempo para a sesta ou para o arroto pós comida.
É um bolinho de gente, não dá nem pra assustar o trânsito, Só nota quem escuta, de vista não há quem veja muita coisa, só os gatos pingados, a meia dúzia de três ou quatro com jeito de galinhas dangolas, aquelas que não crescem mas se esganam mais do que um batalhão inteiro de viados campestres.
Vou esperar o dia seguinte. Se a zoada continuar, pedirei transferência. Ou então clamarei por uma internação na clínica de Carneiro Arnaud, aquela que cuida dos zói, das zureias e dos ouvidos.
A PREFEITURA E A IGREJA
A Prefeitura de João Pessoa decretou guerra à Igreja Católica Apostólica Romana do arcebispo Dom Pagoto. Negócio de calote. A igreja deve mais de 1 milhão de impostos à Prefeitura, não quer pagar, a Prefeitura quer receber e se estabeleceu o impasse. Fosse um de nós, Ricardo já tinha mandado a Procuradoria executar e penhorar nossos troços. Mas como o buraco é mais embaixo no caso de Dom Aldo, fica o disse-me-disse, o devo não devo, o pago não pago.
A igreja é rica. Tem imóveis a perder de vista. É o único ramo de negócio que não dá prejuízo nem decreta falência. Vende fé, salvação, milagres. E recebe dízimo. Dizem que os dízimos são sagrados, coisa do céu, usados para arrebanhar almas para Deus. Mas no caso da Igreja Católica Apostólica Romana, também serve para financiar pedofilia de padre tarado, queimança de rosca de padre gay e para encher as burras do Banco do Vaticano. Por isso não se entende essa regalia de se dispensar a igreja do pagamento de impostos, taxas e similares. Ela tem imóveis, aluga o patrimônio, recebe o aluguel, aqui em João Pessoa explora até estacionamento rotativo como aquele que fica nos fundos do Palácio do Bispo, sendo, por isso, uma empresa que, como toda empresa, tem obrigação de pagar seus compromissos com o Fisco e com a Prefeitura.
Não venham me dizer que o prefeito age assim porque é ateu. É não. Se fosse, não recebia os mimos de Frei Anastácio e o assédio de Padre Couto, o barbudo oferecido que quer a todo custo ser senador na chapa de Ricardo Coutinho. Aliás, o chamado coletivo de Ricardo tem mais da metade dele integrado por gente da igreja. O restante é que sobra para os comunistas de suvacos cabeludos e cabelos cheios de pulgas, para os socialistas adoradores de baco e para os vanguardistas que em tudo o que falam botam a palavra "questão".
Se o prefeito cobra dinheiro da igreja,o faz com senso de justiça, com vontade de tratar a todos de uma forma igualitária. Se Duri-Duri do Geisel é obrigado a pagar o IPTU, se Renato perna de pau do Funcionários II tem que desembolsar a taxa para seu bar funcionar, se Antonio Ivan dá trambiques em todo mundo mas não pode trambicar com a Prefeitura, se Madame Jô paga o espaço do Grotão para manter suas quengas, por que Dom Aldo tem que ser bonitinho e nada pagar?
Nesse fuá estou com o prefeito. E só deixarei de estar se ele bater pino e resolver dar um revestrés na sua decisão, perdoando os pecados do arcebispo.
Porque hoje é sábado
O Governo do presidente Mané Inácio só mandou cinco milhões de reais para socorrer os desabrigados das chuvas da Paraíba. O grosso do dinheiro foi para o Maranhão de Sarney e para Santa Catarina de Luiz Henrique, aquele mesmo que o TSE não tem coragem de cassar.
Forma mais estranha de agradecer a caieira de votos que demos a ele, Mané Inácio, nas eleições passadas. O homem saiu daqui com a unanimidade dos votos. Serra obteve gatos pingados, o resto foi tudo de Mané Inácio e agora Mané Inácio manda pra nós o sobejo, a sobra, a ninharia, a merreca.
Tenho dito e repito: a Paraíba se acocora diante do poder central porque nos falta um João Agripino, um Zé Américo, um político de peso que suba na tribuna da Câmara ou do Senado e se faça respeitar. Agora a gente está lascado ao meio com os Wilson Santiago da vida, com os Armando Abílio cocô de louro, com os Mané Júnior com pinta de galã de novela e com outros similares que só pensam naquilo. Salva-se um Wilson Braga, que mesmo velho e cego, consegue sobressair-se no meio da mediocridade.
Chorar, pra que? Nóis sofre, mas nóis goza, já me dizia finado Bosco Coxim. Em 2010 vamos votar em Dilma, a mando de Lula, porque é assim que tem que ser. A Paraíba é um amontoado de servidão e Lula sabe disso. Tanto sabe que nos dá o sobejo e nós agradecemos penhorados.
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O Hospital da Unimed fede a sujeira. Vim de lá agora. O banheiro da rodoviária velha é mais limpo do que o do apartamento que visitei.
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Ricardo Coutinho e Zé Maranhão estão definitivamente rompidos. Falta só registrarem o fato no cartório.
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Vem aí o forró dos monteirenses, dia 30, no Clube dos Médicos. Já o forró da Procuradoria Geral do Estado se dará dia 4, na Granja dos Promotores.
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João Pessoa está afundando debaixo de chuva. É agua pra mais de metro. Ruas alagadas é o que se vê. Já tem até sapo cururu pedindo abrigo, com medo de se afogar.
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O TSE anda adiando demais o julgamento de Jota Júnior. Parece até combinação.
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E agora lá se vão meus abraços para Largatixa Buchuda, Pedro de Brás, Antonio Lira do Ó, Nildo de Doca Ferraz, Dosca de Zé Lira, Anchieta Gualter, Tenório de Terto, Marco Antonio de Zenóbio, Wellington Aguiar de Decson, Chico Pinto de Zé Lacerda, Marcone Ferreira de Efraim, Fabiano de Nilvan, Maurílio de Quinto, Todynho de Cássio e Malvino de Wilson Braga.
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Mais uma de Marcos Pires:
Um velho doutor que sempre trabalhara no meio rural, achou que tinha chegado a hora de se aposentar depois de ter exercido a medicina mais de 50 anos !
Ele encontrou um jovem médico para o lugar dele e sugeriu ao novo
diplomado que o acompanhasse nas visitas domiciliares, para que as pessoas se habituassem a ele progressivamente.
Na primeira casa uma mulher queixou-se que lhe doía muito o estômago.
O velho doutor respondeu-lhe:
- Sabe, a causa provável é que você abusou das frutas frescas... Por que não reduz a quantidade que consome ?
Quando eles saíram da casa o jovem disse:
- O senhor nem sequer examinou aquela mulher... Como conseguiu chegar ao diagnóstico assim tão rápido ?
- Oh, nem valia a pena examiná-la... Você notou que eu deixei cair o estetoscópio no chão ? Quando me abaixei para apanhá-lo, notei que havia meia dúzia de cascas de mangas, um pouco verdes, no balde do lixo. É provável que isso lhe deu as dores. Na próxima visita você se encarrega do exame.
- Humm ! Que esperteza ! Eu penso que vou tentar empregar essa técnica.
Na casa seguinte, eles passam vários minutos a falar com uma mulher ainda jovem. Ela queixava-se de uma grande fadiga:
- Eu me sinto completamente sem forças...
O jovem doutor disse-lhe então :
- Você deu provavelmente muito de si para a igreja... Se reduzir essa atividade, talvez recupere um pouco de sua energia.
Assim que deixaram aquela casa, o velho doutor disse para o novo :
- O seu diagnóstico surpreendeu-me... Como é que chegou à conclusão que aquela mulher se dava de corpo e alma aos trabalhos religiosos ?
- Eu apliquei a mesma técnica que o senhor me indicou :
deixei cair o meu estetoscópio e, quando me abaixei para o apanhar, vi o padre debaixo da cama...!!!
FALSÁRIOS E MENTIROSOS
Um advogado, secretário geral de um partido, vai ao juiz e diz, sob juramento, que o vice-presidente da legenda falsificou uma ata. O caso causou reboliço como não poderia deixar de causar. Afinal, trata-se de um dirigente partidário fazendo graves acusações a um colega de Diretoria, e, mais grave ainda, diante de um juiz.
O senhor Edir Mendonça, secretário do PSB, acusou o secretário e vice-presidente Edivaldo Rosas de falsificar a ata que proíbe o deputado Guilherme Almeida de assumir uma Secretaria no Governo do Estado. Coisa séria, capaz de dar cadeia, eis que falsificação é crime.
Pois bem, meus amigos, hoje surgiu o vereador Zezinho do Botafogo para dizer que Edir Mendonça deu falso testemunho em troca de um emprego na CBTU . Tal emprego, segundo Zezinho, foi arranjado pelo deputado Manoel Júnior e o troco seria Edir Mendonça comparecer em Juízo para mentir.
O vereador Zezinho garante que Edir Mendonça conhece a ata proibitiva, que no dia da sua elaboração fez troça com a futura posse de Zé Maranhão no governo e agora lamenta que ele, em troca de um emprego, tenha mentido na justiça.
Não sei quem é mais criminoso, mentiroso e falsário nessa história. Edir Mendonça, o mentiroso de Zezinho do Botafogo; Zezinho, o mentiroso escalado para desmoralizar Edir Mendonça; Edivaldo, que teria falsificado a ata ou o próprio prefeito, que tocou foco no monturo e saiu de perto para não se chamuscar.
Sobra a figura do deputado Manoel Júnior, o empregador do mentiroso no dizer de Zezinho. Júnior foi vice de Ricardo Coutinho no primeiro mandato dele. Os dois eram unha e carne. Se Ricardo ia a um lugar, lá estava Manoel no seu mocotó. Uma união estável, daquelas que só seria apartada com a morte. Agora vem essa de Zezinho. Os dois, enfim, estão separados. Ricardo é um casador notável e um separador inimitável. Mas desse casamento muitos achavam que não sairia divórcio. Zezinho divorciou a dupla mais unida da política de João Pessoa. E ainda de quebra descobriu um mentiroso, o Edir Mendonça, que terá de provar a sua inocência sob pena de vir a responder pelo crime previsto no artigo 342 do Código Penal, cujo teor eu trancrevo:
Art. 342 – Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou interprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral. Pena – RECLUSÃO, DE UM A TRÊS ANOS E MULTA.
Que Edir se explique, mostre que não mentiu ou, se mentiu, aguente as consequência. Já no caso de Zezinho, bem, ele poderá se safar alegando a conhecida ignorância, falta de saber e absoluto desconhecimento das “leizes”.
O SÍTIO DA NOÊMIA
O sítio da Noêmia fica no meio da estrada que vai a Jacumã. Na beirada da ladeira, do lado direito de quem vai, avista-se a placa singela, como singelo é o sítio de dona Noêmia. Uma casa pequena, que já foi de taipa e hoje é de tijolos, uma latada adiante, mangueiras frondosas ao redor e galinhas ciscando o chão junto com os netos da proprietária, formam a paisagem do lugar.
É nesse canto tão simples e acolhedor que o viajante, cansado de ver tantos prédios e tanta pista, descansa e come uma galinha de capoeira cujo tempero o faz lembrar da comidinha caseira dos tempos de nossas mães, lá no sertão distante.
A galinha de Noêmia é cozinhada na graxa, aquela graxa gostosa, que desce pelo canto da boca enquanto o comedor esquecido do mundo morde a cabeça do osso, chupando o tutano e querendo mais.
Tudo em Noêmia é diferente. Não existem talheres sofisticados. Você come com um garfo do cabo amarelo e corta a carne com uma faca do cabo azul. Nada de coisa padronizada ou chique. Somente o tempero é que obedece um padrão imutável e inimitável.
A guarnição da galinha é na base do feijão verde, cuscuz de milho e arroz. Quem gosta de pimenta, se deleita com um molho gostoso que ela mesma prepara ou então come ao vivo, tirando do pé que cresce ao lado das mesas.
Para beber, tem cerveja gelada e cachaça Triunfo, esta última servida em meia garrafa, gelada de doer na sinusite. O mar distante é avistado das mesas, pois o sítio de Noêmia fica num alto privilegiado, que também oferece visão de paisagem a quem está lá.
Deve ser por todas essas qualidades que o sítio de Noêmia é visitado a cada fim de semana por mais gente. Até figurões em belos carros aportam no sítio para comer galinha na graxa, com feijão verde, cuscuz e arroz, beber cerveja e cachaça Triunfo e levar beliscões das galinhas que pastam na terra solta do piso humilde.
Dona Noêmia é uma cabocla bonita, ainda jovem apesar de avó, que atende a todos com um sorriso nos lábios e muita boa vontade. O segredo do seu tempero não revela, no que faz muito bem. Mas eu acho que o segredo dela reside na simplicidade do seu viver e no paraíso do seu morar. Naquele sitiozinho onde a paz reina absoluta, tudo o que for feito será bem feito, inclusive a galinha na graxa com feijão verde, cuscuz e arroz, responsável pela quebra do meu regime no fim de semana passado.
Porque hoje é sábado
Por que será que o sujeito afável, bonzinho e humilde, ao assumir um cargo de autoridade muda de jeito, incha feito um cururu e passa a sentir-se Deus? Conheço muitos assim. Com muitos convivi e ainda convivo. Vejo-os no dia a dia dando bom dia a todo mundo e depois os vejo nomeados para secretário de alguma coisa, diretor disso e daquilo, com as personalidades totalmente mudadas. E são pessoas sem cura. Muitos já se tornaram ex, voltaram ao estágio inicial, perderam a pose, recomeçaram a jornada dos humildes,mas, ao serem convidados de novo para o cargo de autoridade, novamente botaram o rei na barriga e viraram onipotentes.
Um amigo aqui do lado garante que isso ocorre com pessoas recalcadas, doentes, com complexos de inferioridade. Não sei, só sei que meus dois conhecidos que se encontram outra vez numa Secretaria do Estado, voltaram a encher o papo de vento e só não voaram ainda porque as asas que lhe deram não chegam a tanto. Mas, como falta ainda algum tempo para o Governo terminar, não duvido muito que terminem voando pelos ares de Bayeux, Santa Rita e Tabaco da Jumenta.
Só espero que desta vez, ao contrário de outras vezes, não botem os pés pelas mãos, confundindo o que é público com o que é privado. Isso é feio e recomenda mal. E se lembrem também que, além de casados, não possuem mais idade para tantas fornicadas.
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A feira da moda do Espaço Cultural, que visitei sexta-feira, vale a pena ser vista. Tem muita coisa boa e barata, sapatos de Franca, São Paulo, a preço de 100 reais (aqui no Manaíra Shopingo as imitações custam 300), roupa, comida, até vinho do Rio Grande do Sul você bebe a 3 reais o copo. Uma beleza. Vá e experimente, porque termina domingo.
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O PSB deveria deixar de coisa feia e dispensar o deputado Guilherme Almeida de continuar na legenda. Até parece birra de menino buchudo!
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Sem querer ser vidente e sendo, aposto como, no ano vindouro, nos palanques para a disputa de governador, de um lado estarão Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho e do outro Zé Maranhão, Veneziano e Cícero Lucena.
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Encontrei no cafezinho do São Braz ali no Manaíra, no maior papo do mundo, Fred Menezes, a noiva de Fred Menezes e o jornalista Luiz Torres, tendo na mesa o notebook ligado trazendo as fofocas do dia e na conversa as minúcias da sexta com previsões de nuvens nubladas para o final de semana.
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Dia 30, aqui em João Pessoa, o Forró dos Monteirenses, promoção do tampa de furico Geordie Filho, o maior jornalista do cariri.
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Emocionante. Deveria ser gravado em DVD e vendido nas lojas, o programa do padre Albeni com Pinto do Acordeon. Emocionou até a quem não tem emoção. Beleza pura. Albeni se firma na TV e vai longe.
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Quem anda dando um cu leso é aquele colunista metido a machão, porém quando bebe duas taças de vinho solta a franga e passa a se chamar de Natália.
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Alguém aí pode informar onde anda escrevendo o jornalista Gonzaga Rodrigues?
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Locutor de rádio aqui da Paraíba foi entrevistar aquele fedelho Rodrigo Maia, que por ser filho de quem é se elegeu deputado federal e foi guindado à Presidência do DEM e, em vez de perguntar, fez um discurso dizendo que o menino era a maior liderança política do Brasil. Fiquei com vergonha.
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Afinal, Quinto de Marcos Odilon rompeu ou não rompeu com Maranhão?
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E a estrada Teixeira\Princesa, sai ou não sai?
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Polícia Militar de Brasília está sem comandante, afastado por corrupção.
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Conheço uns dois coronéis da PM-PB e um delegado da Polícia Civil da Paraíba que são gays assumidos.
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E agora lá se vão meus abraços para Veronese Lima, Vitalzinho do Rego, Fabiano Gomes, Roberto Costa de Luna Freire, Agnaldo Almeida, Paulo Santos, Leila da União, Antonio David Diniz, Josinaldo Malaquias, Oritilo Antonio, Hilton Gouveia, Wellington Fodinha, Marcone Ferreira, Efraim Morais, Faixa Varandas, Edvaldo Rosas, Nonato Bandeira, Nelson Cabeção, Chagas de Sabe Tudo, Chagas de Chica da Lage, Miguelzinho Lucena e Edmilson Lucena.
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E lá vem de novo Marcos Pires, com seu inesgotável repertório:
PARA AQUELES QUE DIZEM QUE 'ESPANHOL É FÁCIL'
E QUE É QUASE IGUAL AO PORTUGUÊS... Traduza a frase abaixo:
'La vien un tarado pelado com su saco en las manos corriendo atraz de la buseta.'
TRADUZIU?!?!? TEM CERTEZA??? CONFIRA:
'Lá vem um tonto careca com seu paletó nas mãos correndo atrás do microônibus.'
Pois é... Além de não saber Espanhol, só pensa em sacanagem!!!!!
Guerra ao celibato
A igreja católica precisa rever esse negócio do celibato obrigatório aos padres. Seria uma maneira de acabar com esse amontoado de denúncias apontando padres envolvidos em pedofilia e noutros casos sexuais que provocam manchetes e desacreditam a igreja. Agora mesmo aparece um padre em Santarém, lá nos cafundós da Paraíba, patrocinando orgia sexual. O bicho, buchudo e safado, se filma e filma um casal de amigos fornicando na cama da casa santa e, não satisfeito, botou tudo num blog que leva seu nome,como se estivesse fazendo a coisa mais sacerdotal do mundo.
E outros casos se repetem, ficam acumulados, todos eles mostrando os padres enrabando criancinhas, dando o furico, lambendo xoxotas, botando chifres em maridos devotos, desonrando filhas de Maria, descabaçando freiras e aumentando a prole, que, segundo aquele primo de Jonhson Abrantes, é sempre grande, grossa e dura.
E não pensem que isso começou agora, com o advento dos hormónios da galinha de granja. Desde os tempos de antigamente que a gente vê padres fazendo coisas além da batina e da missa. Na minha Princesa, por exemplo, Frei Cirilo ficou famoso pelo monte de cabaços que arrancou e pelos incontáveis casos amorosos que manteve com mulheres casadas. No mesmo convento, Frei Terésio se notabilizou pelas furicadas. Recebia meninos no convento e dava a bunda em troca de ingressos para o Cine Santa Maria, que administrava. Sem contar com as pedofilias de João Mandu, um leigo com jeito de santo que adorava um galetinho em formação.
Por aqui, também nem se fala. Segundo Wellington Aguiar, um padre velho matou e esquartejou uma mulher que lhe negou priquito. Isso aconteceu no século XVII, lá pelas bandas do Convento de Santo Antonio. Mais recentemente, um outro padre, muito famoso pela oratória, comeu tanta mulher que terminou levando um tiro de marido ciumento, terminando seus dias coxo de uma perna.
Teve um caso em Sousa onde um padre foi acusado de comer uma costureira e o delegado, querendo detalhes, perguntou se o dito havia tirado a batina. A moça, cândida, respondeu: "Precisou não, doutor. Ele levantou e segurou com os dentes".
Minha mãe, dona Emília
Minha mãe morreu de madrugada, sozinha, numa cama de hospital. Na tarde anterior, durante as visitas de domingo, ela insistiu em sair dali, ir para casa, ficar com os filhos. Não deixamos. Para ela seria melhor o hospital, o soro na veia, a enfermeira cuidando. E para nós, claro, seria mais cômodo não ter que vigiar a doente dependendo de tudo e não nos deixando dormir.
Na madrugada que se seguiu, minha mãe morreu sozinha, sem enfermeira ao lado, na companhia de suas companheiras de enfermaria, de desventuras. Quando o dia nasceu e o telefone tocou logo cedo, fácil foi adivinhar a notícia mesmo antes dela ser transmitida: dona Emília havia morrido durante a madrugada, de infarto.
Minha mãe sofrera um AVC que a deixara sem fala e sem os movimentos do corpo. Sofreu em cima de uma cama durante seis meses. Foi tentado tudo para lhe devolver os movimentos, mas, infelizmente, ela não reagiu. Nesse período, baixou ao hospital três vezes, com o AVC se repetindo e o coração dando sinais de fraqueza.
Ela criou nove filhos. Criou de verdade, dando carinho e assistência. Seus meninos continuaram meninos, jamais envelheceram. E ela ficava muito feliz com a presença deles ao redor de sua mesa, na casinha do Geisel, nos encontros fortuitos dos fins de semana. Caprichava no feijão verde, na carne de bode, na galinha de capoeira e nas canções de saudades que entoava com sua voz de deusa, sob os acordes do cavaquinho de José, o mais velho dos filhos.
Dizem que criamos os filhos para o mundo, que eles deixam de ser nossos quando se casam. Mamãe não achava isso. Seus meninos jamais deixaram de ser dela.Nós, os filhos, muitas vezes sumiamos durante a semana, deixando-a sozinha, curtindo a viuvez e as lembranças. Mas quando aparecíamos nos fins de semana, vinha aquele abraço, aquele beijo doce,reacendia o brilho dos seus olhos e ela esquecia de reclamar pelo abandono dos dias anteriores.
Um abandono ditado pelo comodismo e pela preguiça. Um abandono que agora nos acomete, o mesmo abandono de dona Emília, repetido nos filhos de dona Emilia pelos filhos dos filhos dela. Mas que é jogado na vala do esquecimento assim que nossos meninos surgem à porta para a visita domingueira.
Hoje eu não vou festejar o dia das mães como fazia antigamente. Dona Emília não tem mais o feijão verde com galinha de capoeira na casinha do Geisel. Ela foi morar noutra casa, noutro mundo, aos pés de Deus. Irei,claro, visitá-la no cemitério. Na sua cova, depositarei uma flor, simbolo de saudade. E lhe direi bem baixinho, somente para ela ouvir, que seu menino sente muito a sua falta.
Porque hoje é sábado
Aquela previsão de que o sertão viraria mar está perto de se cumprir. Quem for ao sertão verá os campos verdes, os açudes cheios, as margens das estradas com água formando lagoas à cada 100 metros, as roças viçosas anunciando fartura e as ruas das cidades alagadas. Um cenário diferente, pouco visto naquele mundo de tantas carências, de tanta seca.
Estive na região de Princesa e, para lá chegar, cortei meio Estado da Paraíba. De Campina em diante, só tem verde, água e chuva. Estamos em abril, perto de maio, com o toró descendo igual ao começo do inverno. Os grandes açudes encheram e sangraram. Sangrou Coremas, sangrou São Gonçalo, sangrou o Jatobá de Princesa, sangrou o Açude Velho com sua fábrica de bosta, em suma, é um sangradouro só de Cabedelo a Cajazeiras.
Na cidade de Princesa as ruas ficam alagadas com as chuvas. Você não consegue andar, de carro anda com dificuldade, digo de carro pequeno, porque no carro que o prefeito comprou, um enorme carro de luxo, coisa de primeiro mundo, você atravessa até o mar. Dizem que na Prefeitura o prefeito e os seus auxiliares mais próximos tomaram gosto por carrões. Andam na cidade ostensivamente, mostrando o progresso financeiro que experimentam na nova fase da cidade. Deve ser por causa da chuva.
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Gilvan Freire, que amava Cássio, que amava Cícero, que amava Efraim, que amava Ricardo Coutinho e que odiava Maranhão, agora odeia Cássio, odeia Efraim, odeia Cícero, odeia Ricardo Coutinho e ama Maranhão.
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Sabia não, fiquei sabendo ontem. Aquela estrutura que abrigava a Casa da Cidadania no Manaíra Shoping foi toda erguida com o propósito único, exclusive e intransferível de abrigar a Casa da Cidadania. Trocando em miúdos: o dono do shoping construiu uma área só para a Casa da Cidadania, por encomenda mesmo. Agora vai ter que readaptar o local para outros fins.
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O deputado Márcio Roberto continua governista, como, aliás, tem sido desde que assumiu o mandato, porém não quer conversa com o líder Gervásio Maia, de quem diverge na região de Catolé do Rocha. Resumindo: Roberto anseia pelos favores governistas, mas quer recebê-los em franca oposição ao colega de partido.
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O escritor Wellington Aguiar está com algum problema de saúde. Quem o vê caminhando pelo Manaíra Shoping sente isso. Anda arrastando as pernas como se estivesse enxugando o chão. Tomara que fique bom.
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Aquele fuzuê na Câmara de Princesa foi muito mais sério do que se pensava. O vereador arrombou quatro portas até destruir o resto do patrimônio da Câmara e fez isso transmitindo cada detalhe pelo celular, para um colega. O pior e mais grave é que não vai ser punido, sequer denunciado. Não fizeram nem mesmo uma perícia para avaliar os estragos.A esperança é o Ministério Público intervir. Se é que vai.
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Zé Alan Abrantes esteve em João Pessoa esta semana cuidando de ajeitar a sua gratificação no contra-cheque estadual, que foi reduzida.
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E agora lá se vão meus abraços para Paulo Josafá, Fernando Pires, Antonio Geovani Pontes, Barroso Pontes, Marcone Ferreira, Zé de Edezel. Anco Márcio, Marcone Formiga, Irapuan Sobral, Anchieta de Carlota, Carlos Aquino, Paulo Costa, Cardivando de Oliveira,Cândido Nóbrega, Ianko Cirilo e Manoel Paulino da Costa.
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Esta aqui foi mandada pelo sempre jovem Faixa Branca Varandas:
Uma freira gaúcha, moradora do Convento Santa Inês de Rio Grande, na hora da morte, pediu para escreverem no seu túmulo:
Nasci virgem
Vivi virgem
Morri virgem
O coveiro achou que eram muitas palavras e escreveu:
Devolvida sem uso
Valdeno Brito e os 100 mil do Governo
Não é justo, tampouco correto, o Governo doar todo mês 100 mil reais a um corredor de carros que vive viajando por aí na boa vida, enquanto pobres atletas comem feijão puro, treinam descalços e não têm dinheiro sequer para pagar o onibus. Por isso agiu certo o Governo do Estado ao suspender a dinheirama que depositava todo mês na conta de Valdeno Brito, para ele correr de stock car pelas pistas do mundo.
A Paraíba é pobre, vive com o pires na mão, tem problema com enchentes, seus funcionários ganham uma miséria, mendigos invadem as esquinas das cidades pedindo trocados, catadores de lixo lambuzam os tambores depositados nas portas dos edifícios comendo com gula os sobejos dos mais afortunados, e um Estado miserável como o nosso não pode se dar ao desfrute de desembolsar, à cada fim de mês, 100 mil reais para financiar o luxo do senhor Valdeno Brito.
Ele pode até ser um herói das pistas, privilégio que nem todo mundo tem, mais por carência financeira do que por talento, mas não deverá sê-lo com o dinheiro público de uma Paraíba semi falida. Que arranje patrocínio por aí, que seja financiado pelas lojas Maia, rede que é sua por herança, já que pertence ao seu sogro, mas nunca com o suado imposto que sai do meu bolso, do bolso de Zé de Ana, de Antoim de Angélica, de Chico Rola e de tantos outros anônimos espalhados pelos becos e vielas dessa Paraíba sem jeito, vivendo nesse mundo cão.
Que ganhe seus títulos o senhor Valdeno, mas ganhe pilotando carros comprados pelos seus parentes ricos, donos de empresas de onibus, como os Brito da Real, os Britos da Transparaíba, os Britos da Guanabara e alguns outros cujos nomes não citamos para não promover, eis que são políticos profissionais.
Esses 100 mil que o Governo em boa hora suspendeu da conta bancária do senhor Valdeno, servirão para construir, todo mês, 10 campos de futebol, financiar escolinhas para escolha de jogadores, pagar as despesas das atletas de natação do Dede e botar grama no campo do Funcionários II, local onde os peladeiros correm atrás do sonho de um dia virarem jogadores profissionais e elevarem o nome da Paraíba nos gramados do mundo.
Quem nasceu em berço de ouro como o senhor Valdeno Brito deve, isto sim, repartir o muito que tem com os que nada possuem, em vez de ficarem sugando as tetas magras e sem leite de um Estado atolado em dívidas, em enchentes e em desesperanças.
Porque hoje é sábado
O paraibano é doido por política. Come e respira política, embora na hora de votar faça as piores escolhas. Temos os piores deputados, senadores que chegam ao Senado mudos e saem calados, governadores(nem todos) que transformam o Governo em extensão de suas empresas particulares e, como se tudo isso fosse pouco, elegemos os prefeitos mais ladrões do mundo(nem todos).
Nas Prefeituras vemos alcaides (quem inventou esse nome foi Nadja Palitot) que empregam as esposas, as putas, as irmãs, os primos, os sobrinhos e as piniqueiras, alegando que precisam se cercar das pessoas de sua inteira confiança. Na hora de pedir o voto não dizem isso, mas precisam das pessoas de confiança para roubar, meter a mão na cumbuca, encher o rabo de dinheiro público e se fazer na vida. Viram como eles saem ricos?
Prefeitos entram nas Prefeituras puxando uma cachorra e de lá saem pilotando peruas do estrangeiro. Entram com o fundo puído de uma calça jeans e saem escovados, lordes feito um fidalgo. Tem um aqui pertinho de João Pessoa que até papada ganhou, de tanto passar bem.
Mas não são apenas os prefeitos. São quase todos os que se elegem. Contamos nos dedos os honestos, os dignos, os decentes, que por terem estas qualidades entram no poder pobres e saem fudidos e mal lavados.
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Hoje é dia de Zezão, lá no Geisel, com seu pau dentro destampador de bueiro, aquele que o sujeito engole, solta um peido e o fundo da calça vai junto.
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Otacílio Trajano montou residência em Jacumã, de onde dita ordens e determina atos. O sujeito anda mais folgado do que xoxota de idosa. Ele e Damasceno da Pousada do Zeks só pensam naquilo. Damasceno, além do mais, vive lembrando que já enrabou Sonia Braga nos tempos de antanho.
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Já disse e repito, porque gosto do que é bom: o programa do Padre Albeni é o melhor da TV paraibana. Padre é show na TV. Agora no rádio, não sei porque diabos, ele fala apitando. Deve ser coisa preparada por Napoleão de Castro, aquele que pronuncia as palavras trocando o b pelo p.
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O prefeito Marcus Odilon dá entrevistas com um fastio danado. Fala com uma preguiça daquelas. Até parece que está fazendo hercúleo esforço para atender aos jornalistas. Coisa da idade, porque antigamente Odilon dava tudo e mais um pouquinho por um microfone.
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A praia de Jacumã virou o cu do mundo. Com as chuvas, buracos e mais buracos substituíram as vias de acesso. Para chegar a minha casa, no feriado, tive que obrar milagres, fazer voltas, pedir clemências. Cadê o prefeito?
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Concordo com Zé Luiz Júnior: o cabeludo Veneziano Vital do Rêgo está vivo e disposto a mostrar serviço.
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Tem um prefeito do sertão que não paga a um advogado amigo meu faz tempo. Embora defendido religiosamente pelo bacharel em direito, o prefeito queda-se no esquecimento na hora de puxar o talão de cheque.
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Wellington Aguiar continua intrigado com Zé Octávio. Coisa de intelectuais.
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Ademar Nonato faz programa de rádio em Sousa que é campeão de audiência. Se apresentasse o programa dele aqui, dava um show e ganharia a audiência de qualquer horário.
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E agora lá se vão meus abraços para Moab Leite Advincula, Geraldo Leite, João Alves,Agnelo Muniz, Severino do Itapemirim, Oswaldo Jurema, Cicero Florentino, Richomer Barros, Toinho Medeiros, Oswaldo Travassos, Toinho Samuel, Vavá Lima, Assis Liberalquino, Aldo Lopes, Clotilde Tavares, Professor Josa, Flavio Chola Morato, Venancinho Medeiros, Joás de Brito Pereira Filho, Luciano Pires, Wilson Braga, Glauce Burity e Antonio Delano.
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E lá vem Marcos Pires de novo:
Tolerância zero!!!
**Dicas de uma sexóloga radical e estressada, respondendo às perguntas dos ouvintes:**
1 - Tenho 20 anos e não transei ainda porque gostaria que a 1ª vez fosse com um namorado fixo. O que você acha?R: Vai ser difícil, todos eles se movem na hora H.
2 - O que fazer para surpreender meu marido que é meio tímido?
R: Apareça com um amante.
3 - Tenho um amigo que quer fazer sexo comigo, mas ele tem um pênis de 20cm. Acho que vai ser doloroso, o que faço?
R: Manda pra cá que eu testo pra você.
4 - Como faço para seduzir o rapaz que eu amo?
R: Tire a roupa! Se ele não te agarrar, cai fora que é gay.
5 - Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e agora estou com outro. Mas ainda gosto do ex e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?
R: Quem é mesmo galinha nesta história?
6 - Quero saber como enlouquecer meu namorado só nas preliminares.
R: Diga no ouvidinho dele: 'minha menstruação está atrasada..'
7 - Sou feia, pobre e chata. O que devo fazer para alguém gostar de mim?
R: Ficar bonita, rica e ser legal. Obviamente.
8 - O cara com quem estou saindo é muito legal, mas está dando sinais de ser alcoólatra. O que eu faço?
R: Não deixe ele dirigir.
9 - Por que, na hora do sexo, quando a gente está no vai e vem, na hora em que o corpo entra em atrito e faz aquele barulho de quem está batendo palmas, a gente fica mais excitado?
R: É porque parece que tem torcida, tá ligado? Da próxima vez grite pra galera
10 - Apesar do meu tamanho, eu tenho apenas 15 anos de idade e não tenho cara propriamente linda. O que fazer para conseguir comer umas gatas?
R: Nesta idade você tem que comer Sucrilhos, entende?
11 - Sou virgem e rolou, pela primeira vez de fazer sexo oral. Terminei engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!
R: Claro que corre o risco de ficar grávida. E a criança vai sair pelo seu ouvido.
12 - A primeira vez dói? Tenho 21 anos e ainda não transei porque tenho medo de doer e não agüentar.
R: Dói tanto que você vai ficar em coma e NUNCA mais vai levantar. Vê se deixa de ser fresca, e dá de uma vez, ô Cinderela!!!
13- Posso tomar anticoncepcional com diarréia?
R: Eu tomo com água, mas a opção é sua. Espero que use copo descartável.
Porque hoje é sábado
Alguns se espantam quando digo que faço sozinho o Blog do Tião. Besteira. Pior é Anco Márcio que faz sozinho o portal dele, bota as notícias e escreve a coluna, que sai todo dia e ele ainda se dá ao desfrute de adiantar até cinco colunas, que ficam no forno aguardando a data de chegar aos olhos do leitor. Sem contar que Anco também dá aulas em vários colégios de João Pessoa.
O mais novo talvez não saiba, mas existe uma turma da imprensa que veio do tempo da "tilogra", que buscava as notícias no chamado "carro de mocotó" ou andando de onibus, alguns deles, feito Jackson Bandeira, carregando nas costas um gravador de 15 quilos que mais parecia um fardo de algodão do que um filho da tecnologia. Nos velhos tempos da Rádio Tabajara Já-Já, como chamamos, gastava um sapato Cavalo de Aço por mês. Então, amigo, esse povo que veio de lá tem o couro grosso, não é como essa turminha de agora que só vai atrás de uma notícia se receber uma pauta do chefe de reportagem e se lhe derem um carro pra andar.
Esses luxos apareceram depois do curso de comunicação. O sujeitim chega ao jornal com ares de doutor e, querendo ser as pregas do véi quelé, começa a ditar luxos. Por isso que a imprensa da Paraíba deixou de dar seus furos, vencida que foi por certas figuras que preferem ceder seus "furos" particulares em noites indormidas nas bitocas e biroscas.
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Deixem o Quinto comemorar a generosa mídia que ganhou com seu efêmero gesto de rebeldia.Ele merece.
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O senador Cícero Lucena avisa que é candidato a governador e que Cássio Cunha Lima vai apoiá-lo sim senhor. Ele só não aceita fazer reunião na Estação Ciência, com medo de ser esmagado. Esse Cícero é muito malvado.
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Quem anda pelo centro da cidade de João Pessoa sente um fedor de bosta insuportável. Tem a impressão de que o mundo está todo cagado.
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Marcela Sitonio virou unanimidade. Todo mundo quer votar nela para presdente da API, que, assim, será presidida pela primeira vez por uma mulher.
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Cláudia Carvalho, a brava jornalista dos sete instrumentos, acaba de lançar um portal especializado só em política da terrinha. É o "Parlamento em Foco", que, como tudo o que Cláudia faz, vai dar certo sim senhor.
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Zé Maranhao não é besta de perder o apoio de Marcus Odilon, o homem que tem votos em Santa Rita. Tem mais é que ir ao seu encontro, dar-lhe um abraço e chamá-lo de volta ao seu aconchego.
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Todo dia escuto Marcos Marinho, na Campina 98 FM, quando me dirijo para Campina Grande. Antes dele, escuto Anacleto Reinaldo e Toni Show.
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Zé Luiz Júnior, vice-prefeito de Campina, manda avisar aos que estão anunciando candidaturas ao Governo do Estado,que o prefeito Veneziano Vital do Rego está vivíssimo e vendendo saúde.
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Não fui eu quem inventei que aquela conhecida figura sente coceira no fundo quando toma umas cervejas.
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E agora lá se vão meus abraços para Fabiano Gomes, Luiz Torres, Chico Pinto (turistando em Gramado), João Pinto, Cristiano Machado, Zé Alan Abrantes, Ademar Nonato, Mundinho de Nezinho, Marçalzinho Lima, Paulo Mariano,Tenório de Terto, Anchieta Gualter, Marcos Nogueira, José Augusto Longo da Silva, João Ferreira, Vavá Lima, Zé Barros, Zé de Edezel, Edmilson Lucena, Miguezim Lucena, Eilzo Matos, Paulo Santos e Abelardinho Jurema.
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De Marcos Pires, o incansável:
Esta é a história de um caminhoneiro que viajava por todo o Brasil e seu lema era:
'MEU NOME É PAULÃO,
SOU DO MARANHÃO,
SOU UM NEGÃO GOSTOSÃO,
ENTROU NA MINHA BOLÉIA NÃO TEM PERDÃO!'
E craaaauuuu na mulherada...
Já estava um mês dirigindo pelas estradas em jejum, não conseguia pegar nenhuma mulher.
Eis que, de repente, ele vê à sua frente uma freira, novinha, bonitinha,pedindo carona.
Ele pensa:
-Que Deus me perdoe!!!
Parou o caminhão e a freira subiu.
-Bom dia, meu filho! Você poderia me levar a cidade mais próxima?
-Bom dia, dona freira!
Claro, mas tem um pequeno problema :
'MEU NOME É PAULÃO,
SOU DO MARANHÃO,
SOU UM NEGÃO GOSTOSÃO,
ENTROU NA MINHA BOLÉIA NÃO TEM PERDÃO!
-Calma, meu filho!
Aqui na frente está reservado para Deus, porém, atrás está livre.
Não deu outra. Paulão mandou ver na freirinha...
Depois, dirigindo pela estrada, Paulão ficou pensando na besteira que tinha feito, quando ela diz:
-Meu filho, pode parar que eu vou descer aqui nesta fazenda.
Paulão respondeu:
-Dona freira, desculpe pelo que fiz com a senhora, que Deus me perdoe, mas a senhora sabe como é ficar solitário muito tempo.
Respondeu a freira:
-Não tem problema. Te perdôo, porque...
'MEU NOME É AMARAL,
SOU DE NATAL,
SOU HOMOSSEXUAL
E ESTA É A MINHA FANTASIA DE CARNAVAL !!!!!
Porque hoje é sábado
A semana foi pródiga em belos acontecimentos na área política, mas nenhum deles foi mais interessante do que o do Maranhão, onde o governador cassado Jackson Lago resolveu resistir em Palácio contra a decisão do TSE e ainda agora está lá, cercado de puxa sacos, dizendo que só deixa o Governo arrastado.
O senhor Lago tem cara de leso, mas parece que é só a cara. O que ele é mesmo é doido, um cabra que gosta do cargo e demonstra. Enquanto aqui na Paraíba o governador Cássio Cunha Lima abandonou o Governo tão logo o TSE confirmou sua cassação, Lago teima em parecer e aparecer diante do Brasil como um Odorico Paraguassu ou um coronelzinho do tempo antigo que pode tudo, ou pensa que pode.
Com isso, o Maranhão passa a ser conhecido como o Estado das brenhas, onde a lei é apenas um amontoado de letras postado no papel sem que o cidadão seja obrigado a obedece-la.
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Se Manoel Júnior é deputado da Paraíba, mais precisamente de Pedras de Fogo, o que diabos ele foi fazer em Buenos Aires e Guarulhos, gastando as passagens da Câmara destinadas a viagens ao seu estado de origem?
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Mentira do povo, Hervásio Bezerra não fez nada demais na Secretaria de Saúde da Prefeitura, saiu de lá para ser canonizado, mas os invejosos insistem em chamá-lo disso e daquilo.
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Cuidado, patoenses, pois tem gente querendo comer as feiras dos desabrigados!
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Disseram-me que na Prefeitura de Princesa Isabel quem menos manda é o prefeito.
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Quem viu garante que foi um cumprimento de frio para gelado o trocado entre o governador Maranhão e o prefeito Ricardo Coutinho, ontem, durante a posse da desembargadora Fátima Bezerra.
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Falar nisso, parece que Ricardo e Zé vão romper mesmo. O portal PB agora informa que Ricardo mandou exonerar, sem mais nem menos, o assessor jurídico Franklin Vita, somente porque o rapaz é irmão de Roosevelt Vita, secretário de Zé Maranhão.
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E agora lá se vão meus abraços para Anco Márcio, Marcus Aranha, Clotilde Tavares, Zé Euflávio, Luciano Pires, Harrison Targino, Vital do Rêgo, Antonio Almeida, Roberto Costa de Luna Freire, Agnaldo Almeida, Paulo Santos, Helder Fernandes, Pessoa Júnior, Helder Moura, Maria José Limeira, Antonio de Tertu e Paulo Mariano.
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E lá vem Marcos Pires de novo:
Lula morreu e foi para o Céu...(Que bom seria !!! )
Chegando lá, após breve entrevista, São Pedro recomendou que ele ficasse quinze dias na ala dos filósofos, para aprimorar sua cultura, já que tratava-se de um ex-presidente.
No dia seguinte, preocupado com a decisão que tinha tomado, São Pedro foi até a ala dos filósofos e pela fresta da janela surpreendeu Confúcio conversando com Lula.
O velho sábio estava com uma péssima aparência, mais amarelo que nunca e,profundamente irritado, dedo em riste, gritava com Lula.
- Olha Lula, é a última vez que repito: Platão não é aumentativo de prato.Epístola não é a mulher do apóstolo; Eucaristia não é o aumento do custo de vida; Cristão não é um cristo grandão;Encíclica não é bicicleta de uma roda só; Quem tem parte com o diabo não é diabético; Quem trabalha na Nasa não é nazista; Jesus Cristo morreu na Galiléia e não de gonorréia; Annus Domini nada tem a ver com o cu do Papa; E meu nome é Confúcio ...
Aí Lula, brabo feito um sertanejo de Garanhuns, não se conteve e mandou ver: -Companhêro Pafúncio, vá pra puta que te pariu!"
Porque hoje é sábado
O senador Cícero Lucena virou político por acaso. No ano de 90 ele foi indicado candidato a vice-governador na chapa de Ronaldo Cunha Lima por ser o mais disponível entre os disponíveis. Cícero representou, naquela oportunidade, as empresas da construção civil e foi escolhido porque, dentre os demais, era o único que não tinha empresa, era empregado do irmão Solon.
Eleito vice-governador, contou com a disposição de Ronaldo em fazê-lo administrador do Estado, já que Ronaldo estava mais interessado em fazer poesia, tomar umas e outras e viajar. Aí Cícero mostrou seu potencial, tornou-se titular para que o governador disputasse a cadeira de senador, virou ministro, elegeu-se prefeito, reelegeu-se, foi preso e saiu da prisão para derrotar Ney Suassuna na disputa pelo Senado.
Carreira meteórica, dizem, mas uma carreira de quem tem talento e sabe vencer. Por isso, não o menosprezem. Ele tem uma estrela plantada no meio da testa e conta com o apoio do santo de Compostela para emergir das águas profundas e vencer os obstáculos.
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Quem inventou nepotismo na Paraíba não foi Zé Maranhão, como quer dar entender o portal PB Agora. Maranhão apenas imita Cássio, Ronaldo,Cícero,Wilson Braga e outros que já passaram pelo Palácio da Redenção e foram generosos com os parentes na hora de nomear. Aliás, ao que eu saiba, somente Dorgival Terceiro Neto não empregou parentes no Estado.
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Aliás, pior do que empregar parentes é promover o inventário dos dinheiros da Assembléia entre deputados e ex-deputados,como vem fazendo o presidente Artur Cunha Lima.Coisa horrível, feia demais para ser mantida escondida.
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Falar nisso, fez-se o maior estardalhaço porque o governo empregou um parente do vice-presidente do TRE como assessor. Magina se o leitor soubesse o que eu sei com relação a uma parentela de desembargadores encastelada em determinada repartição num governo recente.
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Já começaram os preparativos para a festa junina dos princesenses programada para o começo de junho. Com a ajuda de Edivaldo Rosas, é possível que o forró seja transferido daquele clube de Jaguaribe para a séde do Esporte Clube Cabo Branco de Miramar.
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Estou em Natal passando o feriadão da Semana Santa num hotel porreta de bonito chamado Parque da Jaqueira. Quem também está por aqui é o ex-deputado Sócrates Pedro.
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Já mais ali na frente hospeda-se, no Pirâmide, o confrade Fred Menezes com a sua respectiva.
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João Gonçalves inventou um nome diferente para sua adesão ao governador Zé Maranhão: garantia de governabilidade.
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Quem está "inhêta" para garantir essa tal de governabilidade é o deputado Zé Aldemir.
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Nem bem assumiu a Secretaria da Comunicação e nossa querida Lena Guimarães engordou alguns quilos, pegou carne, ficou mais vistosa. Até parece que Roberto Cavalcanti a mantinha sob rigoroso regime.
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E agora lá se vão meus abraços para Geordie Filho,Mundinho de Nezinho, Zé Alan Abrantes,Chico Pinto,Miguezim Lucena,Joãozinho de dona Cícera, João de Zidoro, Antonio de Ana,Zé de Biu, Né de Ana, Cumpade Ruscano, Quinto de Marcus Odilon, Antonio Almeida,Glauce Burity, Marcela Sitônio, João Pinto, Adelton Alves,Todynho, João Costa, Agnaldo Almeida,Marcos Marinho,Clilson Júnior, Vanderli Farias, Tica de Argemiro,Vilma Lima, Josinaldo Malaquias, Antonio David e Zeca Porto.
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E lá vem Marcos Pires de novo:
AÍ A BRIGA COMEÇOU...
Minha esposa sentou-se no sofá junto a mim enquanto eu passava pelos canais.
Ela perguntou, "O que tem na TV? "
Eu disse, "Poeira. "
E a briga começou...
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Minha esposa estava dando dicas sobre o que ela queria para seu aniversário que estava próximo.
Ela disse, "Quero algo brilhante que vá de 0 a 200 em cerca de 3 segundos. "
Eu comprei uma balança para ela.
E então a briga começou...
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Quando cheguei em casa ontem a noite, minha esposa exigiu que a levasse a algum lugar caro.
Então eu a levei ao posto de gasolina.
E então a briga começou...
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Minha esposa e eu estávamos sentados numa mesa na minha reunião de colegial,
e eu fiquei olhando para uma moça bêbada que balançava seu drinque enquanto
estava sozinha numa mesa próxima.
Minha esposa perguntou, "Você a conhece ?"
"Sim," disse eu, "Ela é minha antiga namorada...Eu sei que ela começou a
beber logo depois que nos separamos há tantos anos, e pelo que sei ela nunca
mais ficou sóbria."
"Meu Deus!", disse minha esposa, "quem pensaria que uma pessoa poderia ficar
celebrando por tanto tempo?"
E então a briga começou...
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Depois de aposentar-me, fui até o INSS para poder receber meu benefício. A
mulher que me atendeu solicitou minha identidade para verificar minha idade.
Chequei meus bolsos e percebi que a tinha deixado em casa. Disse a mulher
que lamentava, mas teria que ir até minha casa e voltar depois.
A mulher disse, "Desabotoe sua camisa."
Então, desabotoei minha camisa deixando exposto meus cabelos crespos
prateados. Ela disse, "Este cabelo prateado no seu peito é prova suficiente
para mim," e processou meu benefício.
Quando cheguei em casa, contei entusiasmado o que ocorrera para minha
esposa. Ela disse, "Por que você não abaixou as calças? Você poderia ter
conseguido auxilio-invalidez também... "
E então a briga começou...
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A mulher esta nua, olhando no espelho do quarto de dormir. Ela não está
feliz com o que vê e diz para o marido, "Sinto-me horrível; pareço velha,
gorda e feia. Eu realmente preciso de um elogio seu. "
O marido retruca, "Sua visão está perto da perfeição. "
E então a briga começou...
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Eu levei minha esposa ao restaurante. O garçom, por algum motivo, anotou meu
pedido primeiro. "Eu vou querer churrasco, mal-passado, por favor."
Ele disse, "Você não está preocupado com a vaca louca ?"
"Não, ela mesma pode fazer seu pedido."
E então a briga começou...
Porque hoje é sábado
Diz o empresário Decson Cunha, do alto dos seus tamancos e munido da mais pura sinceridade: o que diabos uma pessoa vai fazer com menos de 4 mil reais para dirigir os Associados na Paraíba!? É que, segundo Decson, o superintendente que está mais dificil de ser nomeado do que o casamento da filha de Chico Biró, vai passar o tempo todo, os dois expedientes, somente recebendo oficiais de justiça. A vaca ali no Norte, conforme Decson,desconhece bezerro, não quer saber de touro e mete a ponta em quem se atrever a tirar-lhe o leite. O jornal está penhorado de cabo a rabo, nem a antena da tv sobrou. Por isso Decson estranha tanta briga, tanto interesse, tanta gente querendo assumir o lugar que um dia foi ocupado por aquele senhor estranho, de barba branca, chamado Cecílio Fonseca.
-Decson, vou divulgar isso que você está dizendo -, avisei a ele, na presença dos demais membros da confraria do shoping. Cunha apenas riu, antes de ponderar: -Tião, faça isso não. Estou interessado agora em brigar com Roberto Cavalcanti. Não gosto de guerrear com defuntos."
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Esse negócio da Assembléia empregar vereadores e dar gratificações a deputados é mais cabeludo do que parecia. Segundo fidedigna fonte, criou-se na AL da Paraíba um meio de vida para deputados e pessoas ligadas politicamente aos administradores da casa. O deputado tem um monte de assessores fantasmas pagos pela Assembléia, mas no final do mês quem fica com a bufunfa é o parlamentar. Por isso a ruma, segundo Tião Gomes, de gratificações, todas descendo por gravidade para os bolsos dos inclitos representantes do povo.
A fonte até conta detalhes da recente briga dos deputados Ricardo Barbosa e Artur Cunha Lima. Ricardo teria chegado para Artur e informado que precisava de uma renda mínima de 45 mil reais, sem a qual não poderia viver. Artur teria respondido que nada podia fazer além do que já fazia, ou seja, pagar os 25 mil correspondentes aos cinco "assessores" indicados por Barbosa. Ricardo não gostou, esbravejou e Artur o mandou procurar o prefeito Léo Abreu, de Cajazeiras, para intérar a renda.
Trocando em miúdos: os deputados ligados ao presidente receberiam por fora, em forma de GAES, o dinheiro extra que aumentava suas poupanças e financiava suas campanhas.
Isso, convenhamos, não é coisa que se faça com o dinheiro público.
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Campina está cheia de adesivos com os dizeres: "Cássio, a luta continua".
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Rubens Nóbrega pega o pai Vicente, o resto da família e os adereços, bota tudo no carro e se manda pra Princesa na semana santa. Vão matar as saudades que o velho Vicente sente da terra que o acolheu num distante passado e que gravou no seu coração lembranças imorredouras. Já se disse, com justa razão, que quem bebe a água de Princesa nunca mais deixa de amá-la.
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Atenção, Edivaldo Rosas, Tô de Toim está esperando o cumprimento da promessa.
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Marcus Odilon confessa que seu sonho é ser prefeito de Bayeux. Falta perguntar se Jota Júnior deixa.
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E agora lá se vão meus abraços para Humberto Alysson, Fred Menezes, Nonato Bandeira, Williams Gomes Sales, Edivaldo Virgulino, Milton Soares, Evandro Nóbrega, Frutuoso Chaves, Marcone Formiga, Irapuan Sobral, Harrison Targino, Efraim Morais, André Cananéia, Zé Euflávio, Severino do Itapemirim, Bosco Fernandes, Padre Albeni Galdino e Clodoaldo Araújo.
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De Marcos Pires, a frase da semana:
"Uma coisa temos que admitir:
Com a morte de Clodovil, foi-se embora o único Deputado que não tinha o rabo preso."
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E lá vai um monte de piadinhas rápidas:
1. NO GINECOLOGISTA
A mãe, desesperada, pergunta pro médico: - O que houve com ela, doutor? - Sua filha está com o clitóris igual a uma tampinha de caneta bic! - Azul, doutor ? - Não, todo mordido.
2. NA CLÍNICA PARA DEFICIENTES
Na hora do almoço, um interno ia passando pelo refeitório, quando o cozinheiro lhe pergunta: - Quer uma torta, amigo? - Agora não, obrigado! Acabei de comer uma ceguinha!
3. NO DEPARTAMENTO DE IMIGRAÇÃO -
Sexo? - 3 vezes por semana - Não... eu quero: dizer masculino ou feminino?. - Não importa.
4. NO CELEIRO
Diz a ovelha para o carneiro: - Tens tão pouca lã... - Tá, mas viemos aqui para trepar ou fazer tricô ???
5. NO UROLOGISTA
Uma mulher, toda boazuda, vai ao consultório médico: - Doutor, queria que fizesse algo pelo meu marido... Algo que o fizesse ficar como um touro! - Pois bem, . Vamos começar agora mesmo pelos chifres...
6. NA BALADA
Um cara chega para uma mulher e diz: - Tá a fim de uma transa mágica? A mulher pergunta: - Como é uma transa mágica? Ele diz: -É muito simples, a gente transa e depois você desaparece.
7. NA FESTA
O menininho pergunta pra mãe: -Mamãe! Por que você é branca, papai é negro e eu sou japinha... -Ah, meu filho! Se você soubesse a festa que houve naquele dia... você tem sorte por não latir.
8. NO PLANTÃO MÉDICO
O sujeito vai ao hospital, caindo de bêbado. Durante a consulta, vêm as perguntas de praxe: - Nome? - Juvenal dos Santos! - Idade? - 32 anos. - O senhor bebe? - Vou aceitar um gole, mas só pra te acompanhar!
9. NA BOLSA
A mãe americana encontra uma lata de cerveja na bolsa da filha e pergunta para si mesma: - Será que minha filha está bebendo? A mãe italiana encontra um maço de cigarros na bolsa da filha e se questiona: - Será que minha filha está fumando? E, como não poderia faltar, a mãe portuguesa encontra uma camisinha na bolsa da filha, e se pergunta: - Meu Deus! Será que minha filha tem pinto???!!!
10. NO LAR PARA IDOSOS
Dois velhinhos conversando: - Você prefere sexo ou Natal? - Sexo, claro! Natal tem todo ano, enjoa.
11. NO FIM
No consultório, fim de tarde, o médico dá a péssima notícia: - A senhora tem seis horas de vida. Desesperada, a mulher corre para casa e conta tudo para o marido. Os dois resolvem gastar o tempo que resta da vida dela fazendo sexo. Fazem uma vez, ela pede para repetirem. Fazem de novo, ela pede mais. Depois da terceira vez, ela quer de novo. E o marido: - Ah, não, chega! Eu tenho que acordar cedo amanhã... você não!
12. NA PESCARIA
A portuguesinha de 10 anos vai pescar com o pai e volta com o rosto todo inchado. A mãe, assustada, pergunta: - Minha filha, que houve? - Foi um marimbondo, mamãe... - Ele te picou ? - Não deu tempo, o papai matou ele com o remo.
13. NO PARQUE
Dois rapazes gaúchos pedalavam suas bicicletas pelo parque. Um deles pergunta: - Onde conseguistes essa tua magnífica bicicleta? O segundo respondeu: - Estava eu a pé, caminhando ontem por aí, quando encontrei uma guria da classe com esta bicicleta. Ela atirou a bicicleta ao solo, despiu toda a roupa e disse-me: - 'Vem, e pegues o que quiseres'. O outro: - Bah, escolhestes bem. Provavelmente a roupa não te servirias.
14. NO GERIATRA
O médico atende um velhinho milionário que tinha começado a usar um revolucionário aparelho de audição: - E aí, seu Almeida, está gostando do aparelho? - É muito bom. - Sua família gostou? - Ainda não contei para ninguém, mas já mudei meu testamento três vezes.
Porque hoje é sábado
O prefeito Ricardo Coutinho apenas se iguala aos outros políticos da Paraíba quando manda implantar gratificações em contra-cheques de parentes ou de apadrinhados políticos. Deixa de ser o político diferente para fazer parte da farinha do mesmo saco. Acabou o mito, ficou o homem comum, o Ricardo de Jaguaribe com erros e acertos, virtudes e defeitos.
Cheguei aqui em 75, como sabem, vendo o governador Ivan Bichara empregar no Estado irmãs e aderentes, a começar pela Prefeitura onde botou o concunhado Hermano Almeida, que, por seu turno, tinha parentes enfeitando seu gabinete. Depois de Hermano, entrou Damásio que botou os filhos todos, uma penca, mas nem por isso deixou de ser o maior prefeito desta cidade. Com Carneiro Arnaud não foi diferente, ou melhor, foi, pois o sobrinho de Ruy gostou tanto do poder que até de mulher trocou. Veio Wilson Braga, o maior empregador familiar da paróquia, sendo sucedido por Carlos Mangueira que só não botou a família porque esta, ao que sei, mora no Rio de Janeiro. Chico Franca, meu amigo Chico, tinha parentes na Prefeitura e Cícero Lucena, todo mundo sabe, não só empregou como enricou os consanguineos. Duvida? Então pergunte e Pedro, que tinha uma lojinha acanhada de pneus na Beira Rio e hoje é dono de funerária,postos de gasolina, o escambau.
Por isso, nada de censurar Ricardo Coutinho. Ele é igual aos demais. Fez o que os outros fizeram. Igualou-se.
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Não querem deixar o deputado Zé Aldemir aderir ao governador Zé Maranhão. Por que isso? Deixem o homem fazer o que ele gosta, seus malvados, senão ele morre de angústia, de solidão, de tristeza, de banzo.
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Hoje tem Marcela Sitônio lançando candidatura à API no Cabo Branco, com direito a feijoada gratuites para os comedores de plantão.
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Hoje tem também Ricardo Coutinho em Princesa palestrando com os vereadores e fazendo seu pé de meia com vistas a uma eleição ao governo do Estado.
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Nesta segunda o Jornal dos Municipios inaugura nova fase com a dupla de dois Vanderli Farias e Decson Cunha liderando o empreendimento.
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Por que será que na hora de dar emprego o governante esquece o eleitor periférico e só se lembra dos filhos engravatados dos gravatudos?
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A vereadora Sandra Marrocos apareceu discursando na TV. Tinha cara de quem comeu jaca dura e ficou empanzinada.
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Novidade na praça: o prefeito Marcus Odilon pintou os cabelos de preto. Entrou na fase morena sem aderir ao PDT brizolista.
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Avistei o prefeito Jota Júnior saindo de uma reunião no Memorial São Francisco. Está mais gordo, o couro do rosto liso, os cabelos pretos, um jeito de próspero. E o carro onde ele entrou é uma beleza de luxuoso. Trata-se de uma perua dessas importadas do oriente, bonita de se ver, coisa de outro mundo.
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Bastou o Governo ameaçar desfazer o contrato com o Banco Real para o Banco Real começar a atender bem, botar gente nos caixas e desmanchar aquelas filas humilhantes que torturavam os servidores públicos.
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Wateau Rodrigues no Procon Municipal esta aparecendo mais do que Odon Bezerra. O homem não pode ver um microfone que logo dá de garra do bicho e dana falação sobre o que entende e o que não entende.
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Hoje tem Luana Piovani na pousada de Oto Marcelo, ali em Carapibus.
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E lá se vão meus abraços para Fabiano Gomes, Maurílio Batista, Roberto de luna Freire, Ariano Wanderley, Jerdivan Lopes, Otacílio Trajano, Leo do Conde, Ivan Modesto, Sergio de Castro Pinto, Paulo Mariano, Silvio Porto Filho, Geordie Filho, Fred Menezes, Chico Pinto, Harrison Targino, Luciano Pires, Nem de Chumbinho e Mundinho de Luiz Mofeta.
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Um gaúcho viajava de avião quando disse para seu namorado que seu
maior desejo era transar com ele nas alturas. O namorado disse que não era
possível, pois o avião estava lotado. Porém, o gaúcho insiste dizendo que
todo mundo estava dormindo, inclusive a tripulação, pois era aniversário do
comandante e a champanhe tinha rolado direto e o avião estava até no piloto
automático, etc. para provar que era verdade ele se levanta e pergunta:
- Alguém aí tem uma caneta? Silêncio total, nenhuma resposta. O namorado
se convence, puxa o gaúcho e transam loucamente. Duas horas depois uma
comissária resolve dar uma geral no avião e encontra um velhinho tremendo.
- O senhor está doente? Está sentindo alguma coisa? ela pergunta. E o
velhinho: - Não minha filha, eu só estou com muito frio porque este ar
condicionado está muito forte. - E porque o senhor não pediu um cobertor?
- Porra minha filha, um cara ali pediu uma caneta e comeram o cú dele!
Imagina se eu pedisse um cobertor!
Porque hoje é sábado
A semana termina como começou,ou seja,sem nada de novo no front além dos oferecimentos de João Gonçalves e Nivaldo Manoel ao governador Zé Maranhão, os dois insistindo em aderir ao novo esquema porque não podem viver longe do poder. Gonçalves, que vivia cheirando o cangote do ex-governador Cássio Cunha Lima somente para aparecer nas fotos oficiais, alega abandono na última campanha,como se não soubesse que foi colocado lá para fazer número e atestar a vitória de Ricardo Coutinho, que aconteceria de qualquer jeito,com João ou sem João. O outro, um pobre diabo, confessa de público que não pode viver longe do governo. Ambos cospem no prato que os alimentou nos últimos anos,mas isso não deveria causar surpresa porque todo político,sem exceção, calça quarenta.
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O taradão que aprisionou a filha e com ela teve sete filhos, foi condenado a prisão perpétua. Pena branda para um nojento que não respeitou o sangue do seu sangue. Deveria ser sangrado e morrer batendo, feito galinha.
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Ulysses,filho de Luismar Rezende, telefona para informar a rápida recuperação do pai. E para dar mais garantias do que afirma,bota o pai na linha e do outro lado me vem uma voz firme, segura, de gente sadia. Vivas, pois, ao grande arquiteto do universo, que nos permite continuar convivendo com este homem formidável que tem muito ainda a dar em prol da administração pública e privada da Paraíba.
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E já começou a choradeira dos prefeitos, todos dizendo que estão passando dificuldades, uns informando que recorrerão a empréstimos para pagar a folha, mas nenhum demonstrando um tico de vontade de renunciar aos mandatos. A mamata é boa demais para ser abandonada no meio do caminho.
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Muito mal explicada a demissão em massa dos diretores dos associados na Paraíba. Algum caroço está escondido debaixo do angu. Ainda bem que Carlos Pereira foi nomeado comandante em chefe do conglomerado na Paraíba. Um homem honesto e capaz,com todas as possibilidades de salvar o patrimônio do finado Assis.
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Disseram-me que Gerardo Rabelo está triste comigo porque,segundo ele,eu debocho dos colunistas sociais. Debocho não,Gerardo. De você, de Abelardinho e de Goreti não debocho. Vocês sabem ler, sabem escrever e são jornalistas. Debocho dos picaretas que se fazem colunistas sociais para receber tocos.
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Ricardo Anísio é candidato a imortal na Academia. Pena que vá enfrentar Eilzo Matos e por isso fica sem chance de ganhar. Eilzo é mais velho, mais viajado,mais culto e merece a eleição. Ricardo terá sua vez no futuro.
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Dona Glauce Burity recusou e com justa razão o oferecimento para presidir a Fundação Espaço Cultural.Pela sua bagagem, dona Glauce merecia assumir uma Secretaria de Estado e não a direção de uma massa falida.
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O prefeito de Princesa gostou do voto do povo mas na hora de arrumar as boas bocadas do Governo esqueceu do eleitor e arrumou a família, botando a mãe na chefia da Educação na região e o pai na direção do Procon. E para o Zé lascado sobrou um rolo de fumo arapiraca.
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E agora lá se vão meus abraços para Zé de Vigó, Bosco Coxim, Dosca do Ó, Duda Garçon, Mané Evaristo, Pedro Fogueteiro, Dionísio de Vitalina, Chico de Ana, Cumpade Ruscano,Zé de Minininha, Chico de Mourão,Bicudo Massaroca, Neguim Goiaba,Anacleto Reinaldo, Severino Pereira, Rafael Pintor, Nigel Mansel de Chico Macaxeira, Dedé de Paraíba e Duda Malaquia.
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Assis Franco, o chamado Gago do Irerê,sempre foi apaixonado por passarinho. E foi por causa de um passarinho, melhor dizendo, de um curió, que quase se lasca. Ouviu o bicho cantar na feira,botou preço, o dono do pássaro, um negão de quase dois metros disse que não vendia porque o curió era a chama para vender os outros pássaros,mas como Gago insistisse, resolveu:
-Lhe dou de graça se você for comigo naquele beco, baixar as calças e deixar eu enrabá-lo." O Gago resistiu, mas ao escutar o curió de novo, aceitou, sob a desculpa de que seria apenas uma vez. Foram ao beco. Gago preparava-se para baixar a calça quando olhou para trás o viu o negão tirar para fora um pé de mesa considerável.Imediatamente desistiu, dizendo:
-Pensando bem, papapapara que eu queeero curió se nem gaiola eu tenho?
Porque hoje é sábado
Seu Mazinho mudou de emprego mas não mudou de faro jornalístico. Está sempre onde o fato acontece e sabe contar o acontecido melhor do que Enoque Pelágio nos seus bons tempos. Pois seu Mazinho testemunhou este acontecido. Estava na sua tranquilidade gaizeana, tomando a sua cachacinha, quando a vizinha de trás chamou-o às pressas. O marido morrera de súbito, mas não tão de súbito assim. E ela narrou seu drama.
O marido sentiu uma dor no peito. Levado ao hospital, o médico disse que era gases, receitou um remédio para bufa e devolveu-o ao lar. O rapaz bebeu o remédio, bufou à vontade, a dor sumiu um pouquinho e voltou mais forte. Retornou ao hospital, outro médico de plantão o atendeu e repetiu: gases. De novo o remédio de bufa, novas bufas e nova dor. Só que desta vez a dor não deu tempo a uma nova ida ao hospital. O rapaz gemeu, vomitou e caiu ao chão todo cagado. Morto.
Por isso leitor, não acredite quando o médico disser que a sua dor se cura com luftal. Pesquise mais fundo para não tomar no fundo.
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Hoje é dia de feira na cidade de Princesa, dia de comprar carne de bode no açougue e comer couro de porco torrado no caco de barro no Bar de Dosca. Também é dia de comer rolinha guisada com farinha de mandioca em Zé de Biu, sopa de macarrão grosso em Maria de Tia, cachorro quente na barraca de Cotila e, se sobrar espaço no bucho, dar uma esticada até Antonio Delano para experimentar sua tilápia fritada na manteiga.
Falar em comida assim, vem à memória aquele episódio do velho Joaquim Mariano e seus cabras do eito de Jericó. Na hora do rango, Severino de Vitalina meteu a colher no feijão com toucinho de porco. Terminado o quinto prato, Seu Joaquim, preocupado, pediu: "Severino, deixe ao menos o espaço para o coração bater".
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Dizem que o prefeito Jota Júnior abandonou Bayeux e agora só quer saber de Tambaú, Brasília e similares. O povo de Bayeux reelegeu Jota Júnior e só encontra pelas ruas o candidato derrotado, Expedito Pereira.
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Em política só não vi boi voar, por isso não me espanta o anunciado ajuntamento de Cássio com Ricardo Coutinho. Só que, se houver isso, Cícero Lucena se juntará a Zé Maranhão. Ele não perdoa as estocadas de Ricardo ao período em que foi prefeito.
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Encontrei no Mercado Central, todo de branco do pescoço para baixo e tomando um campari com limão numa barraca da feira da carne salgada, o grande Anacleto Reinaldo, também chamado de "Chumbo Grosso".
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E agora lá se vão meus abraços para Zé Alan Abrantes, Geordie Filho, Fred Menezes, Chola Morato, Marco Antonio Gouveia, Sílvio Marinheiro, Maninho Lucena, Clodoaldo Araújo, Camilo Macedo, João Alves, Marcelo José, Anacleto Reinaldo, Edivaldo Rosas, Totonho de Seu Mano,Frutuoso Chaves, Marcone Formiga, Wilma Lima, Carlos Batinga, Chico Franca, Anita Leite,Mericles Feitosa e Roberto Costa de Luna Freire.
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Marco Antonio Gouveia, auditor fiscal, genro de Zenóbio Toscano e pesquisador emérito, mandou este
Paraibanês
Paraibano não fica solteiro... ele fica solto na bagaceira!
Paraibano não vai com sede ao pote... ele vai com a bixiga taboca!
Paraibano não vai embora... ele vai pegá o beco!
Paraibano nao diz 'concordo com vc' ... ele diz 'Né isso, homi!!!!'
Paraibano não conserta... ele Imenda!
Paraibano não bate... ele 'senta-le'a mãozada!
Paraibano não sai pra confusão... ele sai pro 'muído'!
Paraibano não bebe um drink... ele toma uma!
Paraibano não é sortudo... ele é cagado!
Paraibano não corre... ele dá uma carrera!
Paraibano não brinca... ele manga!
Paraibano não toma água com açúcar... ele toma garapa!
Paraibano não engana... ele dá um migué!
Paraibano não percebe... ele dá fé
Paraibano não vigia as coisas... ele pastora!
Paraibano não sai apressado... ele sai desembestado!
Paraibano não aperta... ele arroxa!
Paraibano não usa zíper... usa 'riri'!
Paraibano não dá volta... ele arrudêia!
Paraibano não espera um minuto... ele espera um pedaço!
Paraibano não é distraído... ele é avoado!
Paraibano não fica encabulado... ele fica todo errado!
Paraibano não passa a roupa... ele engoma a roupa!
Paraibano não ouve barulho... ele ouve zuada!
Paraibano não acompanha casal de namorados... ele segura vela!
Paraibano não rega as plantas... ele 'agoa' as plantas
Paraibano não é esperto... ele é desenrolado!
Paraibano não é rico... ele é estribado!
Paraibano não é homem... ele é macho !
Ô orgulho réi besta!!! Viva nossa terra!!!
O bispo, a menina e o inferno
Se o médico responsável pelo aborto da menina vai para o inferno depois de excomungado pelo bispo, pergunto se o padre que comeu o menino de nove anos vai pru céu. É que, na ótica do bispo, o médico abortou a vida de duas crianças e por isso é assassino. Quem só fez comer, não matou e tem culpa menor, pelo menos é o que pensa o prelado.
A menina de nove anos recebeu abuso sexual do padrasto, um velho tarado do qual ninguém se ocupa. Só se fala do médico, do enfermeiro, do anestesista, do homem que tirou dois fetos do bucho da menina para permitir que ela continuasse vivendo. Esse homem, que iludiu a criança quando ela o chamava de pai, não terá matado também uma vida ainda em floração? Como essa menina vai viver a partir de agora com o drama de se tornar mulher antes do tempo? Terá um namorado como as mocinhas de sua escola? Vai casar e ter filhos quando for adulta? O drama dela será esquecido? Acho que só o bispo de Olinda pode responder.
Eu tenho uma neta de sete anos, ou seja, sou avô de uma menina quase da mesma idade da outra menina violentada. Minha neta é uma criança que senta no meu colo, me chama de vovô, brinca de bonecas, sonha, ri da vida, espia os passarinhos sugando o perfume das flores do meu jardim, em suma, não tem a menor idéia do que seja a dureza de uma vida adulta. A menina de Pernambuco é um pouco mais velha, dois anos as separam, mas essa diferença mínima não quer dizer nada. Ambas são crianças que não sabem nada ainda desse mundo cão. A menina de Pernambuco tornou-se adulta de forma violenta, pelas mãos do padrasto, um velho safado, tarado e anormal. Teve suas entranhas invadidas, nelas depositada o sémen do seu próprio pai, viu germinar dentro de si a semente da violência, e o bispo, que nunca casou e, se muito, comeu o boga da freira, achou tudo normal, natural e lindo, excomungando quem interviu no fato para salvar a vida da criança/mulher.
Tenha dó, seu bispo, vá cuidar de suas nêgas e somente interfira em assuntos desse jaez quando a vítima for uma de suas sobrinhas ou uma das filhas que padres misteriosos costumam ter nos desvãos das sacristias.
Porque hoje é sábado
Amigo meu contou que certa figurinha carimbada chegou pra ele e pediu: "Arruma minha vida aí, cara, pois sou maranhista como bem sabes". Nunca foi. Sempre foi de quem está de cima, no poder, mandando para ele mamar. A estratégia repetida agora sempre deu certo. É bem capaz de dar de novo.
Quando Cássio Cunha Lima elegeu-se governador pela primeira vez um jornalista muito conhecido nosso aproximou-se de Zé Euflávio, na época porta-voz do novo governador, e, com a cara mais desavergonhada do mundo, declarou para o magro de Santana dos Garrotes: "Euflávio, você sabe que eu sou apolítico. Sou apenas um jornalista". Não sei porque cargas d`água o dito cujo fez essa declaração, qual o objetivo, o que esperava ganhar. Sei apenas que Euflávio não acreditou, como eu também, presente ao ato e ao fato, não acreditei. O sujeito mamara os oito anos de Zé Maranhão num cargo de relevo e ainda se dizia apolítico. Pense num cara de pau. Agora no novo Governo Maranhão o tal apolítico ganhou uma boquinha bem nutritiva. Imagine se fosse um político profissional.
E assim caminha a humanidade, como bem diz João Costa. Os do poder adoram quem os bajula. E os bajuladores, cientes disso, continuam se dando bem.
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Gosto muito de Eraldo Nóbrega, é uma caneta de respeito, no escrever é sem igual, mas na TV está muito formal, muito paradão, fala como quem está escrevendo, lendo, uma coisa espantosa. Quando formula uma pergunta, parece até meu primo Expedito de Niumízia soletrando as primeiras letras da Cartilha do Povo. Precisa tomar uma aulinhas com Padre Albeni, este sim insuperável na TV.
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Zenóbio Toscano, deputado dos comunistas, abre o bocão e denuncia demissão de protempores em Guarabira. E eu pergunto: desde quando protempore tem direito a estabilidade no emprego, seu Zenóbio?
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Vai ver o prefeito Ricardo Coutinho é apaixonado por Nadja Palitot e não sabe. As vezes o amor se revela em forma de ódio.
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Zé Luiz, prefeito de Campina, faz beicinho e promete rompimento com o prefeito Veneziano porque o tiraram do Fome Zero. Ora, Zé, você está tão gordinho que merece sair da fome e entrar na fartura, homem!
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Marcone Paiva reclama abandono e promete romper com Ricardo Coutinho, que o esqueceu. Vai logo, Ricardo, dá uma boquinha a ele porque Marcone Paiva não sabe viver sem mamar.
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Tem um deputado paraibano que onde chega se caga. Anda com um assessor segurando o pinico para ele não sujar o ambiente.
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Roberto Cavalcanti sendo julgado pelos tucanos no Congresso!!!??? Rarararararara. Eu me mijo de rir. Logo os tucanos!
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O prefeito de Sousa não retribuiu ao meu amigo Ademar Nonato o apoio recebido durante a campanha. Ademar, que é bom e ótimo, ficou na dele. Mas a ingratidão repercutiu, e muito.
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Senador da República já foi um cargo de respeito. Que o diga Zé Américo, Rui Carneiro, João Agripino, Argemiro de Figueiredo e outros iguais. Agora qualquer Wilson Santiago da vida quer ser um deles.
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E agora lá se vão meus abraços para George Carvalho, Marcelo Weick, Monica Figueiredo, Harrison Targino, Pedro Macedo, Otacílio Trajano, Tony Show, Maurílio Batista, Marcus Odilon, Gisa Veiga, Marcela Sitonio, Manoel Sales Sobrinho, Carlos Abrantes, Airton José, Ana Paula e Assis Mangueira.
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De novo Marcos Pires, agora com as "pérolas do futebol":
'Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG.' (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa)
'Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana.' (Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)
'Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado.'(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
'As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe.'(Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)
'Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja.'
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)
'O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom.'(Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)
'A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.'(Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)
"Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol.'(Jardel, ex- jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)
'A bola ia indo, indo, indo... e iu!'(Nunes, jogador do Flamengo da década de 80)
"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.'
(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)
'Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola.'
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
'No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.'(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)
'Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.'(Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)
'O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.'(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
'Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.'(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)
'Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.' (Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)
'O difícil, como vocês sabem, não é fácil.'(Vicente Matheus)
'Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.' (Vicente Matheus)
'O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.' (Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)
E prus xeleléus, Ó!
Estou vendo os nomes, todos de gente chique, a maioria de pessoas acima de qualquer suspeita, mas o que eu queria ver mesmo era nome de eleitor da ponta de rua, do besta que se esgoela nos comícios, pega briga com a mulher por causa de doutor fulano, perde a mulher que seguiu na passeata de doutor sicrano, do pai que viu o filho catarrento ser abraçado pelo doutor no dia do comício e que agora, depois da festa, não recebe num um aceno de esmola.
De lá do sertão vem a notícia dando conta de que os cargos do governo cairam nas mãos dos chefes, dos bem de vida, dos que têm mesa farta, andam em carros de luxo e dormem em quartos refrigerados. Não sobrou nada pra nêga Tonha, pru xexeléu do Zé Grosso, pru bava-ovo do Chico de Etelvina. Na hora de nomear, botaram nos cargos a mãe do alcaide, o pai do alcaide, a prima do alcaide, a noiva do alcaide, a quenga do alcaide, as panelas e os pinicos da casa do alcaide, não sobrando nada prus Massarocas babões, xexeléus, xirimbabas, balança cunhões e apara bosta.
O eleitor anônimo, aquele que digita o número do candidato, aperta o botão verde para ver o retrato do seu ídolo, enche o cu de cana nos comícios e sai metendo a faca no bucho do adversário, carrega o candidato na cacunda até ficar com cheiro de ovo no cangote, este não ganhou nem a do jegue. Ficou no escanteio, esperando a campanha vindoura para ser parapeito de bunda, de ovo, de cu, de tudo o que não presta e depois voltar ao anonimato que é o lugar certo e arretado para os idiotas que vivem se matando para botar político no poder.
E não adianta reclamar porque o doutor, antes tão risonho e afável, passou por ele sem dar um bom dia, sem lhe dirigir um sorriso amarelo, sem se lembrar que existe. Isso é normal. Xeleléu não merece outra coisa além da indiferença e do nem te ligo.
E se achar ruim, é bem capaz de levar uma pisa da polícia e ir dormir na cadeia para deixar de ser besta.
Porque hoje é sábado
Por mais antipática que possa parecer, a atitude do arcebispo contra o padre Luiz Couto está certa. O padre Luiz Couto não deixa de ser padre porque é deputado e, como padre, não pode defender o fim do celibato, o não uso da camisinha, o aborto e a homossexualidade. A Igreja Católica Apostólica Romana tem dogmas e os que dela fazem parte são obrigados a obedecer. Se não quiserem prestar obediência a eles, devem tirar a batina, como muitos já fizeram, ir para as ruas e protestar. Agora, ficar vestido de padre e vendendo ao público externo uma imagem de progressista é errado.
O arcebispo Dom Pagoto não é lá essas coisas em termos de coerência. Mete-se em política, já defendeu um pedófilo pras bandas do Ceará, vive criando confusão com tudo que é classe, mas no caso de Luiz Couto ele está certo. E o deputado, que está estudando o direito canônico para se defender, vai descobrir que o caso dele é indefensável. Tem que se retratar e pronto.
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Mandam dizer que em Princesa Isabel as listas de nomeações estão prontas e serão entregues ao governador Maranhão já no início da próxima semana, contendo indicações até para segurador de alça de pinico.
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A suplente Nadja Palitot deve estar rindo às escâncaras com essa confusão que estão fazendo em torno dela. Afastada da política, mais apagada do que candeeiro sem gás, Palitot de repente se viu alçada ao estrelato pela incompetência de uns políticos amadores que se acham espertos.
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Uma pessoa me contou alguns atos praticados pelo vereador Sérgio da SAC quando era candidato que, se forem realmente verdadeiros, o cabra merece ser cassado do primeiro ao quinto.
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O ex-governador Cássio Cunha Lima quebra o silêncio e concede entrevista nesta segunda à imprensa paraibana. Cássio vai dizer dos seus projetos futuros e tecer considerações sobre a sua cassação pelo TSE. A entrevista será na Associação dos Plantadores de Cana, ali na Rodrigues de Aquino.
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Esse deputado Damião Feliciano é um cara de pau mesmo. Sujeito metido a esperto, tomou o PDT do correto Chico Franca e agora fica se oferecendo ao governador Maranhão, do mesmo jeito que se ofereceu a Cássio Cunha Lima. É um oferecido.
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Fui marcar um exame na Unimed e a mocinha que me atendeu entregou-me uma senha com os dizeres: "Atendimento preferencial". Véi é a véia dela.
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O prefeito Marcus Odilon não está nem um pouco preocupado com essa história de cassação. Durante toda sua vida pública Odilon foi ameaçado e sempre se safou porque é um político que, apesar de polêmico, não bota a mão no dinheiro público.
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Daqui papouco eu e Bibiu meu irmão estaremos no mercado da Torre comendo cuscuz com bode.
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E agora lá se vão meus abraços para George Carvalho, Marcone Formiga, Zé Alan Abrantes, Helder Fernandes, Josinato Gomes, Dorgival Terceiro Neto, Kubi Pinheiro, Marcos Pinto, Waldemir Azevedo, Chico de Edmundo, Dinalvo Carlos, Richomer Barros, Paulo de Anunciada, Sidney Oliveira, Agnelo Muniz e Aloysio Pereira.
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Esta aqui vem do repertório de Faixa Varandas:
Lula visita a rainha da Inglaterra e lhe faz uma pergunta:
- Majestade, como consegue escolher ministros tão maravilhosos?
Sua majestade responde:
- Eu apenas faço uma pergunta inteligente. Se a pessoa souber responder, ela é capacitada a ser ministro.
Vou lhe dar um exemplo. A rainha manda chamar Tony Blair e pergunta:
- Mr. Blair, seu pai e sua mãe têm um bebê. Ele não é seu irmão nem sua irmã. Quem é ele?
Tony Blair responde
- Majestade, esse bebê sou eu.
Ela vira pra Lula:
- Viu só? Mereceu ser ministro.
Lula, maravilhado, volta ao Brasil. Chama a ministra Dilma Roussef e lasca a pergunta:
- Companheira Dilma, seu pai e sua mãe têm um bebê. Ele não é seu irmão nem sua irmã. Quem ele é?
A ministra responde:
- Senhor Presidente, vou consultar nossos assessores e a base aliada e lhe trago a resposta, assim que possível.
E, ela sai a procura da resposta. Ninguém sabe.
Aconselham perguntar ao ex-presidente FHC, que é muito inteligente.
Dilma liga pra FHC:
- Sr. Fernando Henrique, aqui é a Dilma Roussef. Tenho uma pergunta para o senhor: se seu pai e sua mãe têm um bebê e esse bebê não é seu irmão nem sua irmã, quem é esse bebê?
O ex-presidente responde imediatamente:
- Ora senhora ministra, é lógico que esse bebê sou eu!
A ministra agradece e vai correndo levar a resposta ao Lula:
- Sr. Presidente, se meu pai e minha mãe têm um bebê e esse bebê não é meu irmão nem minha irmã, é lógico que ele só pode ser o Fernando Henrique Cardoso...
Lula dá seu sorrisinho sabido e diz:
- Te peguei, companheira Dilma. Sua resposta está completamente errada... o bebê é o Tony Blair!
O delegado e o procurador
Os delegados de polícia exigem ganhar um salário equivalente ao de um procurador do Estado achando que ambas as carreiras realizam semelhantes tarefas. Nada mais falso. O delegado só faz inquérito, o procurador do Estado executa a dívida do inadimplente com a Receita Estadual, defende o Estado em juízo, cuida dos imóveis do Estado, move ações de reintegração de posse, quando o Estado é acionado na justiça do trabalho lá vai o procurador defender,quando os delegados entram em greve é o procurador quem comparece ao Tribunal questionando a legalidade da greve e, de quebra, faz a cobrança judicial das multas aplicadas a maus gestores pelo Tribunal de Contas, cobra prestação de contas de convênios efetuados por órgãos da administração indireta com associações diversas e se um funcionário do Tribunal de Justiça aciona o órgão judicialmente para cobrar algum direito, lá vai o procurador fazer a defesa.
Então não há comparação. O delegado é um bacharel, que estudou, aprendeu e merece ter o seu valor reconhecido. Mas ele não pode querer se comparar a um procurador, porque o trabalho de um não se equivale ao trabalho do outro. O delegado é um policial judiciário, que administra uma delegacia, investiga um crime, abre um inquérito e o conclui, enviando o relatório ao juiz e pugnando pela abertura de processo judicial. Aí morre o seu trabalho. Não passa disso, nada além disso. Como, então, eleger o procurador do Estado como paradigma para o seu percentual de ganho?
Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Na Constituição do Estado da Paraíba ambas as profissões são bem definidas.No seu artigo 44 a Constituição diz que "À Polícia Civil, instituída por lei como órgão de preservação da ordem jurídica, auxiliar direta e imediata da função jurisdicional do Estado, estruturada em carreira, incumbe, além de outras atribuições definidas em lei e, ressalvada a competência da União:
I - prevenir e exercer as funções de polícia judiciária;
II - prevenir e reprimir a criminalidade, bem como apurar as infrações penais, exceto as militares;
III - realizar as perícias criminais e médico-legais e a identificação civil e criminal;
IV - operacionalizar as ações ligadas à segurança pública do Estado, no que for de sua competência.
A mesma Constituição, quando fala da Procuradoria Geral do Estado diz, no seu art. 133:
"A Procuradoria Geral do Estado, órgão central do sistema jurídico do Estado, tem por competência exclusiva e indelegável a representação judicial e extrajudicial do Estado, além do desempenho das funções de assessoramento, de consultoria jurídica do Poder Executivo, de outros encargos que lhe forem outorgados por lei e, especialmente:
I - o controle e a defesa do patrimônio imobiliário do Estado;
II -a defesa dos interesses da Fazenda Pública Estadual, com prevalência para a cobrança da dívida ativa de natureza tributária;
III - a defesa dos interesses da Administração Pública Estadual perante os contenciosos administrativos e órgãos internos e externos de fiscalização contábil, financeira e orçamentária, sem prejuízo das atribuições próprias de seus representantes junto ao Tribunal de Contas do Estado;
IV - a representação do Governo do Estado junto aos Conselhos de Administração, Assembléias Gerais, ou órgãos equivalentes, nas entidades da administração indireta estadual;
V - a unificação e a divulgação da jurisprudência administrativa predominante no Estado;
VI - a fixação e controle da orientação jurídico-normativa que deve prevalecer para todos os órgãos da administração estadual;
VII - a supervisão, na forma da lei, das atividades dos órgãos jurídicos setoriais da administração centralizada e autárquica."
Dá pra comparar?
Aqui em Baía Formosa
Estou sentado sob uma palhoça da pousada onde me escondo aqui em Baía Formosa, 300 metros acima do mar, numa barreira que me proporciona uma visão do oceano atlântico e do verde ao redor. Faz frio, choveu a noite inteira, mas nem por isso os pescadores se intimidaram, pois jogam o anzol na água desde às 5 da manhã. Turistas caminham pela areia, buscando as praias lá adiante. O resto da pousada dorme. Seu Miranda, o simpático dono do estabelecimento, anuncia o café para as nove horas, quando os foliões vindos do Recife, de Natal e de João Pessoa acordam da folia que durou a noite toda lá para as bandas do centro. Acordei cedo porque dormi cedo. Quase não bebi.
Baía Formosa é uma cidadezinha praeira do Rio Grande do Norte. Pequena, mas organizada. Todas as suas ruas são calçadas, as casas, embora pequenas, são pintadas e bonitas. O povo é simpático.Ontem a noite houve o desfile das bonecas e nunca vi tanto gay junto por metro quadrado. Lúcia, uma amiga nossa que mora aqui faz 20 anos, garante que os gays não são daqui, pois os de cá são tão poucos que se conta nos dedos. São egressos de João Pessoa, Natal, Pipa e de sítios da vizinhança, atraídos pelo desfile das bonecas.
O prefeito daqui é pernambucano de Olinda. Veio botar uma pousada, gostou do lugar, estabeleceu-se e virou prefeito. O homem fez renascer o carnaval de rua. Antes, segundo Lúcia, brincava-se num ginásio de esporte pagando ingresso. O novo prefeito botou o carnaval na rua e este ano importou dois bonecos de Olinda (um deles é a cara de Ruy Carneiro). O povão gostou. As ruas ficam apinhadas de foliões durante os desfiles.
Mandam dizer que o prefeito de Princesa deixou a cidade para brincar no galo da madrugada. Tadinha da minha terra. Vou procurar o prefeito de Baía Formosa e perguntar se ele não quer trocar de cidade, principalmente depois que vi duas escolas municipais equipadas com tudo o que é de bom. Para você,leitor, ter uma idéia, em cada sala de aula tem dois splites, aqueles aparelhos modernos de ar condicionado. Isso é luxo e muito luxo para uma cidadezinha acanhada como esta. Significa dizer que, não roubando, o dinheiro dá e sobra.
Só volto na quarta-feira, mas daqui tô de olho nas coisas daí. Nem pense, senhor espertalhão, que pode pintar o sete e desenhar o oito sem que eu o segure pelo rabo. Experimente!
Porque hoje é sábado
A política é a coisa mais engraçada do mundo porque todo político é engraçado. Não tem palavra, pois vira a casaca com a maior facilidade, mente que o cu não sente e isso a gente escuta da boca de cada um, pois o da direita diz um coisa e o da esquerda desmente, dizendo outra, e assim por diante.
Por isso a gente não vive sem político. Se não fosse ele, o que seria de nós, sem a diversão de vê-lo mentindo, enganando, roubando, fraudando, comendo a colegial que o procura pedindo emprego, botando chifre naquele radialista acadêmico que lhe cede a consorte para ter vida mansa, e assim por diante.
O chato, o nojento, o repugnante e asqueroso mesmo é o assessor, o babão, o guindado a cargo de confiança por mera bajulação qualificada, pois este esquece os amigos, muda de cara, fica deslumbrado, até penteado novo inventa, pensando ser o rei da cocada preta quando nem rei da rapadura é, e assim por diante.
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Taí, fiquei contente em saber que Lena Guimarães não foi escolhida secretária de comunicação por imposição do sistema Correio e sim porque o novo governador achou por bem convidá-la pelos seus próprios méritos. Lena é uma grande profissional e não merecia a pecha de peça introdutória do sistema no fundo financeiro do Estado.
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Sergio Naya morreu num quarto de hotel na Bahia, onde se refugiou para passar o carnaval. Pelo menos é a versão oficial da morte do cara. Mas duvido muito que ele não tenha infartado depois de uma trepada. A baiana, além de quente, adora uma pimenta.
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O ministério publico denunciou o prefeito Marcos Odilon, de Santa Rita, por compra de votos. E foi só ele? Cadê os outros? Será que na Paraíba somente Marcos Odilon distribuiu uns trocadinhos com os eleitores?
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Falar em Marcos Odilon, contaram-me que Vanderli Farias rompeu com o deputado Quinto, filho de Marcos, porque acertou com ele o preço por uns calendários e na hora de pagar Quinto queria um menos. Pense num pechincheiro.
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O novo governador anuncia que vai rever os PCCRs de Cássio. Seria bom ele saber que qualquer mudança nos ditos cujos somente acontecerá mediante a aprovação de dois terços da Assembléia Legislativa.
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E agora lá se vão meus abraços para Vital do Rego, José Augusto Longo da Silva, Hércio Nóbrega, Harrison Targino, Ronaldo Cunha Lima, Fernando de Carlota, Gusto de Simpilício, Zé de Ana, Zé de Vigó, Zé de Biu, Chico Rôla, Bicudo Massaroca, Chiquinho de Orlando, Toim de Ana, Bosco Coxim, Dosca do ó e Mundinho de Luiz Mofeta.
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A lavra de Marcos Pires:
Pensamento do Dia
Às vezes você chora e ninguém vê as suas lágrimas ...
Às vezes você se entristece e ninguém percebe o seu abatimento.. .
Às vezes você sorri e ninguém repara na beleza do seu sorriso...
Agora ...PEIDA. .pra ver....
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LÓGICA
O garoto apanhou da vizinha, e a mãe furiosa foi tomar satisfação :
- Por que a senhora bateu no meu filho?
- Ele foi mal-educado, e me chamou de gorda.
- E a senhora acha que vai emagrecer batendo nele?
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NO BALCÃO DA ALFÂNDEGA
- Seu nome ?
- Abu Abdalah Sarafi.
- Sexo ?
- ... Quatro vezes por semana...
- Não, não, não! Homem ou mulher ?
- Homem, mulher.... algumas vezes camelo...
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DIVISÃO DE BENS
Dois amigos se encontram depois de muito anos.
- Casei, separei e já fizemos a partilha dos bens.
- E as crianças?
- O juiz decidiu que ficariam com aquele que mais bens recebeu.
- Então ficaram com a mãe?
- Não, ficaram com nosso advogado.
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REGIME DE EMAGRECIMENTO
- Doutor, como eu faço para emagrecer ?
- Basta a senhora mover a cabeça da esquerda para direita e
da direita para esquerda.
- Quantas vezes, doutor ?
- Todas as vezes que lhe oferecerem comida.
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CAIPIRA
O representante do censo pergunta ao caipira:
- Quantos filhos o senhor tem ?
- Bão... as minina são seis... os minino são quatro...
- Então sua prole é grande?
- Grande até que não, mas tá sempre dura...
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BODAS
Dois amigos conversam sobre as maravilhas do Oriente..
Um deles diz:
- Quando completei 25 anos de casado, levei minha mulher ao Japão.
- Não diga? E o que pensa fazer quando completarem 50 ?
- Volto lá para buscá-la...
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EMERGÊNCIA
Um eletricista vai até a UTI de um hospital, olha para os pacientes
ligados a diversos tipos de aparelhos e diz-lhes:
- Respirem fundo: vou mudar o fusível.
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CONFISSÃO
O condenado à morte esperava a hora da execução, quando chegou o padre:
- Meu filho, vim trazer a palavra de Deus para você.
- Perda de tempo, seu padre. Daqui a pouco vou falar com Ele,
pessoalmente. Algum recado?
Os amigos de Maranhão e o governo de Cássio
O senador Zé Maranhão fazia tempo que não sentia aquele afago bajulatório dos que não sabem viver longe do poder. Logo ele, acostumado a tais mimos durante oito longos anos, fazia seis que chegava a João Pessoa praticamente sozinho, tendo a esperá-lo no Castro Pinto Idácio Souto, Bibiu meu irmão, Cristiano Machado e uma meia dúzia de três ou quatro. Hoje pela manhã o senador voltou a sorrir às escâncaras. Os seus amigos voltaram. Até Naná Montenegro apareceu para oferecer o cangote que no passado tantas vezes o transportou pelas passeatas da vida.
O poder é bom. Quem disser o contrário está com despeito, com inveja. É muito ótimo demais como dizia Raimundo Lira, o senador de Campina que teve um mandato dado por Burity e depois achou que tinha votos e como não tinha sumiu do mapa como some a poeira das tardes cinzentas de verão. Zé Maranhão é um político que gosta do poder e por isso está feliz tendo os seus amigos diletos de volta.
Viram as adesões? Elas agora é que vão aumentar. Vai se formar fila diante da mansão do Altiplano. Se não botarem guardas para vigiar, é bem capaz de aparecer fura fila de tudo quanto é lugar, somente para dizer que Maranhão é o maior amor da vida deles.
Aquele comunicador que vivia metendo o pau em Maranhão agora não mete mais. Está tão bonzinho, quietinho, trocando o "d" pelo "p" só para se mostrar falante. Não fazia 24 horas que Zé era o vilão da política e Cássio o maior xodó do mundo. Agora o xodó é Zé. Dá pra entender? Claro que dá. Só não entende quem não conhece a paróquia e os paroquianos.
Confesso que gostei do Governo de Cássio. Não vi e não vejo o caos que alardeiam. Cássio aumentou o meu salário de servidor público, criou um PCCR para os de minha categoria, passei a receber um vencimento digno, que dá para pagar as contas e fazer a feira. Feito eu, outros também foram beneficiados. Saiu e deixou na minha conta bancária o salário de fevereiro, permitindo que eu leve dona Cacilda e a meninada a um passeio carnavalesco pelas rodovias do Rio Grande do Norte. Como achar ruim um governador assim? Estou é clamando para Zé ao menos imitá-lo, fazer o que ele vinha fazendo, basta isso, sem tirar nem por. Se fizer melhor, ótimo, se imitar, bótimo, o que não pode é, a pretexto de enxugar isso ou aquilo, enfiar o maranhão no fiofó da gente. Aí eu choro.
Sobre Tião
Tião Lucena, nascido e criado na Paraíba, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no no Jornal O Momento e no jornal de Agá. Nos três primeiros desempenhou as funções de repórter, editor político, editor do interior, chefe de reportagem e secretário de redação. Também foi vice-presidente da API e diretor do Sindicato dos Jornalistas. Cansou de trabalhar em jornais, cansou de patrões e resolveu criar um espaço somente seu na internet, onde pretende fazer um jornalismo sem cabresto e sem censura.
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